“Sou várias, sou tantas, sou intensa, sou água, fluida, sou terra fincada no chão...”
É assim que Amanda Mendonça abre o espetáculo “Xodó em Flor”, um show que é travessia, memória e celebração da cultura nordestina entrelaçada ao amor. No palco, Amanda conduz o público por um repertório que reverencia grandes nomes da música
brasileira, enquanto revela, em canções autorais e poemas, as próprias experiências de partida, saudade, reencontro e liberdade.
Em “Lamento Sertanejo”, de Gilberto Gil, a intérprete reafirma suas raízes e a força de quem carrega a terra no peito. A saudade ganha voz em “Ai Que Saudade d’ocê” e “De Volta Pro Meu Aconchego”, imortalizadas por Elba Ramalho, evocando o retorno ao lar como ato de cura.
A poesia do interior também pulsa em “Tareco e Mariola”, de Flávio José, e em “Sabiá”, de Luiz Gonzaga, onde o canto se transforma em reza e busca pelo amor perdido. Já em “Chão de Giz”, de Zé Ramalho, a dor e o desejo se misturam em uma interpretação intensa, quase confessional. O show também dialoga com a delicadeza e a profundidade de compositores como Cartola, em “O Mundo é um Moinho”; Gonzaguinha, em “As Rosas Não Falam”; Fagner, em “Canteiros”; Zeca Baleiro, em “Lenha”; Adriana Calcanhotto, em “Vambora”; e Maria Rita, em “Encontros e Despedidas”. Cada canção amplia a narrativa sobre amar, partir, resistir e florescer.
Em diálogo com as tradições nordestinas, Amanda também homenageia a força popular de Limão com Mel em “Anjo Querubim”, reafirmando a diversidade sonora que atravessa o Nordeste. Mas, “Xodó em Flor” não é apenas reverência: é, também, afirmação.
Nas autorais “Casa de Memórias”, “Vida Cigana” e “Yo Ya No Quiero Más”, Amanda Mendonça expõe suas próprias vivências — as malas feitas, os caminhos percorridos, os amores intensos, as despedidas necessárias. Entre poemas e canções, o espetáculo constrói uma narrativa sensível sobre a mulher nordestina contemporânea: forte como a terra seca, fluida como o rio, intensa como o mar e livre para flutuar dançando pela estrada da vida. Amanda transforma o palco em casa de memórias e estação de encontros — onde cada despedida carrega a promessa de retorno.
“Xodó em Flor” é, acima de tudo, um canto de pertencimento. Um abraço sonoro que reafirma que o amor — pelo outro, pela terra, por si mesma — é a força que sustenta e faz florescer.
Amanda Mendonça – Xodó em Flor
Um espetáculo onde o Nordeste canta, ama e resiste.