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ALTERIDADE

Sobre o produtor

Com direção de Gabriel Miziara e texto de Maria Giulia Pinheiro, Alteridade estreia dia 16 de abril e faz seis apresentações on-line e gratuitas até dia 25 do mesmo mês.


Em Alteridade, a voz de uma mulher estuprada e sua trajetória de restabelecimento são o ponto de partida para a discussão sobre a ética que nos rege. No elenco estão as atrizes Carolina Fabri e Marina Vieira 

Na peça, uma mulher é estuprada. Por quê? Quem ou o que permite que isso continue? Qual é o discurso que legitima que o estupro aconteça tanto e tão silenciosamente? A Cultura do Estupro é a lógica dominante, perpetuada por um imaginário e por ações das mais cotidianas. Quantas coisas uma mulher passa ao longo de um dia que são da mesma natureza do estupro, ainda que em menor grau?

Maria Giulia Pinheiro, sobre o texto Alteridade

Durante sete unidades dramáticas denominadas “círculos”, a personagem narra a violência a que foi submetida, a tentativa de se restabelecer, a notícia da gravidez, a opção do aborto, a culpa, a ilegalidade de escolher, a dissociação entre lei e corpo e o rompimento com a velha mitologia patriarcal. 

A voz dessa mulher perpassa as diversas camadas da Sociedade do Estupro e vai, pelo arquétipo de Alteridade, encontrando aberturas para a reconstrução de si.

 

Ela (Elas, Nós?) tenta se restabelecer, encontrar um jeito de se sentir bem no mundo, um espaço seu. Ela vive a dor do trauma, colocando pra fora a violência que viveu, e nessa experiência, acaba rompendo com a velha lógica patriarcal na qual vivia. Um assunto essencial, em um país que tem 50 mil casos de estupro por ano.

  

Constituir-se como outro. Uma das definições possíveis de alteridade, existente no dicionário de filosofia de Abbagnano. O texto de Maria Giulia Pinheiro vem sob esse nome. A personagem é uma mulher sem nome, sem idade, sem classe social porque, no texto, não é isso que a define. O que a define é a violência, o estupro que ela sofreu, as consequências dessa violência em seu corpo e todos os pensamentos e sentimentos que da violência derivam. O encontro da personagem com uma sociedade que tem a cultura do estupro institucionalizada, e sua jornada em busca de se refazer na descoberta da alteridade. O refazer-se passa por perceber que eu e outro somos. Alteramos nossas trajetórias, somamos ou subtraímos forças, nossas e dos outros, que em algum momento se tornam nós. O texto traz vozes dessa mulher, ou de muitas mulheres, no caso desse projeto aparece na boca de duas mulheres, duas atrizes. A personagem está na emergência de refazer-se. Nesse momento artistas das artes cênicas estão na emergência de se refazer, de fazer, de continuar a existir numa situação onde encontrar o outro – esse encontro tão caro ao teatro – é um risco.  

 

O texto de Maria Giulia é um fluxo de palavras. Nele, a personagem se entende ao jorrar essas palavras em um fluxo de consciência. Nesta pandemia, onde o encontro dos corpos foi impedido, nos vimos pura palavra que, pelas janelas dos computadores, celulares, tablets, zooms, whatsapps, skypes e tais, promoveram e promovem um simulacro necessário ao encontro que nos é, com toda a razão, negado. 

 

Pelas palavras nos encontramos. Pelas palavras, a mulher, no texto, se encontra. Pelas palavras, aqui, artistas, texto, janelas, e público se encontrarão.


 

Ficha Técnica:

Texto: Maria Giulia Pinheiro

Direção: Gabriel Miziara

Elenco: Carolina Fabri e Marina Vieira

Produção: André Canto

Fotos:Vinícius Berger


Serviço:

Apresentações 16,17, 18, 23,24 e 25 de abril.

Sextas e sábados às 20h e domingos às 18h.

Na plataforma Sympla

Classificação etária: 14 anos

Duração: 35 minutos