Roma, 1976. Em um pátio banhado de sol, a luz atravessa as sombras das brincadeiras infantis. Mas, num instante, tudo se quebra. Um disparo, o sangue, o pai caído no asfalto. É a partir dessa imagem dilacerante que começa Padrenostro, filme profundamente pessoal de Claudio Noce, que o Panorama IICinemaRio apresenta em uma sessão de forte impacto emocional e artístico.
Inspirado em um fato real - o atentado sofrido pelo pai do diretor, então vice-comissário de polícia - o filme caminha sobre o fio delicado da memória, explorando a infância marcada pela violência e o vínculo frágil, vertiginoso e íntimo entre pai e filho. Padrenostro, no entanto, não é um relato de vingança, nem uma crônica dos anos de chumbo: é uma confissão poética, um diário de sobrevivência afetiva e identitária.
Pierfrancesco Favino, em uma de suas atuações mais contidas e poderosas, dá vida a um pai enigmático e dolorosamente distante. Já o jovem Mattia Garaci impressiona pela maturidade com que interpreta o olhar atônito do filho, que observa o universo dos adultos sem ainda compreender suas regras.
Com uma direção sutil, atenta aos silêncios e aos gestos mínimos, Noce constrói uma obra que combina o fôlego do thriller com a leveza do romance de formação, entrelaçando no tecido da história uma reflexão sobre a inocência ferida, o medo e a busca desesperada por equilíbrio emocional.
Um filme para ser visto com os olhos abertos e o coração vulnerável. Uma oportunidade rara de refletir, pela lente do cinema, sobre as feridas privadas que a história inflige no silêncio das famílias.
Aviso importante: O acesso à sala só será permitido até 15 minutos após o início do evento.