30 jun - 2022 • 09:00 > 01 jul - 2022 • 09:00
30 jun - 2022 • 09:00 > 01 jul - 2022 • 09:00
Conheça Marcela Bonfim |
Sabemos de fato quem somos? Quantas
vezes nos olhamos no espelho e identificamos ali nossos traços ancestrais?
Algumas pessoas criam uma imagem que não as representam, mas que são aceitas
pela sociedade ou por vezes preferem, simplesmente, quebrar o espelho e não se
encarar. Muitas vezes esse espelho foi quebrado pela fotógrafa Marcela Bonfim,
paulistana da cidade de Jaú, 38 anos, hoje reconhecida como mulher negra e
moradora na cidade de Porto Velho, em Rondônia há 11 anos.
Formada em economia pela PUC-SP a
militante pela causa das populações negras e povos tradicionais era outra
Marcela até os 25 anos. Ela se considerava uma negra embranquecida, acreditava
no discurso da meritocracia. Ouvia dos pais que se estudasse conseguiria ter um
bom emprego e ser feliz. Também baseado nesse discurso criticava as políticas
de ações afirmativas, como as cotas raciais, e dizia que eram mais uma
demonstração de preconceito e racismo, palavra essa que não enxergava dentro da
sua realidade.
Marcela vestia por cima da pele
alguns disfarces para ser aceita. Na turma do colégio recebeu o título de a
mais engraçada, era a palhaça da sala de aula, a mais risonha, e assim a
economista levou a vida. Acreditou em um mundo possível, com portas abertas e livre
circulação, sem nenhum impedimento. Mas ela se enganou e foi durante a busca
pelo primeiro emprego que o mundo dela ruiu e os disfarces não funcionavam
mais, a cor da sua pele agora estava amostra.
Já em Rondônia, para enfrentar sua
negritude, Marcela comprou uma máquina fotográfica, em 2012, e começou a
fotografar homens, mulheres, crianças, jovens e velhos negros e negras na
Amazônia em comunidades quilombolas, rituais de terreiros de candomblé,
festejos religiosos, penitenciárias. O registro também buscou retratar o negro
em seu emprego, na grande maioria exercido em atividades domésticas.
As lentes também captaram a
resistência pela preservação da cultura e costumes e a beleza da estética
negra. A fotografia foi um resgate da própria identidade de Marcela enquanto
mulher negra e foi na Amazônia que ela “enfrentou” a cor de sua pele.
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Saiba como editar participantesRua Doutor Monteiro Filho, 130 Centro
Quixeramobim, CE

Qxas 2022
QXAS - Festival de Fotografia do Sertão Central é um festival de difusão e formação e da fotografia brasileira, realizado nas cidades de Quixeramobim (CE) e Quixadá (CE), que realiza uma programação diversificada de formação, exposições, encontros, projeções, vivências, leituras de portfolios, intervenções urbanas e muitas trocas. Tem o objetivo de promover o intercâmbio entre a fotografia cearense e a produção contemporânea brasileira nos campos da expressão e do conhecimento.
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