DANÇA EM TRÂNSITO 2026
Há mais de duas décadas promovendo encontros entre artistas, públicos e territórios, o Dança em Trânsito reafirma, em 2026, sua vocação para o intercâmbio, a formação e a circulação da dança contemporânea. Nesta edição, o festival amplia sua atuação internacional e apresenta um de seus projetos mais ambiciosos: o CENA BRASIL.
For more than two decades, Dança em Trânsito has been fostering connections among artists, audiences, and territories, and in 2026 it reaffirms its commitment to the exchange, development, and circulation of contemporary dance. In this edition, the festival expands its international reach and presents one of its most ambitious projects: CENA BRASIL
Paulo Caldas (Fortaleza, CE)
DERIVA 72 – 40min
Deriva 72 reúne a bailarina Carolina Wiehoff e o coreógrafo Paulo Caldas num solo por ela performado a partir de referências tomadas de um dos dramatículos de Samuel Beckett: a obra Not I, estreada em 1972.
A obra não se ocupa da encenação estrita da matriz beckettiana, mas desdobra dela estados do corpo e da cena. Não se trata de uma montagem de Not I. O corpo da performer – à maneira de várias figuras que frequentam a obra do escritor – é um corpo de pouca mobilidade: 55 anos (46 em dança), artroses avançadas, placa metálica no punho e próteses nos dois quadris configuram um corpo que procura outros modos de mover.
Este Deriva 72 – criado na zona de fronteira entre teatro e dança – propõe, portanto, uma investigação que, a partir de Not I, toma emprestados alguns elementos caros à dramaturgia beckettiana, que assumimos como eminentemente coreográficos: as intensidades, as rítmicas, as musicalidades, as espacialidades, as corporeidades instituídas segundo princípios de fragmentação, distorção e contenção.
"Deriva 72" brings together dancer Carolina Wiehoff and choreographer Paulo Caldas in a solo performance created from references drawn from one of Samuel Beckett’s dramaticules: "Not I", first premiered in 1972.
Rather than staging Beckett’s work in a strict or literal manner, the piece unfolds from it a series of bodily and scenic states. It is not a production of "Not I". The performer’s body—much like several figures that inhabit Beckett’s oeuvre—is a body of limited mobility: 55 years old (46 of them devoted to dance), advanced osteoarthritis, a metal plate in the wrist, and prostheses in both hips shape a body that seeks other ways of moving.
Created in the borderland between theatre and dance, "Deriva 72" proposes an investigation that, beginning with "Not I", borrows elements central to Beckett’s dramaturgy, which we understand as fundamentally choreographic: intensities, rhythms, musicalities, spatialities, and corporealities structured through principles of fragmentation, distortion, and restraint.
FICHA TÉCNICA
Concepção/Direção Coreográfica/Dramaturgia: Paulo Caldas
Performance / Pesquisa de Movimento: Carolina Wiehoff
Iluminação, Videografismo e Trilha Sonora (pesquisa e mixagem): Paulo Caldas
TECHNICAL CREDITS
Concept / Choreographic Direction / Dramaturgy: Paulo Caldas
Performance / Movement Research: Carolina Wiehoff
Lighting, Video Design and Soundtrack (Research and Mixing): Paulo Caldas
Fábio Costa e Lu Lanza (Belo Horizonte / Colômbia)
ANTRÓPODES – 40min
Em ANTRÓPODES, um casal volta para casa após um dia normal e cansativo de trabalho. Suas rotinas domésticas aparentemente monótonas descobrem camadas profundas onde as pessoas e o espaço que habitam se fundem. Amálgama de emoções e confinamento, de carne e objetos. Eles e o lugar que habitam são um só, indivisíveis, próteses corporais feitas de casas, próteses caseiras feitas de corpos. Podemos ser um inseto contemplando o mundo ou uma nuvem chorando em casa. Sob direção geral de Vladimir Rodriguez, em estreita colaboração com os bailarinos Luciana Lanza e Fábio Costa, o espetáculo nasceu graças ao Fundo de Ajuda às Artes Cênicas Iberescena, num encontro entre Brasil e Colômbia.
In ANTROPODES, a couple returns home after a long and ordinary day of work. Their seemingly monotonous domestic routines gradually reveal deeper layers where the individuals and the space they inhabit merge into one another. An amalgam of emotions and confinement, flesh and objects. They and the place they inhabit become one and indivisible: bodily prostheses made of houses, domestic prostheses made of bodies. We may be an insect contemplating the world, or a cloud weeping at home.
Directed by Vladimir Rodríguez and created in close collaboration with dancers Luciana Lanza and Fábio Costa, the work was developed with the support of the Iberescena Performing Arts Fund, emerging from an artistic exchange between Brazil and Colombia.
FICHA TÉCNICA
Direção Geral - Vladimir Rodríguez
Interpretação e cocriação - Luciana Lanza e Fábio Costa
TECHNICAL CREDITS
General Direction: Vladimir Rodríguez
Performance and Co-creation: Luciana Lanza and Fábio Costa