28 set - 2026 • 19:00 > 28 set - 2026 • 21:30
28 set - 2026 • 19:00 > 28 set - 2026 • 21:30
A sua casa continua de pé. As pessoas saem para trabalhar. As lojas abrem. Os governos publicam novas decisões e os jornais continuam discutindo a crise do dia.
Não houve uma explosão, uma invasão definitiva ou um anúncio informando que a civilização chegou ao fim.
Algumas coisas, porém, já não funcionam como antes.
Serviços se tornam menos confiáveis. Certos produtos ficam mais difíceis de encontrar. Instituições perdem a capacidade de solucionar problemas. Famílias partem em busca de lugares mais seguros. Aquilo que antes parecia excepcional começa lentamente a fazer parte da rotina.
Em que momento você perceberia que não está atravessando apenas mais uma crise?
Como seria possível saber que o mundo no qual você nasceu está desaparecendo — se a vida continua acontecendo todos os dias?
Talvez o aspecto mais perturbador dos grandes colapsos históricos seja justamente este: quem viveu dentro deles não possuía um livro de História explicando o que estava acontecendo.
Uma pessoa que atravessou a fragmentação do Império Romano do Ocidente não sabia que os historiadores utilizariam o ano de 476 como marco para o fim de uma época. Ela experimentava acontecimentos muito mais concretos: mudanças no governo, guerras, cobranças, deslocamentos, dificuldades de abastecimento ou o desaparecimento gradual de estruturas que antes organizavam sua vida. Essas transformações não ocorreram da mesma maneira nem no mesmo momento em todos os territórios.
Da mesma forma, aquilo que chamamos de “colapso maia” não foi o desaparecimento do povo maia. Em partes das terras baixas, centros políticos foram abandonados, populações diminuíram e tradições dinásticas e monumentais foram interrompidas. Enquanto determinadas estruturas entravam em colapso, pessoas sobreviveram, migraram e construíram novas formas de organização.
Para um governante que perdia seu palácio, aquele poderia ser o fim de um mundo.
E para alguém que permanecia no mesmo lugar, cultivava o mesmo campo e continuava repetindo atividades cotidianas enquanto toda a estrutura política ao seu redor se transformava?
Essa será a pergunta central do segundo Círculo Barbarussa.
Não investigaremos por que sociedades do passado entraram em colapso. Tentaremos compreender como essas transformações foram experimentadas pelas pessoas que viveram dentro delas.
Elas perceberam que atravessavam um acontecimento histórico?
Interpretaram aquelas mudanças como passageiras?
Acreditaram que a ordem antiga seria restaurada?
Ou apenas adaptaram suas vidas, um problema de cada vez, sem saber que os historiadores do futuro colocariam todos aqueles acontecimentos dentro de uma mesma narrativa de queda?
Uma definição construída por historiadores e arqueólogos não corresponde necessariamente à experiência de quem atravessou o processo.
As pessoas não vivem dentro de conceitos como “civilização”, “Antiguidade Tardia” ou “Colapso da Idade do Bronze”.
Elas vivem em casas, famílias, aldeias e cidades. Dependem de redes de parentesco, trabalho, comércio, proteção e abastecimento. Um colapso é sentido quando alguma parte concreta dessa vida deixa de funcionar: quando falta comida, quando aumenta o risco de violência, quando é necessário abandonar uma comunidade ou quando as instituições já não conseguem oferecer respostas.
Por isso, talvez uma sociedade possa estar se transformando profundamente antes que seus habitantes consigam enxergar o processo como um todo.
Talvez o colapso só ganhe um nome muito tempo depois.
O encontro não partirá da conclusão de que a nossa sociedade já esteja colapsando.
Também não oferecerá uma profecia, uma data para o fim do mundo ou uma lista de sinais inevitáveis.
A História não é um instrumento capaz de prever automaticamente o futuro.
Existem estudos que procuram identificar sinais de perda de resiliência antes de grandes mudanças em sistemas complexos e até em populações humanas do passado. Mas reconhecer retrospectivamente um processo histórico é muito diferente de prever com segurança o futuro de uma sociedade global.
O que faremos será mais cuidadoso — e talvez mais inquietante.
Utilizaremos as sociedades do passado para construir perguntas sobre o nosso próprio cotidiano:
Quando uma dificuldade deixa de ser temporária e se transforma em uma nova realidade?
Podemos nos acostumar com a deterioração gradual das instituições?
Uma sociedade pode continuar funcionando o suficiente para que seus habitantes não percebam tudo aquilo que já perderam?
O colapso seria uma experiência simultânea para todos ou começaria muito antes para os grupos mais vulneráveis?
O que está incluído no ingresso
O ingresso dá acesso a:
Para preservar a espontaneidade e a intimidade da sala, a conversa final com os participantes não será incluída na gravação.
Para quem é o encontro?
O Círculo é indicado para:
Você não precisa possuir conhecimento prévio sobre o assunto.
Traga alguma coisa para beber, papel para anotar e uma pergunta para colocar no Círculo!
Por que apenas 75 lugares?
Serão disponibilizados 75 lugares por sessão.
Essa escala permite que eu acompanhe o chat, incorpore perguntas à explicação, conheça os interesses dos participantes e que todo mundo possa participar ativamente.
Ao reservar seu lugar, também contribui para que o projeto possa continuar produzindo conhecimento com mais recursos, continuidade e independência.
O suficiente para sustentar o projeto.
Poucos o bastante para continuarmos em uma mesma conversa.
Recomendamos entrar na sala com aproximadamente dez minutos de antecedência e utilizar uma conexão estável. Você poderá acompanhar o encontro pelo computador, tablet ou celular.
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
Saiba mais sobre o cancelamentoVocê poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.
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João Pedro Rangel Diniz
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