Tema da mesa: Territórios que cuidam: gênero, inclusão e cuidado como proteção social
Capacidade total: 150 pessoas
Debatedores:
Gerohanna Barbosa - Formada em jornalismo e pedagogia, Coordenadora do Centro de Referencia LGBTI Edson Neris
Simone Hungaro - Professora da Rede Municipal de Ensino de São Paulo e integrante da Divisão Pedagógica da DRE Ipiranga
Débora Orellana - Graduada em Ciências Sociais e Pedagogia, é mediadora do coletivo clube de Mães Atípicas de Heliópolis
Maria Lúcia Gusmã - Educadora social, atua com crianças e adolescentes com deficiência (PCD)
A mesa propõe uma reflexão crítica sobre a organização social do cuidado e sua relação com as desigualdades de gênero, raça, classe, sexualidade e deficiência. Historicamente atribuído às mulheres e naturalizado como parte de suas responsabilidades familiares, o cuidado permanece muitas vezes invisibilizado e pouco reconhecido como trabalho e como dimensão fundamental da proteção social. Na ausência ou insuficiência de políticas públicas de inclusão, acessibilidade, saúde, educação, assistência social e apoio às famílias, são sobretudo as mulheres que assumem a sobrecarga do cuidado, muitas vezes em condições de precarização, renúncia profissional, perda de autonomia e adoecimento.
A partir das experiências e lutas de lideranças feministas, mães atípicas, movimentos de defesa da diversidade LGBTQIAP+, profissionais e sujeitos envolvidos nas políticas de saúde mental, gênero, sexualidade, inclusão e proteção social, a mesa buscará compreender os diferentes desafios vivenciados nos territórios e refletir sobre como construir redes de cuidado mais solidárias, inclusivas, acessíveis e corresponsáveis.
O debate parte da compreensão de que cuidar não pode ser uma responsabilidade individual das mulheres ou das famílias, mas uma questão de direitos e de responsabilidade coletiva. Nesse sentido, será discutida a importância de uma atuação intersetorial que articule educação, saúde, assistência social, cultura, trabalho e demais políticas públicas, fortalecendo redes públicas e comunitárias capazes de acolher, incluir e proteger diferentes sujeitos e famílias.
A proposta é pensar caminhos para a construção de territórios que cuidam sem discriminar, reconhecendo quem cuida, valorizando o trabalho do cuidado e garantindo condições para que ninguém precise escolher entre cuidar, trabalhar, estudar, exercer sua autonomia ou cuidar de sua própria saúde. Quando o Estado não garante condições para o cuidado, a conta recai sobre as mulheres; transformar essa realidade exige reconhecer o cuidado como direito, responsabilidade coletiva e compromisso público.