13 set - 2025 • 19:00 > 13 set - 2025 • 21:30
13 set - 2025 • 19:00 > 13 set - 2025 • 21:30
Espetáculo no Theatro Homerinho - Maceió-AL
Dia 13 de setembro de 2025
Às 19h
O espetáculo Cadáveres mergulha
nos bastidores de uma sociedade tomada pela desinformação, pelo negacionismo e
pela manipulação das narrativas políticas e midiáticas. Ambientada em uma
cidadela fictícia — mas perturbadoramente familiar — onde impera a “mitologia
da informação”, a peça acompanha a trajetória de Darci, um homem desempregado
que se submete a trabalhar na casa de Átila Eduardo, figura simbólica do poder
autoritário, da elite conservadora e do discurso negacionista. Ao seu lado, não
há uma personagem convencional: a plateia assume o lugar de Mariel, sendo
posicionada como observadora e interlocutora direta da narrativa. A partir
desse deslocamento, o público é constantemente desafiado a sair da passividade,
sendo interpelado e tensionado pela cena, como testemunha e cúmplice da
tragédia coletiva.
Inspirada nos processos estéticos
e poéticos de Bertolt Brecht e nas estratégias do Teatro do Absurdo, a obra
rompe com a ilusão cênica tradicional, recusando o realismo psicológico para
adotar um teatro de distanciamento, denúncia e estranhamento. Os personagens
não são apenas indivíduos, mas arquétipos sociais que representam forças
ideológicas, econômicas e morais. O texto carrega marcas de ironia, contradição
e grotesco, fazendo uso de recursos como quebras da quarta parede, comentários
diretos ao público, e cenas que oscilam entre a crueza documental e o absurdo
trágico da realidade brasileira.
Ao centro da narrativa está
Antena, um jornalista oportunista que muda seu discurso conforme a audiência:
antes defensor do negacionismo e da desinformação, ele transforma a dor popular
em espetáculo rentável. Seu cinismo revela a perversidade do sistema que
transforma cadáveres em cliques, sofrimento em lucro, e verdade em mercadoria.
Cadáveres não é apenas um
espetáculo teatral, mas um chamado à reflexão política e à ação crítica. A
dramaturgia nasce da urgência de dar voz à memória silenciada das vítimas da
pandemia, da fome, do abandono estatal e do genocídio negligenciado. Ao
transformar o público em parte da cena e ao lançar mão das ferramentas
brechtianas e absurdistas, a peça não oferece conforto — oferece confronto.
Ao final, a obra se ergue como
manifesto: pelos nossos mortos, nenhum minuto de silêncio — uma vida inteira de
luta.
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Saiba como editar participantesRua Sá e Albuquerque, 450 Jaraguá
Maceió, AL
Neto Portela
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