Preservar a memória perde o sentido se não garantirmos um planeta habitável. Para tirar a sustentabilidade do discurso e levá-la à ação, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) convida quem faz a cultura acontecer para uma simulação direta e provocadora.
Em parceria com o Instituto Brasileiro de ESG (IBESG) e o Programa Conexões Museus do Sistema Estadual de Museus (PCM/SISEM-SP), o MCI sedia o Jogo dos ODS 2030. A dinâmica interativa e multijogador coloca os participantes para tomar decisões que afetam os rumos do planeta até o final da década. Sem exigir conhecimento técnico prévio, a simulação exige negociação: cada carta jogada afeta a economia, o meio ambiente e a sociedade de forma imediata.
Discutir as metas da ONU passa obrigatoriamente pela realidade e pelas lutas indígenas. Demarcar terras, barrar a exploração predatória e respeitar o conhecimento ancestral são barreiras reais e urgentes contra o colapso climático. A oficina desafia profissionais de museus — educadores, gestores, curadores, produtores, programadores e articuladores — a enxergar as consequências sistêmicas de suas escolhas e a posicionar suas instituições como aliadas ativas na defesa do meio ambiente.
A atividade será conduzida por Milena Rosa, nomeada Pioneira dos ODS pelo Pacto Global da ONU, com ampla experiência na facilitação desta metodologia global para a criação de redes de cooperação. Ela desafia profissionais do setor cultural a utilizarem seus espaços e acervos como ferramentas vivas de conscientização, posicionando os museus na defesa inegociável do planeta e dos direitos dos povos indígenas.
Sobre Milena Rosa
Reconhecida pelo Pacto Global da ONU como SDG Pioneer, atua na linha de frente da transformação socioambiental, conectando gestão estratégica, responsabilidade social e defesa ativa do meio ambiente. Liderança Global de ESG em uma multinacional francesa, é uma das poucas facilitadoras no mundo credenciadas para conduzir o Jogo dos ODS 2030, experiência que traduz metas globais de sustentabilidade em escolhas práticas e decisões de impacto real. Premiada por sua atuação em governança e justiça ambiental, integra o conselho de instituições como Enactus, Afesu e Instituto FESA Chroma, além de ser associada ao Instituto Brasileiro de ESG (IBESG) e embaixadora de redes ligadas à autonomia feminina na energia e nas ciências. Sua trajetória é pautada pela urgência de encarar a proteção da biodiversidade, o combate ao colapso climático e o respeito aos territórios originários como compromissos concretos que devem atravessar todas as esferas da sociedade.
Sobre o Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP)
Há quatro décadas, o SISEM-SP atua na linha de frente da política museológica paulista, articulando instituições e fortalecendo a gestão cultural em todo o estado. Vinculado à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo (SCEIC-SP) e mantido pela Fundação Energia e Saneamento (FES), o sistema opera por meio de parcerias regionais e cooperação direta para garantir a proteção, a pesquisa e a difusão do patrimônio histórico a partir das demandas reais de cada município.
Sobre o Programa Conexões Museus (PCM)
O Programa Conexões Museus (PCM), também conhecido como Programa Conexões Museus SP, é uma iniciativa do Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP) criada para descentralizar o conhecimento e aproximar as equipes dos equipamentos culturais de São Paulo, o programa atua em três frentes:
- Formação contínua: cursos, oficinas e encontros gratuitos voltados ao aperfeiçoamento de estudantes e profissionais do setor.
- Troca de experiências: intercâmbio direto de práticas de gestão, pesquisas e soluções institucionais entre diferentes regiões do estado.
- Articulação técnica: suporte técnico e construção de redes temáticas de cooperação entre museus e projetos locais.
Sobre o Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Nasceu com o propósito de articular, pesquisar e comunicar as histórias de resistência e a produção intelectual, artística e tecnológica dos povos originários. Mais do que um espaço de guarda, o MCI consolida-se como uma instituição museológica dialógica e participativa, onde a memória da ancestralidade permite o compartilhamento de saberes, filosofias e artes. Inaugurado em 2022, o museu é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), rompendo paradigmas através de uma gestão compartilhada com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim. Este modelo garante o protagonismo direto de representantes dos povos Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal, transformando o museu em um espaço pulsante de troca e salvaguarda.
Sobre o Conselho Indígena Aty Mirim
Instância responsável pela construção de mecanismos de escuta, consulta e formulação de uma agenda propositiva, comprometida com os direitos originários e com a consolidação da co-gestão indígena do MCI. Sua atuação abrange projetos cosmopolíticos nas áreas de educação, memória, patrimônio e artes, sempre em consonância com as lutas e a diversidade dos povos indígenas. O grupo é composto por representantes de diversas etnias - Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal - que trazem o contexto de diferentes territórios do Estado de São Paulo:
- Grande São Paulo: Comunidade Pankararu do Real Parque, Terra Indígena Jaraguá (Tekoas Pyau, Itakupe, Itawerá, Ytu e Yvy Porã) e Terra Indígena Tenondé Porã, na capital; e Reserva Indígena - Aldeia Multiétnica Filhos Desta Terra (Guarulhos);
- Litoral Norte: Aldeia Rio Bonito e Terra Indígena Renascer (Ubatuba); e Tekoa Rio Silveira (Bertioga/São Sebastião);
- Litoral Sul: Aldeia Nhamandu Oua (Itanhaém); Aldeia Nhanderu Pó - Terra Indígena Aguapeú (Mongaguá); e Aldeia Tapirema - Terra Indígena Piaçaguera e Terra Indígena Bananal (Peruíbe);
- Oeste e Sudoeste Paulista: Terra Indígena Araribá (Aldeias Ekeruá, Kopenoti, Nimuendaju e Tereguá); Terra Indígena Icatu (Braúna); e Terra Indígena Vanuíre (Arco-Íris); e
- Vale do Ribeira: Aldeia Itapu Mirim (Registro); Aldeia Itapuã (Iguape); e Tekoa Takuari (Eldorado).
Sobre o Instituto Maracá
Fundado em 2017, é uma organização da sociedade civil que atua como ponte entre os saberes originários e a sociedade não-indígena. Sua inspiração vem dos maracás - instrumentos sagrados de cabaça e sementes que conectam os povos ameríndios ao mundo espiritual. Com esse mesmo propósito de transmissão, o Instituto busca as melhores linguagens para ecoar as mensagens e conhecimentos tradicionais, dedicando-se à proteção e difusão do patrimônio histórico, ambiental e cultural dos povos originários.