11 set - 2026 • 20:00 > 25 set - 2026 • 21:00
11 set - 2026 • 20:00 > 25 set - 2026 • 21:00
Em 2 de outubro de 1992, um silêncio atípico tomou conta do Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo. O que se seguiu foi o maior massacre da história do sistema prisional brasileiro, resultando na morte de 111 homens pelas mãos do braço armado do Estado. Inspirado livremente nestas histórias trágicas e reais, o novo espetáculo da Cia Arabesco de Teatro, Cia VIRA VIRA e Cia Até mergulham nas entranhas de um "Palácio Modelo" que foi projetado para abrigar 3.200 homens, mas que sufocava mais de 7.200 vidas em meio ao abandono e à superlotação.
A obra se constrói através de um coro visceral de vozes silenciadas. Apresentam-se fragmentos de vidas que colidem no labirinto carcerário: o jovem periférico engolido injustamente pelo sistema, a agonia desesperadora da abstinência nas celas escuras, a frieza dos que cresceram imersos na brutalidade e o pavor constante dos homens marcados para morrer no temido setor "Amarelo". Em paralelo ao confinamento, a peça ecoa o grito de desespero e resistência das mães, mulheres que têm seus filhos arrancados de seus braços e são forçadas a carregar o cruel estigma de "reprodutoras de bandidos", clamando por humanidade do lado de fora das grades.
Combinando uma encenação visceral e caráter documental, a dramaturgia nos transporta para o convívio claustrofóbico das celas: a solidão do confinamento, a epidemia do HIV e da tuberculose, a fuga através do vício e os rígidos códigos de honra e convivência ditados pelos próprios detentos. Quando uma rebelião explode no pavilhão às vésperas de uma turbulenta eleição municipal, o palco deixa de ser apenas uma representação e se transforma em um rito de memória. "Carandiru" é uma denúncia contra o esquecimento e um questionamento direto ao público: até onde o Estado pode matar em nome da ordem?
Sobre o Massacre:
Mais de 30 anos após o ocorrido, o Massacre do Carandiru continua sendo uma ferida aberta na história dos direitos humanos no Brasil. Naquela tarde, após uma briga entre detentos, a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu o pavilhão e disparou milhares de tiros, sem que houvesse o registro de nenhum policial morto. Historicamente, os processos judiciais se arrastaram por décadas; 74 policiais chegaram a ser condenados em instâncias inferiores (com penas que passavam dos 600 anos), mas uma série de anulações, revisões judiciais e perdões de pena mantiveram a impunidade como a marca principal dessa tragédia. O espetáculo relembra que, por trás das manchetes, existiam nomes, famílias e vidas interrompidas.
Ficha Técnica:
Texto: Alan Paes
Encenação: Alan Paes
Sonoplastia: Alan Paes
Iluminação: Jaque Nunes
Elenco: Alice Maranhão, André Santt, Beatriz Ben Geneva, Bianca Santos, Gustavo Serejo, Henrique Baeza, Ike Storni, Isac Lemus, Katellyn Mendonça, Lina Paulino Lucas Dias, Sophia Alves, Thiago Calixto, Thiago Pretto, Vera Freitas.
Ingressos:
R$ 30,00 (trinta reais)
Serviço:
Sexta 11/09/2026 às 20:00;
Domingo 13/09/2026 às 16:00 e
Sexta 25/09/2026 às 20:00.
ETA- Estúdio de Treinamento Artístico e as Cias em formação Arabesco e Vira Vira apresentam CARANDIRU - Espetáculo de conclusão do Módulo 3
Ação para arrecadação de fundos da turma M4, sábado manhã, das cias Arabesco, Vira Vira e ATÉ
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Saiba como editar participantesRua Major Diogo, 547, Teatro do ETA , Bela Vista
São Paulo, SP
Cia Arabesco
Um grupo de atores em formação pelo que se uniu para criar, experimentar e dar vida à muitas histórias no palco. Nosso nome vem do movimento, do detalhe, do entrelaçamento, mas essa história a gente te conta em breve… Sejam bem-vindes a essa jornada que só está começando
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