O Zibaldone nasce sem um projeto editorial. Durante anos, Leopardi escreve em suas páginas, registra leituras, retoma as próprias ideias, corrige o que havia pensado. Antes de ser uma obra, é um espaço de trabalho.
A nova edição integral e comentada, publicada pela Quodlibet em 2026, parte justamente dessa natureza aberta do texto. Franco D’Intino e Luca Maccioni revisaram o Zibaldone a partir do manuscrito original, intervindo na organização dos pensamentos e preparando um aparato crítico que permite acompanhar com maior clareza as fontes, os acréscimos e as passagens de uma língua a outra.
É esse trabalho que está no centro de Uma nova edição do Zibaldone de Leopardi. Problemas de Tradução e Perspectivas Interculturais, encontro entre Franco D’Intino, professor da Sapienza Università di Roma, e Raphael Salomão Khede, professor associado de Língua e Literatura Italiana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Traduzir o Zibaldone implica enfrentar dificuldades muito específicas. O pensamento de Leopardi avança por associações, retomadas e mudanças bruscas de direção. Uma palavra pode ter um peso filosófico preciso e, poucas páginas adiante, adquirir outra nuance. D’Intino conhece bem esse problema: em 2013, organizou com Michael Caesar a primeira edição integral da obra em inglês.
O diálogo com Khede partirá desse ponto para chegar a alguns temas centrais do pensamento leopardiano. A teoria do prazer, a reflexão sobre os 'primitivos', a felicidade. Também a moda, observada por Leopardi como um dos sinais mais eloquentes da sociedade moderna.
O encontro integra a XXVI Semana da Língua Italiana no Mundo, dedicada ao tema Língua Genial: Idealizar, Projetar, Criar com o Italiano. A escolha recai sobre um texto no qual a língua é colocada à prova o tempo todo. Ela se forma à medida que o pensamento avança, muda com ele e, quando passa por uma tradução, exige a cada vez uma escolha.