A profissão da Senhora Warren, uma adaptação da obra homônima de Bernard Shaw.
Estreia mundial do Núcleo de Criação de Ópera
A Sra. Warren, uma mulher de origem humilde, deu à filha Vivie uma excelente educação e uma vida respeitável. Mas revelações sobre o passado e a ascensão financeira da mãe mudam completamente o destino das duas mulheres. O que parecia um simples encontro entre amigos em uma pacata cidade no interior da Inglaterra, torna-se o pivô de um grande conflito entre mãe e filha.
Em seu quarto ano de atividade, o Núcleo de Criação de Ópera apresenta A Profissão da Senhora Warren, ópera em quatro atos inspirada na obra homônima do irlandês Bernard Shaw, com música de Maurício De Bonis e libreto assinado coletivamente pelo Núcleo, formado, este ano, por Livia Sabag, Eliane Coelho e Gabriel Rhein-Schirato e pelo próprio De Bonis.
A peça, escrita em 1893, na qual o autor faz uma ácida crítica à hipocrisia da sociedade da época, foi censurada e, durante quase dez anos, proibida de ser apresentada, tendo estreado apenas em 1902, em Londres.
A adaptação do texto para o libreto mantém-se bastante fiel à obra original e ao estilo de Shaw, e destaca, sutilmente, problemáticas de surpreendente atualidade, como a relação entre ideologia e conflitos de classe, questões de gênero no mundo dos negócios e nas relações familiares, e relações entre livre-arbítrio e liberdade no mundo contemporâneo.
A música de De Bonis, de natureza atonal, dedica-se minuciosamente à caracterização dos tipos vocais referentes a cada um dos personagens. As melodias são marcadas por cromatismos, saltos, ou repetições intervalares, conforme a condução emocional de cada cena. A orquestra conta com todas as famílias de instrumentos, alternando texturas e densidades diversas e fazendo uso, inclusive, de ambiências muito sutis, pontuadas apenas pela percussão ou pela harpa. De Bonis propõe, ainda, uma coloquialidade rítmica e prosódica nas linhas vocais, que contribui para a fruição das palavras, e para a fluência da cena teatral, enquanto a escrita orquestral revela camadas menos explícitas dos conflitos entre os personagens. A alternância no uso de técnicas tradicionais do canto lírico com técnicas de “sprechgesang” (ou “canto-fala”, algo tão pouco explorado até hoje na música vocal brasileira) confere, ainda, mais possibilidades expressivas aos personagens.
Ficha Técnica:
Maurício De Bonis Composição
Núcleo de Criação de Ópera 13ª edição do Festival (Livia Sabag, Eliane Coelho, Gabriel Rhein-Schirato e Mauricio De Bonis) Libreto
Eliane Coelho, Carla Cottini, Paulo Mandarino, Mauro Wrona, Idaías Souto e Rafael Stein Elenco
Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo Orquestra residente
Gabriel Rhein-Schirato Direção Musical e Regência
Livia Sabag Concepção e Direção Cênica
Fabio Bezuti Pianista e preparador vocal
Nicolás Boni Cenografia
Fabio Namatame Figurino
Valéria Lovato Iluminação
David Scardua Visagismo
Belquior Guerrero Assistente de Regência
Menelick de Carvalho Assistente de Direção Cênica