Grande sertão: veredas no CCPJ – 70 Anos de Travessia: Celebrando do legado de Guimarães Rosa em trilogia teatral
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O projeto apresenta três recortes dramatúrgicos distintos, que podem ser vistos de forma independente ou conjunta e exploram diferentes aspectos da obra
Com direção de Amir Haddad e atuação de Gilson de Barros, a trilogia cênica celebra as sete décadas da obra-prima do renomado escritor mineiro.
O Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), em seu programa teatral Justiça em Cena, apresentará, no dia 22 de setembro, às 18h30min, o espetáculo O julgamento de Zé Bebelo, no Tribunal do Júri Histórico - Edifício Des. Caetano Pinto de Miranda Montenegro - 2º andar, Rua Dom Manuel, 29, Centro - RJ
A série de apresentações em 2026 exalta um dos maiores monumentos da literatura mundial, que ora completa 70 anos de publicação, o romance Grande sertão: veredas, do escritor mineiro João Guimarães Rosa. Para celebrar o marco literário, o projeto Grande sertão: veredas – 70 Anos de Travessia viabiliza uma ocupação artística e reflexiva, que conecta o sertão mineiro ao humano universal, com a trilogia teatral interpretada pelo ator Gilson de Barros (indicado ao Prêmio Shell) e dirigida pelo mestre Amir Haddad.
As peças que compõem a trilogia homenageiam e mergulham profundamente no romance que é considerado um dos mais importantes do Brasil, traduzido para diversos idiomas.
Compreendendo a trilogia: as veredas do universo de Guimarães
O projeto apresenta três recortes dramatúrgicos distintos, que podem ser vistos de forma independente ou conjunta e exploram diferentes aspectos da obra. O primeiro, intitulado Riobaldo, que se concentra nos relacionamentos amorosos presentes no romance, especialmente o vínculo entre Riobaldo e Diadorim, apresenta ao público um dos maiores momentos amorosos da literatura brasileira. Já o segundo espetáculo, No meio do redemunho, instiga os espectadores a participarem da dialética entre o bem e o mal, do confronte entre Deus e o diabo, nas reflexões do protagonista, Riobaldo, em meio a conflitos morais e psicológicos relacionados ao suposto pacto com o diabo, feito ou não em sua juventude. Finaliza a trilogia O julgamento de Zé Bebelo, que apresenta um panorama do sistema de jagunços, que reinou no sertão de Minas Gerais no final do século XIX e início do século XX.
Trajetória de sucesso com o Grande sertão em cena
Desde a concepção em 2015 e estreia em 2020, o projeto já percorreu importantes palcos brasileiros e internacionais. Vencedor, em São Paulo, do Prêmio Arcanjo de Cultura, o espetáculo reafirma a vitalidade de Guimarães Rosa, que transformou a "fala do povo" em uma experiência estética que emociona a todas as pessoas que assistem ao espetáculo.
Riobaldo foi indicado ao Prêmio Shell RJ/2023 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia). No mesmo ano, estreou No meio do redemunho, que aprofundou a investigação filosófica da obra do autor. Já em 2024, O julgamento de Zé Bebelo completou a trilogia, com estreia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, sendo o conjunto das três montagens reconhecido com o Prêmio Arcanjo Especial. No Brasil, a trilogia realizou 647 apresentações em 68 cidades, alcançando aproximadamente 14 mil espectadores. A circulação passou por diversos estados, incluindo São Paulo (capital e interior), Minas Gerais (Belo Horizonte e várias cidades do interior), Rio de Janeiro (capital e municípios como Macaé, Campos, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu e Valença), além de Brasília, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.
Na circulação internacional, foram realizados 10 espetáculos: 6 em Portugal – sendo 5 em Lisboa e 1 no Porto, com público aproximado de 600 espectadores – e 4 na Colômbia, em Bogotá, durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo), que alcançou cerca de 2 mil espectadores.
FICHA TÉCNICA:
Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa
Recorte, idealização e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Fotos: Renato Mangolin
Classificação etária: 16 anos
Duração: 70 minutos