03 ago - 2023 • 19:00 > 27 ago - 2023 • 19:00
03 ago - 2023 • 19:00 > 27 ago - 2023 • 19:00
Espetáculo
"Matar ou Morrer - Dilermando de Assis e Euclides da Cunha" propõe
uma acareação entre estes ilustres personagens
Texto de Miriam Halfim leva a direção de Ary Coslov e traz no elenco Marcelo Aquino, Maria Adélia e Sávio Moll; montagem estreia dia 3 de agosto no Centro Cultural da Justiça Federal
Advogada e
membro da Academia Carioca de Letras, a autora Miriam Halfim ficou bastante
tocada ao conhecer a história de Dirce de Assis Cavalcanti, filha de Dilermando
de Assis (1888-1951), hoje com 90 anos. Apontada tantas vezes como "a
filha do assassino", Dirce sofreu bullying na escola e na vida por causa
do julgamento moral da sociedade que condenou seu pai — mesmo absolvido em dois
tribunais — por matar o escritor Euclides da Cunha (1866-1909) em legítima
defesa, no episódio que ficou conhecido como "A Tragédia da Piedade".
Mais de um
século depois, esses dois personagens, que se tornaram arqui-inimigos por causa
do amor de Anna Emília (1872-1951), retornam ao palco do Centro Cultural da
Justiça Federal, sob a direção de Ary Coslov, no espetáculo "Matar ou
Morrer - Dilermando de Assis e Euclides da Cunha", que estreia no dia 3 de
agosto.
"O
título da peça é extraído da fala de Euclides quando foi à casa de Dilermando,
naquele fatídico dia, em 1909. Ele disse: 'Vim para matar ou morrer' e já
entrou atirando. Essa história sempre me chamou atenção. Dilermando, apontado
como assassino tantas vezes, nunca teve a intenção de matar. Euclides, sim,
saiu com esse objetivo. Mas, por ser membro da Academia Brasileira de Letras, a
imprensa ficou do lado dele. A história é muito rocambolesca. Euclides era um
homem que passava muito tempo fora, viajando. Nessas ausências, Anna, que se
sentia muito só, foi com os filhos para uma pensão onde conheceu Dilermando
que, na época, tinha 17 anos, e ali eles se apaixonaram. A peça é uma tentativa
de promover um encontro entre os dois 124 anos depois e buscar um pouco de
paz", explica Miriam.
No
espetáculo, uma juíza, interpretada por Maria Adélia, é tão obcecada por essa
história que acaba tornando-se mediadora desse reencontro fictício e turbulento
de Euclides e Dilermando, vividos, respectivamente, por Sávio Moll e Marcelo
Aquino, numa espécie de "limbo da existência".
"É
como se essa magistrada recebesse um chamado do Dilermando, para promover essa
reparação. Ela acaba sendo um pouco tendenciosa, mas está inteira ali, ouvindo.
A Dirce, filha do Dilermando, queria muito que o pai deixasse de ser chamado de
assassino. Ficou um estigma negativo. Mesmo depois de morto, Dilermando não
teve paz. Não aceitaram enterrá-lo no mesmo cemitério onde estavam os seus
pais", conta a atriz Maria Adélia.
Intérprete
de Dilermando, Marcelo Aquino conta sobre o desafio de interpretar esse
controverso personagem. "É incrível, apaixonante. Tenho pesquisado muito
sobre ele e acredito que foi uma grande vítima de toda a circunstância. Um
garoto de 17 anos, cujo erro foi se apaixonar por uma mulher casada. Defendo a
integridade dele, que se manteve ao lado da Anna apesar de toda a cobrança
social", reflete Aquino.
Para Sávio
Moll, que revive na peça o autor de "Os Sertões", Euclides tinha um
humor irascível e era bastante difícil de lidar. "É difícil você defender
uma pessoa que existiu e que tem um traço genial. Muitos geniais têm os seus
lados geniosos. Estou me surpreendendo muito com a potência do Euclides
artista. Ele nunca teve acesso a uma família acolhedora. Tinha 3 anos quando a
mãe morreu e o pai preferiu não ficar com ele, deu para a tia criar. Naquela
época da tragédia, adultério era crime. Hoje, não é mais, mas no comportamento
humano vemos reações semelhantes ainda", diz o ator.
Contudo,
neste novo embate proposto pela dramaturgia, toda a paixão, os ciúmes, as
ofensas, as muitas humilhações e a tragédia que atingiu esses personagens são
rebobinadas, em busca de um novo entendimento, para que ambos, tão atormentados
em vida, possam vislumbrar uma relação pacífica e sem mais rancores.
"É de
uma violência tão grande essa história, beira mesmo o absurdo. Achei
interessante trazer para a luz até porque estamos tentando mostrar no
espetáculo um paralelo entre o que aconteceu no século passado com a violência
comportamental que vemos ainda hoje. Afinal, quem está com a razão?",
instiga o diretor Ary Coslov.
Ficha
Técnica
“Matar
ou Morrer – Dilermando de Assis e Euclides da Cunha”
Texto:
Miriam Halfim
Direção: Ary
Coslov
Elenco:
Marcelo Aquino
Maria Adélia
Sávio Moll
Cenografia:
Marcos Flaskman
Figurino:
Wanderley Gomes
Iluminação:
Aurélio de Simoni
Programação
Visual: Isio Guelman
Assessoria
de Imprensa: Dobbsscarpa Assessoria de Comunicação
Assessoria
de Mídias Sociais: Rafael Gandra
Fotografia: Guga
Melgar
Visagismo: Maria
Adélia e Markus Costa
Cenotécnico: Sr. Humberto
e Humberto Junior
Operador
de luz: Marcelo de Simoni
Operador de som: Gabriel Lessa
Assistente de Direção: Luciano Pontes
Produção
Executiva: Osni Silva
Direção de Produção: Celso Lemos
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