Durante o trabalho docente nos anos finais do Ensino Fundamental, os conteúdos geográficos acerca das temáticas físico-naturais sempre me chamaram atenção, principalmente os que tratam do domínio morfoclimático do Cerrado. Para se trabalhar tais conteúdos, sempre optei pela utilização de mapas temáticos, principalmente com intuito de ensinar a localização do Cerrado, a distribuição dos diferentes componentes físico-naturais e ao correlacionar diferentes mapas como o climático, de vegetação e o físico. A intenção era de mostrar para os alunos que esses componentes estão interligados. Associado a esse cenário, temos os livros didáticos, que podem ser a fonte desses mapas, mesmo que estejam distribuídos em diferentes unidade e capítulos. Esses, além de exercerem papéis de fonte de pesquisa e apoio ao trabalho docente, ainda fazem parte de um contexto mercadológico, político e ideológico, o que interfere diretamente na estrutura e nos conteúdos presentes. Nesse sentido, algo que sempre chamou atenção nos livros, foi a insistência nas representações imagéticas do Cerrado, utilizando quase sempre uma única formação fitofisionomica, a Savânica, o que acaba reforçando muitos discursos sobre a vegetação do Cerrado, além de trazer representações cartográficas pouco expressivas e nem sempre interligadas aos textos. Assim, a pesquisa teve o intuito de compreender como a linguagem cartográfica pode exercer o papel de mediador acerca dos conteúdos geográficos referentes as temáticas do Cerrado. Nos respaldamos na pesquisa documental, por meio da análise dos livros didáticos das coleções “Expedições Geográficas”, aprovadas nos PNLD 2017 e 2020 dos anos finais do Ensino Fundamental, aos documentos curriculares nacionais, estaduais e municipais, que são os principais orientadores dos livros, especificamente o nacional. Da década de 1990 até o ano de 2018 tínhamos os Parâmetros Curriculares Nacionais e a partir de 2018 a Base Nacional Comum Curricular entrou em vigor. Os documentos curriculares estaduais e municipais tiveram que se adaptar, assim como os livros didáticos, mas ainda não percebemos essa modificação em relação aos conteúdos nos livros. Nesse contexto, percebemos a importância do processo formativo do docente, pois, diante de “falhas”, o conhecimento adquirido na formação entra como um aporte na superação dessas. Por esse motivo, investigamos também os Projeto Político dos Cursos de licenciatura em Geografia, buscando, principalmente, a compreensão de como a Cartografia entra na perspectiva de linguagem, no processo formativo docente, fazendo a ponte entre Geografia Acadêmica e Geografia Escolar. Todavia, o que ficou expresso é que a linguagem cartográfica, assim como a Cartografia Escolar, ainda é pouco trabalhada nos cursos de licenciatura, mas que em disciplinas como Metodologia de Ensino de Geografia essa linguagem chega a ser um dos conteúdos, o que não deixa de ser relevante.