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Gordofobia, Saúde e Violências

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Gordofobia, Saúde e Violências

24 jan - 2022 • 19:00 > 26 jan - 2022 • 21:00

 
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Evento encerrado

Gordofobia, Saúde e Violências

24 jan - 2022 • 19:00 > 26 jan - 2022 • 21:00

 
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Descrição do evento

GORDOFOBIA, SAÚDE E VIOLÊNCIAS 

Desde que chegamos ao mundo, a saúde nos é associada à preocupação com a gordura e à busca feroz pela magreza, um pilar que contribui fortemente para a estigmatização do corpo gordo em sociedade, preconceito denominado por gordofobia.  

A construção do discurso biomédico, midiático e normatizado do que é ser saudável não considera todos os corpos, subjetividades, afetos, histórias de vidas e dimensões socioculturais. O que acontece é uma lógica política, capitalística colonizadora mundial, para a qual existem apenas dois tipos de corpos, o com saúde e o com doença, e esse entendimento acaba impulsionando mais estigmatização, tristeza e violências contrariando o que podemos entender por um corpo com saúde, propulsionando patologias aos corpos que não se encaixam nos cânones do que é considerável “normal”, “belo”, “limpo” e “saudável”.

O curso Gordofobia, saúde e violências propõe contextualizar a construção sociocultural do lugar social em que a ciência da saúde coloca as corporalidades gordes, a concepção equivocada da binaridade entre saúde e doença, a pré condição na qual um corpo para ser belo, saudável e feliz tem que estar magro e a manutenção da magreza com estratégias dolorosas e violentas, escolhas alicerçadas por uma cobrança social muito forte, fundamentada no que se considera saúde, acabamos associando o discurso biomédico como decisivo na manutenção, a qualquer custo, de um corpo magro.

Gordofobia, saúde e violências, acontece em 3 dias: 24, 25 e 26 de janeiro de 2022, das 19hs às 21:00hs, e propõe a partir de três nomes importantes nos estudos das corporalidades gordas no Brasil uma reflexão sobre como a ciência da saúde tem sido violenta com as pessoas gordas.

Temas como doença e saúde, saudável, normal e patológico, “obesidade”, estigma, I.M.C., cirurgia bariátrica, medicalização desses corpos, corpos dissidentes, racismo, homofobia, transfobia, gordofobia, capacitismo, saúde colonizadora, entre outros serão levantados nessas três aulas.

 

INSCRIÇÕES

As inscrições serão realizadas pelo SYMPLA, e estarão disponíveis entre os dias 07 de dezembro a 21 de janeiro de 2022.

 

ONDE

Curso 100% Online pela plataforma Zoom disponibilizada pelo SYMPLA.

 

QUANDO

Dias 24, 25 e 26 de janeiro de 2022, das 19hs às 21hs

 

COMO

Em 3 aulas de 2 horas cada. Três pesquisadoras importantes no Brasil das corporalidades gordes estarão apresentando suas pesquisas sobre gordofobia, saúde e violências.

 

QUEM PODE FAZER

Profissionais, estudantes, pesquisadores, artistas e ativistas, que tenham interesse nas áreas de Saúde, Psicologia, Filosofia, Ciências Sociais, Educação, Artes, Nutrição, Cultura, Comunicação, Geografia, Antropologia, ou ainda, qualquer pessoa que esteja interessada na discussão acerca das corporalidades gordas, saúde, corpos dissidentes, Interseccionalidades, atendimento humanizado, violência ética, “obesidade”.  Oportuniza a formação de profissionais e pessoas que buscam entender saúde, numa perspectiva estrutural de raça, gênero, sexualidade, corpo, ou seja, comprometidos com dissidências, direitos humanos e acesso a uma saúde humanizada de escuta.

 

AULAS – EMENTAS - PROFESSORES

Gordofobia, saúde e violências

 

DIA 24 – Segunda-feira

Aula 01: Corpas Gordas: a patologização é violência! Nunca foi sobre saúde – Prof. Malu Jimenez

Malu Jimenez propõe em sua aula Corpas Gordas: a patologização é violência! Nunca foi sobre saúde, fazer um percorrido de suas pesquisas desde 2014 até seus estudos atuais no pós-doutorado em psicossociologia na UFRJ, focada no discurso da saúde como violência. Essa aula propõe reflexões importantes sobre a Gordofobia como estigma institucionalizada na ciência da saúde, e nos estudos da “obesidade”. O que entendemos sobre saúde, e como a “saúde” pode ser violenta com as corporeidades gordas, as diferenças entre estudos da “obesidade” e estudos das corporeidades gordas. A importância da escuta, e a violência na invisibilização das pessoas gordas e suas queixas, histórias, dores e afetos.


Referências Bibliográficas

ALVES, P. C.; MINAYO, M. C. S. (Orgs.). Saúde e doença: um olhar antropológico. Rio de Janeiro: Edit. Fiocruz, 1994, p. 33-45.

