Uma voz italiana, um violão brasileiro, um poema que passa de uma língua a outra. Há mais de sessenta anos, Itália e Brasil também se encontram assim, por meio de canções, traduções e músicos que reconheceram no outro país algo de familiar.
É dessa história que nasce Itália e Brasil. Um Diálogo Poético e Musical, encontro com Max De Tomassi no Istituto Italiano di Cultura do Rio de Janeiro. Um percurso por música e palavras, acompanhando uma relação cultural que se estende do fim dos anos 1950 até hoje.
Um dos momentos mais significativos dessa trajetória passa por Giuseppe Ungaretti e Vinicius de Moraes. Os dois poetas se conheceram no Brasil em 1937 e daquele encontro nasceu uma relação pessoal e literária que atravessaria os anos. Ungaretti traduziu alguns poemas de Vinicius e, muito tempo depois, essa proximidade também encontraria espaço na música. Em 1969, foi lançado A Vida, Meu Amigo, é a Arte do Encontro, com Sergio Endrigo e um repertório ligado também a Baden Powell e Antônio Carlos Jobim.
Naqueles mesmos anos, a bossa nova chegava à Itália e deixava uma marca profunda na canção autoral. Mudava a maneira de usar a voz, de construir a harmonia, de abrir espaço para as palavras. Ao mesmo tempo, a tradição melódica italiana continuava circulando pelo Brasil, entrando no repertório e no imaginário de muitos intérpretes.
As canções atravessavam o Atlântico nos dois sentidos. Eram traduzidas, adaptadas, reescritas. Em alguns casos, conservavam quase intacta a forma original. Em outros, tornavam-se outra coisa.
Max De Tomassi percorre essa história por meio de autores, discos e encontros que, ao longo do tempo, construíram um vínculo ainda vivo. Seu relato parte da música, mas revela algo mais amplo: a profundidade com que Itália e Brasil aprenderam a se reconhecer através de suas respectivas culturas.