O Museu das Culturas Indígenas (MCI) traz Natan Pankjeri (Jeripancó) para uma oficina em que serão confeccionados adornos a partir de plumas, que, assim como para muitas outras etnias indígenas, possuem um significado cultural e espiritual profundo, muito além de um simples enfeite. São considerados sagrados e o uso está geralmente ligado a rituais, crenças e à identidade de um grupo. Todos os participantes farão seu próprio item e, a partir das orientações de Natan, aprenderão a respeitar e reverencia-lo.
Na parte da tarde, após o intervalo de almoço, Natan Pankjeri continuará no MCI e comercializará outros itens confeccionados artesanalmente, integrando a Feira de Artes Manuais Indígenas.
Sobre Natan Pankjeri
Nascido na Aldeia Pankararu de Brejo dos Padres (Tacaratu - PE), passou a viver na Aldeia Geripankó (Povoado Ouricurí), no Estado de Alagoas. Em contexto urbano na capital paulista, vive no extremo Sul da cidade. É operário da construção civil e, a partir dos conhecimentos transmitidos por seus antepassados, é artesão, realizando artes plumárias, adornos, trabalhos em madeira, palha e raízes, entre outros itens, e, também, condutor de atividades ritualísticas e sobre medicinas tradicionais de seu(s) povo(s).
Sobre o Povo Jeripancó (também grafado Jeripankó ou Jiripancó)
Atualmente, se encontra no Alto Sertão de Alagoas, concentrado principalmente nas redondezas do município de Pariconha (AL), em comunidades como Ouricurí, Figueiredo, Piancó, Poço D’Areia, Serra do Engenho, Araticum, Capim e Caraibeiras. Os integrantes desse grupo são descendentes dos Pankararu do Brejo dos Padres que migraram para Alagoas em função das perseguições, dos faccionalismos, das secas ou da escassez de terras de trabalho. Mesmo em territórios diferentes, mantêm contato com os parentes e frequentemente visitam o Brejo dos Padres, do outro lado do rio Moxotó, inclusive para as festas.
Sobre o Povo Pankararu
Povo originário da Caatinga (único bioma exclusivamente brasileiro), no semiárido, tem sua terra, homologada em 1987, localizada entre os atuais municípios de Petrolândia, Itaparica e Tacaratu, no sertão pernambucano, próximo ao rio São Francisco; área habitada continuamente a cerca de 7 mil anos. Como outros povos vizinhos, sofreu grandes ataques na expansão do colonialismo português desde o século XVI, perda dos seus territórios, liberdade e língua. Com a crescente demanda por reconhecimento a partir do século XX, torna-se um dos primeiros povos do Nordeste a ter reconhecida sua existência e território demarcado. Hoje, com três núcleos populacionais diferentes, no território original em Brejo dos Padres (PE); na Aldeia Cinta Vermelha Jundiba (Araçuaí – MG), junto ao povo Pataxó, no Médio Jequitinhonha; e na maior metrópole do país, São Paulo (Comunidade Indígena Pankararu do Real Parque), são um exemplo da pluralidade e diversidade dos povos indígenas brasileiros, tal como sua complexa identidade socioterritorial.