AMORIM, Bárbara Michele. Novo corpo, nova vida: o mercado de cirurgia bariátrica em perspectiva sociológica. 2018. 212 p. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, Florianópolis, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/198295/PSOP0636T.pdf?sequence=-1&isAllowed=y. Acesso em: 26 set 2019.

ASPIS, Renata Lima. Fazer filosofia com o corpo na rua: experimentações em pesquisa. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2021.

BUTLER, J. Relatar a si mesmo. Crítica da violência ética. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.

BUTLER, J. Como os corpos se tornam matéria: entrevista com Judith Butler. Por: PRINS, Baukje; MEIJER, Irene Costera. Revista Estudos feministas. Florianópolis, vol.10, jan. 2002. Disponível em:

CANGUILHEM, Georges. O normal e o patológico. 4ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982.

ENTRE OUTRAS

 

Malu Jimenez @malujimenez_ é filósofa pela UNESP e Universidade de Granada - Espanha, feminista, artivista, pesquisa gordofobia desde 2014, propõe uma FILOSOFIA GORDA dentro de uma proposta de mudança de paradigma sobre corporalidades dissidentes, com uma revisão epistemológica sobre o discurso soberano de saúde, em uma perspectiva das corporalidades gordas. Professora pesquisadora, doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, autora do livro “lute como uma gorda: gordofobia, resistências e ativismos”. Fundadora do PESQUISA GORDA – Grupo de Estudos transdisciplinares das corporalidades gordas no Brasil, idealizadora do projeto lute como uma gorda.  Pós doutoranda em Psicossociologia na UFRJ. Palestrante, ministra cursos, workshops, rodas de conversa e oficinas sobre corporalidades gordas, escritas afectivas e performance fotográficas de resistência.


DIA 25 -  Terça-feira

Aula 02: IMC como critério absoluto para a política  do peso e da forma - Mirani Barros

A insurgência gorda contemporânea se apresenta como um movimento de validação dos variados pesos e formas, especialmente daqueles socialmente entendidos como gordos. Trata-se de um fenômeno que se conecta a outras lutas e outras teias já tecidas para a compreensão dos corpos em suas múltiplas expressões. É, portanto, uma pauta que se encontra com os feminismos, com os movimentos LGBTQIA+, com os movimentos por consumo consciente, com as lutas por direitos fundamentais, especialmente da luta por saúde, subjacendo conflagrar a concreta falta de saúde, cuidado e negligência que estes corpos estão submetidos, a despeito de toda justificativa de saúde que sobre eles pese. No Brasil, este cenário tem favorecido, nos últimos 5 anos aproximadamente, a discussão e a disputa acadêmica de outra abordagem para o corpo gordo em termos teóricos e conceituais, deslocando-o da matriz da patologia para inseri-lo na matriz da diversidade corporal. Este movimento teórico tem tensionado e relativizado uma série de pré ditos acerca das incapacidades do corpo gorde, além de paulatinamente sugerir um alcance menor para a categoria obesidade que, pressionada pela experiência da saúde, potência e criatividade, parece poder ou não estar presente em corpos gordes.

Diante desse panorama, nossa aula do curso gordofobia, saúde e violência, oferece uma reflexão que parece central para contribuir com a construção de uma noção despatologizada do corpo gorde, atacando, aquilo que a ciência médica parametrizou como principal critério de valoração, modulação e regulação da massa corporal; o IMC. Assim sendo, faremos para esta aula uma leitura principal, retirada do livro “A falsa medida do Homem” de Stephen Jay Gould, que nos introduzirá à crítica científica no que tange a elaboração, aplicação e usos moralizados de variadas técnicas antropométricas ao longo da história moderna. 

Como leitura complementar teremos:

“Modelos de assistência ao indivíduo com obesidade na atenção básica em saúde no Estado do Rio de Janeiro, Brasil’, de Luciene Burlandy et al. pesquisadora de políticas de Saúde da Universidade Federal Fluminense, que nos ajudará a perceber as dificuldades na implementação e a impossibilidade do cuidado por uma política creditada e centralizada no IMC, como critério de ingresso, modulador e parâmetro principal da avaliação. ‘GUIDELINE Obesity in adults: a clinical practice guideline” - Guia da obesidade em adultos: guia da prática clínica, do Canadá, que considera algumas limitações das políticas de saúde tradicionais, propondo sua revisão. poderemos apreciar os avanços e os limites dessa revisão, aproximar e tecer críticas sobre as realidades do Brasil e Canadá.

What is health at every size de Deb Burguard, pesquisadora e ativista estadunidense que escreve para a coletânea The fat studies reader, apresentando a abordagem Heath at every size, a qual poderemos fazer aproximações, forçando nossa criatividade intelectual no sentido de experiências terapêuticas mais integrativas e de cuidado. Ainda abordaremos o atual cenário da política Nacional de combate à obesidade com foco na população adulta, abordaremos as linhas de cuidado para doenças crônicas, dentre elas, a linha de cuidado da obesidade, e as problemáticas envolvidas em torno do IMC como limitador do cuidado.


