“En(tupi)r: Jequitinhonha” reúne elementos da cultura popular e debate os impactos da mineração no Vale do Jequitinhonha.
O espetáculo “En(tupi)r: Jequitinhonha” com direção e dramaturgia de Bianca Freire atriz e cordelista do Vale do Jequitinhonha, nasceu da pesquisa e da criação coletiva de estudantes de Teatro, entitulado Grupo NaLama - Cecília Riviere, Victor Vergílio, Mayra Machado e Jullian Fernandes e conta com a presença das atrizes convidadas: Lia Cortejo e Maria Marta. A montagem convida à reflexão sobre temas como pertencimento territorial, preservação ambiental, valorização dos saberes populares, ancestralidade e protagonismo feminino. O espetáculo reúne teatro, poesia e música autoral executada ao vivo pelo cantador Seu Ribeiro, incorporados elementos da cultura popular para construir uma narrativa que olha para o Vale a partir de suas próprias vozes.
A montagem evoca figuras como Dona Alfonsina, Rita e Dorinha, personagens matriarcas que representam diferentes gerações e formas de existência, resistência e transmissão de saberes. Embora a narrativa esteja situada no Vale do Jequitinhonha, os conflitos apresentados extrapolam os limites geográficos da região. A tensão entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e permanência das comunidades tradicionais atravessa diferentes territórios mineiros e brasileiros, tornando o espetáculo um convite à reflexão sobre modelos de desenvolvimento, justiça socioambiental e direito à memória.
A montagem integra a trajetória do Grupo NaLama, coletivo formado por estudantes da UFMG dedicado à pesquisa em artes cênicas, dramaturgia e criação coletiva. Em 2026, o espetáculo foi selecionado para o 10º Festival de Teatro de Passos e Região, em Passos (MG), onde recebeu cinco indicações e conquistou o prêmio de Melhor Trilha Sonora. O grupo acaba de receber dez prêmios no Festival Nacional de Teatro de Ibiúna (SP), dentre eles: Melhor Direção, Melhor Espetáculo do Festival, Melhor Figurino, Melhor Espetáculo Categoria Alternativa, Melhor Iluminação, Melhor Caracterização, Melhor Sonoridade, Melhor Intérprete (Maria Marta), Intérprete Coadjuvante(Mayra Machado), Intérprete Coadjuvante (Jullian Fernandes). A montagem também integrou a programação do Festival de Artes Fanchas (FAFAN – 2ª edição), na Funarte MG, em Belo Horizonte, e do Festival de Teatro de Santa Luzia, em 2025.
Sinopse
A dramaturgia acompanha a trajetória da personagem Dorinha, jovem que retorna à sua cidade natal após um período fora e encontra seu território profundamente transformado pela exploração mineradora. Ao lado de personagens femininas marcantes, como Alfonsina, guardiã da tradicional festa do Boi, e Rita, a rezadeira, a narrativa evidencia a força das mulheres na preservação das tradições culturais e da memória coletiva. A obra articula elementos da cultura popular do Vale do Jequitinhonha, como a brincadeira do Boi, símbolo de resistência cultural e reconexão com o território e, também integra música autoral executada ao vivo na construção de sua linguagem cênica.
Serviço
Espetáculo: En(tupi)r: Jequitinhonha
Datas: 18 a 21 de setembro de 2026
Horários: 19h – sexta - feira; 16h30 – domingo, 19h - segunda - feira
Local: Galpão 4 da Funarte MG – Rua Januária, 68, Centro – Belo Horizonte/MG
Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia)
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: Livre
Ficha Técnica
Direção e Dramaturgia
Bianca Freire
Elenco
Cecília Riviere
Jullian Fernandes
Mayra Machado
Victor Vergílio
Lia Cortejo
Maria Marta
Trilha Sonora Original e Música ao Vivo
Seu Ribeiro
Produção Executiva
Victor Vergílio
Coordenação Geral
Cecília Riviere
Figurinos
Luiz Dias
Iluminação: Veec Santos
Preparação Vocal: Sofia Cupertino
Preparação Corporal: Sara Brito
Mascareira: Mariana Teixeira
Consultoria Boi de Janeiro: Marcus Vinícius
Sobre o Grupo NaLama
O Grupo de Teatro NaLama nasceu em 2024, dentro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a partir do encontro de estudantes do curso de Teatro interessados em pesquisa, criação coletiva e dramaturgias atravessadas pelo território. O grupo desenvolve trabalhos que articulam teatro, cultura popular, memória e questões sociais contemporâneas.
“En(tupi)r: Jequitinhonha” é a primeira produção do coletivo aliada a trajetória da atriz e cordelista Bianca Freire e nasce de uma pesquisa sobre o Vale do Jequitinhonha, seus modos de vida, suas tradições e as transformações provocadas pelos processos de exploração econômica do território. A montagem já circulou por diferentes festivais e espaços culturais de Minas Gerais e agora realizou sua estreia no interior de São Paulo, Ibiúna, ampliando o diálogo da pesquisa desenvolvida na universidade com públicos de outras cidades.