09 mar - 2026 • 16:44 > 15 mar - 2026 • 19:00
09 mar - 2026 • 16:44 > 15 mar - 2026 • 19:00
MIGUEL
Sinopse / Manifesto
“Miguel” nasce como processo pedagógico, mas é mais do que um exercício cênico: é peça, é manifesto, é denúncia. É carne viva. Carne vermelha. Ferida exposta. Jovens artistas periféricos sentiram a urgência de lançar a flecha que desmascara o abandono, a crueldade, o GENOCÍDIO. A sala de aula tornou-se arena de debate, reflexão e construção de sentido. Foi um grito latente de justiça. Justiça por Miguel.
O ponto de partida do processo veio da música “Dois de Junho”, composta por Adriana Calcanhoto e erguida na voz-ritual-oração de Maria Bethânia. A canção fez-se memórias, da memória, nasceu a cena. Cena que não se limita ao caso de Miguel, um menino de apenas 5 anos abandonado em um elevador pela PATROA de Mirtes Renata, mulher negra, periférica e empregada doméstica. Enquanto o mundo se fechava em casa para se proteger da pandemia de Covid-19, Mirtes seguia trabalhando, mesmo quando seu trabalho não se enquadrava na categoria de serviços essenciais. Miguel caiu do 9º andar de um prédio no Recife. Voou tão alto, tão longe, até encontrar o chão. A mão que aperta o botão do elevador é a mesma mão ensanguentada que decide quem sobe e quem desce, quem permanece vivo e quem será lançado à própria sorte. Esse caso se abre como ferida coletiva para lembrar as inúmeras crianças, adolescentes e jovens arrancados pela violência de um país erguido sobre uma estrutura racista. Aqui, o descaso cotidiano naturaliza a morte. Afinal, a bala que sai do cano de uma arma sempre encontra o mesmo corpo. E tem que ser assim? No palco, o cenário é apenas uma escada. Mas é um prédio inteiro. É um Brasil inteiro. Um Brasil que não esconde que, para os de cima continuarem em cima, os de baixo precisam ser exterminados. Cada degrau é um andar de privilégio. Não há corrimão. Não há rede. O que resta é o voo? A encenação é um encontro: Miguel, que narra a sua própria queda, encontra Ícaro, filho de Dédalo, o inventor. Presos em Creta, pai e filho receberam asas de penas coladas com cera: invenção para sonhar liberdade. Antes do voo, o aviso paterno: “não voe tão baixo, ou o mar te afoga; não voe tão alto, ou o sol te devora.” O sol derreteu a cera, as asas se desfizeram, e Ícaro caiu no mar. É sobre a ousadia de voar. No espaço entre o alto e o chão, os dois se reconhecem. Um é mito grego, lido e celebrado como tragédia universal; o outro é menino negro, filho de uma trabalhadora doméstica, tornado estatística de um genocídio silenciado. Mas quando se olham, já não há diferença: ambos são sonhadores interrompidos.
Encenação: Alan Paes
Ass. Direção: Bruna Tovian
Produção: Dayane Santoso / Cauan Henrique
Desenho e Operação de Luz: Jaque Nunes
Dramaturgia: Coletivo Apinayé
Figurino: Felipe Dupper / Dayane Santoso / Beatriz Laurentino
Artes Gráficas: Fael Mares
Marketing e Redes Sociais: Dayane Santoso / Alan Paes
Fotografia e Audio Visual: Alexandre Gomes
Elenco: Bessa / Bruna Tovian / Carol Soares / Carlos Vasconcelos / Júlia Cardoso / Dayane Santoso / Eliane Carla / Fael Mares / Raíssa Alcântara / Cauan Henrique / Thais de Sá /
Dias: 08, 14 e 15 de MARÇO
Horário: 19h
Local: Teatro ETA – Sala Principal - Rua Major Diogo, 547 - Bela Vista - São Paulo - SP

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São Paulo, SP
Coletivo Apinayé
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