28 mar - 2026 • 14:00 > 28 mar - 2026 • 16:00
28 mar - 2026 • 14:00 > 28 mar - 2026 • 16:00
Oficina Os tambores Batà e a Linguagem Musical Afro-Diaspórica
DATA: 28/03/2026
LOCAL: Núcleo de Formação e Criação Artística e Cultural (Nucaf). Avenida dos Andradas, 367, 3º andar, sala 3, Centro - Belo Horizonte/MG (Regional Centro-Sul)
HORÁRIO: 14:00
Com Eugenio Clavelles
Para os diferentes grupos étnicos iorubás que professam a religião Lucumí, cada transformação ou condição climática tem uma razão de ser e um Orishá específico. Cada Orishá tem uma canção, uma dança, uma história ou um patiquín africano e seu toque particular. Esses tambores Batá, também conhecidos como tambores ILú Aña, são um trio de tambores de significado religioso, usados em cerimônias e cultos de origem Lucumí, também chamados em Cuba, de Santería ou Santo. Estes tambores se diferem entre si em tamanho e diâmetro, resultando uma gama de sons variada, do grave ao médio e agudo. O corpo desses tambores deve ser sempre uma peça única, com forames originalmente desenhados e construídos na África, feitos de madeira de troncos de árvores e sob tensão constante, tensados por cordas feitas de tiras de couro de cabra ou canhamo. Cada tambor ILú tem duas peles ou membranas chamadas Awó, que significa couro; Cada Awó tem um nome específico e um tamanho diferente. O Awó maior, ou pele maior do tambor, é chamado Enú, que significa boca em Iorubá. O tambor menor (Awó) é chamado (Chachá), que se traduz literalmente como costas. Cada tambor ILú Añá tem seu próprio nome específico. O maior tambor é chamado Iyá, que significa mãe na língua Iorubá (uma mãe dois ILú). O tambor mais grave é o que lidera e improvisa. Em seguida, em tamanho e importância rítmica, vemos o tambor de tamanho médio, ou o segundo, chamado Itótele, que significa Pai, o qual tem um registro médio. O tambor menor é chamado Okónkolo ou Kóncolo, um nome com vários significados, como (brinquedo de criança, aludindo ao fato de ser o menor dos dois tambores sagrados Batá; outro significado é bebê ou criança pequena). Como podem ver, os tambores Batá ou ILú Añá formam uma trilogia muito unida, que em África é considerada familiar, ou seja, uma família de tambores onde todos convergem harmoniosamente para alcançar uma linguagem musical ritualística.
CLASSIFICAÇÃO: Livre
Eugenio Clavelles Arredondo é músico, percussionista, educador musical e pesquisador das culturas afro-diaspóricas, com trajetória artística e pedagógica consolidada ao longo de mais de quatro décadas de atuação contínua em territórios culturais negros, comunidades tradicionais e espaços de formação popular nas Américas. Nascido em Havana, Cuba, sua formação está profundamente enraizada nas tradições musicais afro-cubanas, caribenhas e africanas, articulando prática artística, educação e compromisso comunitário. É bacharel em Pedagogia com especialização em Bateria e Percussão Cubana e Afro, além de possuir formação técnica e pedagógica em música, regência, apreciação musical e técnicas do som. Sua trajetória se destaca pela integração entre saberes ancestrais, educação popular e circulação cultural, com atuação consistente em Cuba, Guiana, México, Trinidad e Tobago, Venezuela, Colômbia e Brasil. Foi fundador e arranjador musical da primeira Steel Band criada em Cuba, a Steel Band Taíno, em 1984, marco histórico na introdução dessa manifestação cultural caribenha no país, fruto de intercâmbios afro-diaspóricos e de processos formativos comunitários. Desde então, sua atuação se desenvolve na valorização das matrizes africanas, caribenhas e afro-latinas, tanto na performance musical quanto na formação de novos artistas e educadores.
Ao longo de sua carreira, Eugenio exerceu papel central como professor em Casas de Cultura, universidades, projetos comunitários e escolas especiais, destacando-se o projeto cultural comunitário “Talento Cubano”, voltado à democratização do acesso à cultura em territórios periféricos e de difícil acesso. Esse projeto tornou-se referência em educação artística comunitária e foi replicado em contextos populares na Venezuela, reafirmando seu compromisso com a cultura como ferramenta de transformação social.
No Brasil, sua atuação mantém continuidade e coerência com essa trajetória, com trabalhos em São Paulo e Belo Horizonte, incluindo sua participação no Festival de Arte Negra de Belo Horizonte (FAN) nas edições de 2021 e 2023, integrando ações formativas, residências artísticas e processos coletivos voltados à valorização da cultura negra. Atualmente, segue atuando como educador musical, percussionista, luthier e formador em contextos sociais e culturais diversos. A trajetória de Eugenio Clavelles Arredondo dialoga diretamente com a proposta apresentada ao FAN Raízes, pois se fundamenta na ancestralidade africana, na transmissão intergeracional de saberes, na atuação territorializada e no fortalecimento das culturas negras como patrimônio vivo. Sua experiência reflete um compromisso ético, artístico e pedagógico com os territórios culturais, contribuindo de forma consistente para a preservação, difusão e recriação das expressões afro- diaspóricas em diálogo com as comunidades.
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
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Saiba como editar participantesAvenida dos Andradas, 367 Centro
Belo Horizonte, MG
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