23 mai - 2026 • 09:00 > 23 mai - 2026 • 13:00
23 mai - 2026 • 09:00 > 23 mai - 2026 • 13:00
Pode o psicanalista ou o iniciante prescindir dos fundamentos da Psicanálise, agora, no Século XXI? Não. Quando a clareza e o rigor conceitual estão bem alicerçados, aumenta a flexibilidade da clínica – porque operar com liberdade exige saber de onde se parte. Esta é a primeira razão, epistemológica, para apresentar as chaves de leitura do Seminário XI, 1964: trata-se de retornar às bases não para repeti-las, mas para compreendê-las em sua profundidade e alcance. É essa a condição para que os conceitos permaneçam vivos e operativos, e não se transformem em fórmulas esvaziadas pelo uso irrefletido.
A segunda razão é política. O Seminário 11 marca um ponto de virada no ensino de Lacan. Seus seminários anteriores foram considerados como um “retorno a Freud”, dirigidos a clínicos no Hospital Sainte-Anne. Em 1964, Lacan muda de local e de audiência: ao transferir seu seminário para a École Normale Supérieure, abre seu ensino também a filósofos, linguistas e intelectuais de outras áreas. Nesse mesmo ano, funda a Escola Freudiana de Paris — gesto que reitera, pelo próprio nome, sua fidelidade a Freud. Mas trata-se de uma fidelidade ativa: Lacan relê Freud com instrumentos que este não possuía, especialmente a Linguística, o que lhe permitiu formular que o inconsciente é linguageiro. A linguagem é condição do inconsciente, e não seu produto ou consequência, como outros pretendiam.
A terceira razão é clínica. Lacan critica a leitura que os pós-freudianos fazem dos conceitos fundamentais, recusando os standards e a burocratização que impõem à prática — a rigidez no número de sessões semanais, na duração das sessões e no tempo total de análise. Os conceitos têm estabilidade, mas a forma de utilizá-los não pode ser fixada de uma vez por todas: ela varia à medida que a sociedade muda e a clínica pede mudança de rota. Ao criticar o enrijecimento institucional, Lacan legou instrumentos para operar em um mundo pós-moderno: conceitos vivos, não dogmas.
As três razões convergem: o Seminário 11 é, ao mesmo tempo, fundamento, ruptura e abertura. As chaves de leitura que aqui se oferecem preparam para o que cada um vai encontrar no texto — e espera-se que provoquem o desejo de estudá-lo. É essa, afinal, a razão das chaves de leitura.
Este curso constará de três aulas que percorrem os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, exemplificados com casos clínicos.
Uma chave de leitura não é um resumo, nem um substituto do texto. É um instrumento de orientação que identifica os nós conceituais, os pontos de maior tensão e os eixos que organizam o pensamento do autor, de modo que o leitor não entre no texto às cegas. Ler Lacan — e, em particular, o Seminário 11 — exige esse tipo de balizamento, porque sua escrita não é linear: ela avança por espirais, retoma o que deixou em suspenso, interpela o leitor com perguntas que só se respondem páginas adiante. Sem orientação prévia, corre-se o risco de se perder no brilho da formulação e perder o fio do argumento.
As chaves de leitura aqui propostas foram construídas em torno dos quatro conceitos fundamentais — Inconsciente, Repetição, Transferência e Pulsão — articulando-os com o momento histórico de sua formulação, com a crítica que Lacan endereça aos pós-freudianos e com as implicações clínicas de cada noção. Não se trata de simplificar Lacan, mas de abrir o acesso ao que ele tem de mais rigoroso e mais provocativo — para que o estudo do Seminário 11 seja, ao mesmo tempo, uma leitura mais consistente e um encontro mais vivo com o pensamento psicanalítico.
9h00 – 9h30 Café com bolo IPLA
9h30 – 10h30
Aula Inaugural | A realidade do inconsciente é a realidade sexual. Repetição
Talyta de Carvalho
Efeitos da fala sobre o sujeito. Tiquê e Automaton. Repetição no fort-da. O inconsciente no sonho, no ato falho, no chiste. A outra cena. Sujeito da enunciação. O inconsciente estruturado como uma linguagem. A causa. Exemplo clínico.
10h30 – 11h30
Aula 2 | A pulsão e suas vicissitudes
Dorothee Rüdiger
Trieb. Características da pulsão. Vicissitudes da pulsão. Satisfação da pulsão. Satisfação escópica, o olhar. Pulsão invocante, a voz. Estrutura de borda. Demanda do Outro. Pulsões do ego. A sexualidade é de ordem pulsional. Gozo. Exemplo clínico.
11h30 – 12h00 Café com bolo IPLA
12h00 – 13h00
Aula de Encerramento | A transferência como a atualização da realidade do inconsciente
Liége Lise e Teresa Genesini
Transferência – pivô do tratamento analítico. Presença do analista. Desejo. Efeito de transferência. Amor. Desejo do analista. Sujeito suposto saber. Em Ti mais do que Tu. Relato e discussão de um caso clínico.
Data: Sábado, 23 de maio de 2026
Horário: 09h00 - 13h00
Presencial & Online (Curso Híbrido) As aulas são conduzidas em nossa sede, em São Paulo, com um auditório* de participantes, e transmitida ao vivo na sala virtual do zoom.
*vagas presenciais limitadas
Curadoria: Elza Macedo
Coordenação científica: Jorge Forbes
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
Saiba mais sobre o cancelamentoVocê poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.
Saiba como editar participantesAlameda Campinas, 1063 Jardim Paulista
São Paulo, SP
IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana
O Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA), fundado em 2003, é um instituto do Campo Freudiano sediado em São Paulo e que segue a orientação lacaniana da Clínica do Real. Presidido pelo psicanalista Jorge Forbes, o IPLA tem como objetivos fundamentais a pesquisa, a clínica, o ensino e a difusão da psicanálise de orientação lacaniana. Dedica-se, especialmente, à Psicanálise do Século XXI, própria aos novos sintomas e impasses da pós-modernidade. www.ipla.com.br
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