Traduzir um poema significa entrar no texto até compreender o que pode mudar e o que precisa permanecer. O som se desloca, o ritmo encontra outro passo, algumas palavras pedem para ser reinventadas.
É desse trabalho que nasce M’Illumino / D’Immenso, Prêmio Internacional de Tradução de Poesia do Italiano para o Português, promovido pelo Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro em parceria com o Laboratório Trādūxit, e que chega agora à sua terceira edição.
No centro desta edição estão dois poemas, assinados por Davide Rondoni e pela poeta suíça de língua italiana Donata Berra. Duas escritas diferentes, entregues aos tradutores com a mesma dificuldade de fundo: encontrar em português uma forma capaz de sustentar o peso do original.
O júri é formado por Prisca Agustoni, Barbara Bertoni, Elena Santi e Paulo Tavares. Poetas, tradutores e pesquisadores que conhecem de perto o trabalho sobre o texto e a passagem entre línguas diferentes. É justamente aí que o prêmio encontra sua medida: na precisão das escolhas, na forma como uma palavra pode mudar a respiração de um verso.
A cerimônia de premiação será realizada no âmbito da XXVI Semana da Língua Italiana no Mundo, dedicada, em 2026, ao tema Língua Genial: Idear, Projetar, Criar com o Italiano. O vencedor receberá 500 euros, um certificado e terá suas traduções publicadas. Um reconhecimento que tira o trabalho do tradutor do espaço reservado da página e o entrega à leitura.
O nome do prêmio vem de Mattina, de Giuseppe Ungaretti. Dois versos, poucas palavras, uma densidade quase impossível de separar de seu som. Talvez seja essa a medida mais precisa do desafio da tradução poética: mudar de língua sem perder a tensão que mantém o texto inteiro.