De 16 de outubro de 2024, às 20h00; até 16 de outubro de 2024, às 21h00.
De 16 de outubro de 2024, às 20h00; até 16 de outubro de 2024, às 21h00.

Renata Carvalho
estuda corpos trans/travesti desde 2007 - mesmo ano do seu percebimento
travesti - com o seu trabalho como APV (agente de prevenção voluntária) em
ISTs, HIV/AIDS, hepatites e tuberculose - pela secretária municipal de saúde de
Santos - trabalhando com travestis e mulheres trans na prostituição por 11
anos. Inicialmente o estudo era mais voltado para o campo da saúde e política -
Carvalho é ativista dos direitos humanos e LGBTs, com foco nas pessoas trans e
travestis - aos poucos como artista passa a estudar e recolher histórias,
biografias, reportagens, artigos, publicações acadêmicas e produções artísticas
com a temática trans/travestis, assim como, temas interseccionais No teatro
desde 1996 - comemorando este ano 25 anos de carreira - Carvalho percebe que a
feminilidade do seu corpo dificultava sua presença nos palcos - fica dez anos
na direção.
Em 2012 estreia como atriz no solo “Dentro de mim mora outra” onde contava sua vida e travestilidade, esta é a primeira vez que a artista coloca seu corpo como objeto de pesquisa e passa a debatê-lo em cena, e isto, vai permear toda a sua produção artística - 2015 “Eu travesti”. Renata explica: “Em “A aula” Roland Roland Barthes nos ensina que a língua é facista, e não porque te impede de dizer, mas sim porque te obriga a dizer. É preciso trapacear a língua, e é isso que eu também pretendo. Em “Grande sertão veredas”, Riobaldo diz: “Muita coisa importante falta nome”. Então resolvi nomeá-las, e o mais importante, passei a me nomear.” A transpóloga nomeia seu estudo: "Transpologia" que denuncia a construção social, midiática, patológica, religiosa, criminal e hiper sexualizante que permeia o imaginário do senso-comum sobre pessoas trans/travestis.
Imagético construído com o auxílio das artes com suas narrativas viciadas, estereotipadas e cheias de arquétipos com conteúdo transfóbico em suas apresentações e representações, a transfobia recreativa e o corpo risível das pessoas trans/travesti na arte e no humor, e por fim, a prática do transfake que exclui corpos trans/travestis dos espaços de atuação e criação artística. Em março de 2017 Carvalho funda o MONART - Movimento Nacional de Artistas Trans, e dentro dele, o “Manifesto Representatividade Trans - Diga SIM ao talento trans”, que visa a representatividade, inclusão e permanência coletiva de artistas trans/travestis nos espaços artísticos, assim como, pedem uma pausa na prática do transfake. No mesmo ano funda o “Coletivo T", primeiro coletivo artístico formado integralmente por artistas trans. “Manifesto Transpofágico” é a continuidade desta pesquisa cênica. A transpofagia de Carvalho consiste em se alimentar das suas e dos seus - da sua transcestralidade - digere - as, devolvendo-as em arte, literatura e/ou educação - Carvalho é graduanda em Ciências Sociais. Neste manifesto Carvalho convida o público a olhar o seu corpo travesti, incansavelmente, e nos apresenta a historicidade dele: “Meu corpo veio antes de mim, sem eu pedir”. Assim como sua construção: “De certa forma, eu fiquei grávida de mim mesma.
Eu me pari”. O “Corpo Etapa” dos hormônios, silicone industrial e próteses mamárias. O punitivismo, o encarceramento em massa, a censura, a patologia, a AIDS, a diáspora e as violências e assassinatos aos corpos trans/travestis: “Eu não me descobri travesti, me gritaram”. Renata fala baixo, pausada e ao microfone para “acalmar os olhos e os ouvidos cisgêneros” ao verem ou ouvirem a palavra travesti, repetida e iluminada diversas vezes. e pergunta: “Alguém quer me tocar?”. “Manifesto Transpofágico” questiona como as pessoas enxergam o corpo travesti:”Por isso eu não preciso de rosto”. E explica: “Nós conhecemos as travestis recortadas, de cima do ônibus, a pé, de bicicleta, na moto ou no carro - ninguém chega perto ou conversa, porque somos perigosas - e é dessa fração de segundos que nossas imagens são formadas".
E mais, quais destas imagens cada um de nós ainda carregamos? O espetáculo é dividido em dois momentos: O primeiro momento é a apresentação do corpo travesti, suas historicidades, transcestralidade e as construções que rodeiam corpos trans/travestis. O segundo momento Carvalho está na plateia e propõe uma conversa com o público expondo questionamentos pessoais e temas como: cisgeneridade, passabilidade, terminologias, entre outros, são provocados pela atriz que sempre lembra: “Alguém tem alguma pergunta de qualquer ordem?
Classificação: 18 anos
Local: Theatro 4 de Setembro
Data do espetáculo: 16 de outubro | 20h
Ingresso solidário: 1kg de alimento não perecível
Ficha técnica
Dramaturgia e atuação: Renata Carvalho
Direção: Luiz Fernando Marques (Lubi)
Luz: Wagner Antônio
Video Art: Cecília Lucchesi
Operação e adaptação de luz: Juliana Augusta
Produção: Corpo Rastreado
Co-produção: Risco Festival, MITsp e Corpo Rastreado.
Difusão: Corpo a Fora e FarOFFa
O #JUNTAX é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do @institutoculturalvale , Secretaria de Estado da Cultura do Piauí - Secult (@cultura.pi )e do Governo do Estado do Piauí (@governodopiaui ).
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JUNTA - Festival Internacional de Dança
Dança e Contemporaneidade JUNTA X | 15 a 20 OUT | TERESINA [PI]
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