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XV Jogo do Livro: A literatura infantil e juvenil e o universo da tradução

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XV Jogo do Livro: A literatura infantil e juvenil e o universo da tradução

30 out - 2024 • 08:00 > 01 nov - 2024 • 21:00

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30 out - 2024 • 08:00 > 01 nov - 2024 • 21:00

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O Grupo de Pesquisa e Extensão do Letramento Literário (GPELL), membro do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (CEALE), da Faculdade de Educação da UFMG, há quase 30 anos, trabalha com um repertório que inclui livros “traduzidos”, entre os quais, de modo estrito, obras de literatura estrangeira vertidas para o português e, de modo mais amplo, obras concebidas a partir de um conceito abrangente de tradução, ou seja, qualquer operação de transposição entre códigos ou mesmo dentro de códigos, quando consideramos, por exemplo, categorias como reconto, adaptação, transcriação, reformulações, paródias, transmutações semióticas. Nas quatorze edições do Jogo do Livro (1995-2021), a tradução esteve presente de forma difusa e constante, destacando-se, na última edição, o Bate-papo com essa temática e convidados especialistas no assunto, também entrevistas e
podcasts com pesquisadores da área.
Para a XV edição do Jogo do Livro, o GPELL considera oportuno dedicar-se à tradução como temática geral, em seu sentido amplo, levando em conta releituras, transposições e reescritas da literatura infantil e juvenil, com o objetivo de preencher algumas lacunas nos domínios educacional e acadêmico, animado pelo espaço que o campo vem conquistando nas últimas décadas.
Além das traduções propriamente ditas, entre dois idiomas, foram e seguem fundamentais para o dinamismo do sistema literário as diversas formas de reescrita literária, conforme a definiu André Lefevere (1992): a crítica, o comentário, a historiografia, o ensino, as antologias. Acrescentam-se, ainda, os diferentes tipos de tradução intersemiótica, envolvendo a imagem e o som, bem como a reconfiguração de obras literárias em novas apresentações, como a visual e a performance, por exemplo.
A literatura infantil e juvenil traduzida, dos clássicos aos populares, têm feito parte do imaginário coletivo, da vida cultural e da formação dos leitores brasileiros desde fins do século XIX. Naquela virada de século, essa literatura foi fonte, por exemplo, de traduções interlinguais (Coração, de Edmondo de Amicis) ou inspiração para obras nacionais (Le tour de france par deux enfants, de Augustine Fouillée, como Através do Brasil, de Olavo Bilac e Manoel Bomfim). A literatura estrangeira, notadamente a europeia, portanto, esteve no cerne da formação da literatura infantil brasileira, cuja gênese é indissociável da ampliação progressiva do sistema escolar desde a proclamação da República, como bem apontaram Lajolo e Zilberman em Literatura infantil brasileira.
Nas últimas décadas do século XX, os estudos sobre a literatura infantil e juvenil se consolidaram no âmbito dos estudos literários, reivindicando para os livros direcionados a crianças e adolescentes uma função estética, mais que meramente didática. No Brasil, contribuíram para isso Aracy Martins, Celia Abicalil Belmiro, Graça Paulino, Leonardo Arroyo, Maria Zélia Versiani, Marisa Lajolo, Nelly Novaes Coelho, Regina Zilberman, Rildo Cosson, entre outros. Em paralelo, entre as décadas de 1970 e 1980, os estudos da tradução também se firmam como campo autônomo da ciência, com a escola de Leuven e a escola de Tel Aviv em especial, e se interessam cada vez mais pela literatura infantil e juvenil, com nomes como Riitta Oittinen, Cecilia Alvstad, Emer O’Sullivan e Zohar Shavit.
Apesar de sua importância histórica e do espaço que vem conquistando em teses, dissertações e publicações acadêmicas, a tradução da literatura infantil e juvenil, dentro do escopo mais amplo das suas reescritas e releituras, permanece pouco discutida, seja entre professores, seja em eventos dedicados ao tema no Brasil. Até o momento, ela permanece restrita a simpósios em eventos com temáticas diversificadas, tais como o Seminário de Literatura Infantil e Juvenil (SLIJ) promovido pela UFSC, o Seminário de História da Tradução e da Tradução Literária (SHTTL) promovido pela UnB, ou o Congresso anual da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic).


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