Referências Bibliográficas

JAY-GOULD, Stephen. A falsa medida do Homem. 1ª ed. Martins Fontes, 1999. p

63 - 103 e p 109-144.

BURGARD, Deb. What is health at every size. In: Rothblum, Esther D., e Sondra Solovay, orgs. The fat studies reader. New York: New York Unviersity Press, 2009. 41- 53p. Tradução Livre: Mirani Barros Em: 07/09/20.

BURLANDY, L.; TEXEIRA, M. R.M; CASTRO, L.M.C et al.; Modelos de assistência ao indivíduo com obesidade na atenção básica em saúde no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública. 2020; 36(3):9.

GUIDELINE Obesity in adults: a clinical practice guideline. CMAJ 2020 August

4;192:E875-91. doi: 10.1503/cmaj.19

 

Mirani Barros é nutricionista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS-UERJ), Professora em Saúde Coletiva na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Acumula experiência nas áreas de saúde, política e direito humano à alimentação adequada. Pesquisadora no campo dos Fat Studies, com foco nas experiências de saúde e gestão das corporalidades gordas entre mulheres das camadas populares de distritos urbanos, crítica da política de combate à obesidade


DIA 26 – Quarta-feira

Aula 03: Patologização e medicalização das corpas gordes: Saúde para quem? Descolonizando o saber bio-médico da corpo-normalidade - Ale Mujica

Discutir as relações de colonialidade, poder, verdade e desejo que constituem as narrativas e práticas da bio-medicina e de bio-vigilancia sobre e para com as corpas gordes. Assim como, a medicalização e patologizacão da gordura dentro de uma lógica totalizante. Esta discussão também tem o intuito de pensar possíveis interferências e desvios dessas práticas gordofóbicas, questionando as verdades bio-médicas, para a construção de um cuidado ético-afetivo e micro/macro político antigordofóbico, onde todas as corpas sejam possíveis.

 

Referências Bibliográficas

Campos, Paul; Saguy, Abigail; Ernsberger, Paul; Oliver, Eric & Gaesser, Glenn. The epidemiology of overweight and obesity: public health crisis or moral panic?. International Journal of Epidemiology, 2006. vol. 35. n. 1. p. 55-60.

Constanzx Alvarez Castillo. La cerda punk. Ensayos desde un feminismo gordo, lésbiko, antikapitalista & antiespecista. Valparaiso: Trio Editorial. 2014.

Contrera, Laura; Cuello, Nicolás. Cuerpos sin patrones. Resistencias desde las geografías desmezuradas de la carne. Buenos Aires: Madreselva, 2016.

Costa, Flavia. El dispositivo fitness en la modernidad biológica. Democracia estética, just-in-time, crímenes de fealdad y contagio. Democracia estética, just-in-time, crímenes de fealdad y contagio. Jornadas de Cuerpo y Cultura, La Plata: FaHCE-UNLP, 2008.

Energici Sprovera, María-Alejandra & Acosta González, Elaine. El estudio de la obesidad y la gorduradesde la sociología y la psicología social. Athenea Digital, 2020. vol. 20. n.2.

Hunger, Jeffrey M; Dodd, Dorian R. & Smith, April R. Weight discrimination, anticipated weight stigma, and disordered eating. Eating Behaviors, 2020. n. 37. p. 1-5.

ENTRE OUTRAS

 

Ale Mujica é Pessoa trans não-binarie (sapatransviade). Pesquisadore nas áreas de gênero, sexualidade, corpo, afetos, decolonialidade, políticas públicas e saúde, também atua como tradutore e revisor de textos. Formade em medicina e com doutorado em saúde coletiva. Meu lugar é poético-poiético, transitório-transitante, entre pesquisadore e ativista, Brasil-Colômbia e imigrante. Trans-feminista, anticolonial, do movimento gorde e na luta pela despatologizacão das identidades trans, das corpas gordes e por diretos sexuais e reprodutivos pra todes. Faz parte do N’aya: Aquilombamento de intelectualidades afrocentradas; Afrotide (Laboratório Interdisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão em Sexualidades); Nusserge (Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Saúde, Sexualidades e Relações de Gênero); e Nupebisc (Núcleo de Pesquisa e Extensão em Bioética e Saúde Coletiva) - Ufsc.

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Sobre o produtor

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Malu Jimenez

Malu Jimenez é gorda, filósofa feminista, artivista faz arte na escritura propondo um novo olhar sobre os corpos gordos, doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, PHD em gordofobia, autora do livro “lute como uma gorda: gordofobia, resistências e ativismos”. Coordenadorado Grupo de Estudos Transdisciplinares do Corpo Gordo no Brasil – PESQUISA GORDA, idealizadora do projeto lute como uma gorda, coordena as redes sociais @estudosdocorpogordo.

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