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Circulação Estadual: Soledad - a terra é fogo sob nossos pés

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Circulação Estadual: Soledad - a terra é fogo sob nossos pés

12 mar - 2022 • 19:00 > 13 mar - 2022 • 18:00

Evento presencial em Teatro Hermilo Borba, Recife - PE
Evento encerrado

Circulação Estadual: Soledad - a terra é fogo sob nossos pés

12 mar - 2022 • 19:00 > 13 mar - 2022 • 18:00

Evento presencial em Teatro Hermilo Borba, Recife - PE
Evento encerrado

Descrição do evento

Era início de 2015. A conjuntura sócio-política brasileira já dava sinais de que tempos ainda mais conturbados estavam por vir. Uma agenda baseada na intolerância, retirada de direitos e perseguição à liberdade artística voltava a ser adotada no país. Foi em meio a esse contexto, 42 anos depois da morte da paraguaia Soledad Barrett Viedma, assassinada pelo regime militar brasileiro, em 1973, na Região Metropolitana do Recife, que surgiu o espetáculo Soledad – a terra é fogo sob nossos pés.

Sete anos depois de sua estreia e algumas circulações pelo Brasil e o mundo, passando por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Montevideo (Uruguai), Assunção (Paraguai) e Havana (Cuba), a produção já tem data definida para seu retorno aos palcos. Em mais uma circulação, dessa vez estadual, o público poderá conferir o espetáculo nos dias 12 e 13/03, no Teatro Hermilo Borba Filho (Recife); dia 18/03, no Centro de Formação Paulo Freire (Assentamento Normandia – Caruaru); dia 19/03, na Casa de Sementes Mãe Zenilda (Aldeia Xukuru – Pesqueira); e no dia 20/03, no Sesc de Arcoverde. Complementando a programação, mais ainda sem data fixada em decorrência da pandemia, a Ilha de Fernando de Noronha encerra o roteiro.     

Sol”, como era conhecida entre os mais próximos, teve sua história desenhada em meio ao engajamento político de sua família. Seu Avô, o renomado jornalista e escritor espanhol, Rafael Barrett, foi uma grande inspiração ideológica para ela. Quando nasceu, seus pais e irmãos mais velhos já eram militantes e dedicavam suas vidas quase que integralmente à luta contra ditaduras em toda a América Latina. Os exílios políticos fizeram parte da sua vida desde muito nova, com menos de um ano idade enfrentou o seu primeiro, na Argentina. Aos 17 anos, em mais um exílio, dessa vez no Uruguai, Soledad foi sequestrada por um grupo neonazista e teve suas duas pernas marcadas com a suástica, através de uma navalha. Ela negou-se a gritar palavras em saudação a Hitler e por isso sofreu essa brutal violência.
 
Com isso, ao invés de se intimidar, Soledad passou a se dedicar ainda mais a militância. Imediatamente foi para Moscou estudar teorias comunistas. Depois de um ano, foi novamente para a Argentina e em seguida para Cuba, onde treinou táticas de guerrilha antes de vir para o Brasil e ser entregue à morte pelo seu então companheiro, conhecido por todos como Daniel, mas que, na verdade, era o Cabo Anselmo - o infiltrado dos órgãos de repressão mais conhecido do país. Sozinho, ele levou à morte aproximadamente metade de todos os mortos e desaparecidos políticos contabilizados pela ditadura brasileira. O fato de Soledad estar grávida dele não foi suficiente para sensibilizá-lo. 

A dramaturgia do espetáculo surge a partir da cronologia da personagem, alcançada através de pesquisas de campo, músicas da época, poesias (muitas de ex-presos políticos), cartas, entrevistas sistemáticas, acesso a documentos e o contato com familiares – especialmente as parceiras do projeto, Ñasaindy e Ivich Barrett (filha e neta de Soledad, respectivamente). Vale ressaltar que Ñasaindy, inclusive, além de ter contribuído para esse processo de pesquisa, ainda assina a identidade visual do projeto, cedeu uma de suas composições para a trilha sonora do espetáculo e integra, como debatedora fixa, a equipe base de circulação da obra. Após o término de todas as apresentações a produção realiza debates, geralmente com temas que envolvam o ativismo artístico encampado pelo grupo.
A peça é encenada pela atriz pernambucana e idealizadora do projeto, Hilda Torres. A direção é da atriz e diretora que nasceu na Argentina, mas foi ainda pequena para São Paulo, Malú Bazán. As duas são responsáveis pela construção da dramaturgia, que toma fôlego a partir de uma costura entre diversos instrumentos de pesquisa e obras poéticas, que datam de 1904 até a contemporaneidade. 
Com duração de 60 minutos, o solo desloca o espectador pra uma época aparentemente conhecida, mas pouco entendida e ao mesmo tempo levanta questões da atualidade, proporcionando um espaço de reflexão, provocação e possibilidades, sobretudo nos dias atuais. Trata-se de uma narrativa que traça um ousado “diálogo” entre o passado e o presente, nos levando a perceber que as coisas não mudaram tanto assim. 


Palavras da diretora:

“O trabalho partiu da inquietação e do desejo da atriz Hilda Torres em contar essa história. E o projeto contou, desde o início, com a ajuda de muitas pessoas: ex-prisioneiros políticos, militantes da época que tiveram contato com Soledad, ou não, além de parentes e compatriotas paraguaios. Também recebeu o apoio de militantes contemporâneos, que entenderam a relevância do projeto como contribuição importante para diversas lutas sociais, como as de gênero, direitos humanos e a do entendimento da arte como instrumento de formação e empoderamento sociopolítico e cultural. Um espaço de reflexão, provocação e possibilidades.” 

Palavras da atriz:

“Falar sobre Soledad é traçar um caminho de poesia onde a dor e a alegria estão juntas, seguindo em marcha para erguer ideais libertadores. Falar sobre “Sol” é falar de um pedaço de todos nós, que nos impulsiona diariamente a enfrentar, resistir, sem nunca abrir mão do brilho nos olhos ao imaginar um mundo melhor, com direitos iguais para todos e todas, na compreensão das nossas diferenças.” 

Sobre a atriz:

Hilda Torres é atriz e psicóloga. Com 25 anos de carreira, Hilda atua no teatro e com experiências pontuais em televisão e cinema. Atuou em peças como “Essa febre que não passa”- Dir. André Brasileiro e Marcondes Lima e “Autônomas”- Dir. Jorge Clésio. Na televisão, atuou na minissérie “A pedra do reino”. No cinema, seus últimos trabalhos foram “A felicidade não é deste mundo” e “Ursos camaradas”. “Soledad – a terra é fogo sob nossos pés” é o seu primeiro monólogo. Hilda foi premiada como melhor atriz do teatro pernambucano em 2016, escolhida pela Associação dos Produtores de Teatro de Pernambuco - APACEPE.

CONTATO: 
Áurea Luna: (Produtora) – (81) 99979.8128 (Tim)
Márcio Santos (Produtor) – (81) 99697.6060 (Tim) 
Hilda Torres (Atriz) – (81) 99662.5333 (Tim)

Política do evento

Edição de participantes

Você poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.

Saiba como editar participantes

Local

Teatro Hermilo Borba

Cais do Apolo, 142 Recife

Recife, PE

Termos e políticas

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Hilda Torres

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