KAIRÓS
Uma bailarina e seis músicos constroem em cena um encontro entre corpo, música e poesia.
Piano, voz, guitarra flamenca, violino, violoncelo e percussão formam uma paisagem sonora onde a dança nasce da escuta e do diálogo entre diferentes universos musicais. A força ancestral do flamenco encontra a profundidade da música clássica, criando um território de descobertas, contrastes e novas possibilidades para o movimento.
O espetáculo se inspira na ideia de Kairós, o tempo do instante único, oportuno e criador. Em contraponto ao tempo cronológico, medido pela sequência dos acontecimentos, Kairós é o tempo da experimentação, da presença e da intensidade — o momento em que algo se revela e uma nova possibilidade de existência se abre.
É nesse tempo expandido que corpo, música e poesia se encontram. Um tempo em que o corpo escuta, a música respira e o gesto revela aquilo que existe além da palavra.
Em uma viagem sensorial pela intimidade do movimento, pela potência do som e pela força da poesia, cada instrumento revela uma voz, cada movimento carrega uma memória e cada silêncio abre espaço para uma nova percepção.
Em diálogo com a poesia de Clarice Lispector, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, Federico García Lorca e outros poetas, a obra investiga aquilo que existe entre o visível e o invisível: o mistério, a transformação e o instante em que diferentes linguagens se encontram para criar algo novo.
Kairós é uma experiência de escuta profunda, onde música, dança e poesia suspendem o tempo e revelam a arte como acontecimento.