A adolescência quase nunca tem contornos nítidos. Em Ciao Bambino, Edgardo Pistone a situa em uma paisagem na qual a urgência do desejo, o peso da família e a pressão do contexto criminal se tocam o tempo todo. É com este filme que prossegue a segunda edição do Panorama IICinemaRio, em seu quinto encontro.
Apresentado em 2024 na Festa do Cinema de Roma, onde venceu o prêmio de melhor obra de estreia, o filme se passa na Nápoles do fim do verão e acompanha Attilio, um rapaz muito jovem que se apaixona por uma garota do Leste Europeu enquanto o pai retorna da prisão. A trajetória da narrativa nasce desse ponto: uma escolha que não diz respeito apenas aos afetos, mas ao próprio modo de estar no mundo, de imaginar uma saída, de confrontar uma herança que antecede qualquer decisão individual.
Pistone trabalha com uma matéria que poderia facilmente escorregar para o pitoresco ou para a crônica de ambiente, mas escolhe outro caminho. Seu olhar permanece próximo dos corpos, dos silêncios, da dureza cotidiana dos vínculos. Nápoles não é um pano de fundo, nem um repertório de sinais reconhecíveis. Torna-se o espaço concreto em que os destinos se formam, as feridas se transmitem e pequenas margens de liberdade são buscadas. Nesse equilíbrio entre relato sentimental, tensão criminal e romance de formação, Ciao Bambino encontra sua medida. O resultado é uma estreia compacta, tensa e consciente, capaz de dar forma cinematográfica a uma fragilidade que não pede indulgência nem procura atalhos.