Esta pesquisa foi realizada no trecho do rio Araguaia, abrangendo o curso principal do rio entre as cidades de Itacaiú, Aruanã e Cocalinho, com o objetivo de analisar as mudanças na dinâmica e morfologia do canal em um período de nove anos, a partir de dados de sensoriamento remoto e de acordo com a metodologia de Morais (2002). Morais realizou uma extensa pesquisa no ano de 2002, em sua dissertação de mestrado, com o objetivo de quantificar e avaliar as alterações morfológicas no rio Araguaia, nas décadas de 1960 e 1990. Nessa pesquisa ele propôs a análise de atributos e feições encontradas ao longo do rio para mapear e identificar as alterações no rio que ocorreram ao longo do referido período. Uma das formas que Morais encontrou para analisar as alterações foi a utilização de materiais cartográficos e imagens de satélite para mapear os componentes da dinâmica fluvial, posteriormente definidos como variáveis ambientais morfométricas e morfológicas, processos ativos erosivos e sedimentares, de forma a diagnosticar, por meio de índices, as relações entre o balanço erosivo/sedimentar no trecho selecionado. Segundo Morais, os resultados dessas análises oferecem um diagnóstico do comportamento do rio por meio de equações matemáticas que possibilitam avaliar a intensidade e a predominância desses processos no canal, mas em uma análise mais aprofundada percebeu-se que a metodologia proposta por Morais alcança resultados muito além do esperado. Porém, as pesquisas realizadas utilizando seu método praticamente se encerraram após a sua morte em 2012, gerando um período de aproximadamente 22 anos sem dados das alterações morfológicas do rio que pudessem ser utilizados para comparar aos dados obtidos por ele e estabelecer um panorama histórico do estado de “saúde” do rio Araguaia. Dessa forma, foi proposta a continuação da aplicação de seu método em um trecho do rio Araguaia definido como segmento 5, pois é o segmento que margeia a cidade de Aruanã, onde atualmente foram identificadas intensas alterações no canal principal, a implementação do porto de cargas sendo uma atividade que gera muitos impactos na morfologia do rio, e por ser um trecho onde já foram realizadas outras pesquisas do autor. Para a realização desta pesquisa foram utilizadas imagens de satélite obtidas nos anos de 2010 a 2019, seguindo os rigores cartográficos de forma a criar um retrospecto temporal com os dados de Morais e realizar a Reambulação Cartográfica dos dados obtidos a partir do Sensoriamento Remoto. Mas a pesquisa não parou nessas análises. Com ela foi possível determinar uma Relação de Equilíbrio do rio, que em outros termos pode-se dizer como grau de saúde do rio, a partir dos dados obtidos e da aplicação do método Stream Power, o qual analisa o potencial erosivo de canal ou de um rio que naturalmente possui uma dinâmica muito intensa, na busca por alcançar o equilíbrio e a estabilidade entre os agentes erosivos/deposicionais.