18 nov - 2016 • 18:00 > 20 nov - 2016 • 02:00
18 nov - 2016 • 18:00 > 20 nov - 2016 • 02:00
Já pensou em ver o funk carioca em diálogo com as
aparelhagens paraenses? O rap produzido em todo o Brasil em aproximação com os
sons do pagode periférico baiano? Imagine que mistura inusitada ver o som
sintetizado que protagoniza o forró nordestino com a pegada do kuduro angolano
ou a originalidade da marrabenta moçambicana aliada à sensualidade da reggaeton
de Porto Rico e Cuba. Que tal ver uma mistura disso tudo? É essa a ideia do
FAVELA SOUNDS, o primeiro Festival Internacional de Cultura de Periferia
realizado no Brasil, que acontece entre os dias 14 e 19 de novembro, com
programação gratuita no Distrito Federal.
O selo “made in
periferia” caiu no gosto do público e, atualmente, muitos dos produtos
culturais vindos das quebradas fazem sucesso em outros cantos do Brasil. Se
hoje é “bonito” ser periferia, os símbolos associados a este comportamento
ainda parecem conduzir a uma espetacularização da cultura de favela, sem muita preocupação
com a dissolução de preconceitos e barreiras sociais, reproduzindo
comportamentos similares aos de tempos longínquos da história brasileira.
Um exemplo é o alcance do funk carioca, produção exclusiva de
favelas, que hoje ganha grandes palcos mundiais e festas voltadas para as
classes mais altas. Isso é bom? Nem sempre! O lado negativo é que a
representação da favela ante o Brasil e o mundo nem sempre aparece dotada de
realidade. Uma “maquiagem social” aparenta fazer uma seleção do que é belo e apresentável
ante o mundo, e o que não é.
Assim, o festival FAVELA SOUNDS propõe um debate
protagonizado por nomes de destaque das periferias urbanas brasileiras. O
evento será dividido em três etapas e acontecerá em cinco diferentes Regiões
Administrativas: Brasília, Mestre d'armas, Samambaia, São Sebastião e Ceilândia.
A primeira etapa, Ralação, acontece entre os dias 14 e 18 e é voltada para as
oficinas profissionalizantes. A ideia é promover um intercâmbio de
experiências, reunindo alunos que já dialogam com os temas propostos e
apresentando a eles outras abordagens dentro daquela linguagem artística. As
oficinas serão de música, moda, grafite e dança. Logo, a ideia é dar ao
dançarino de break, uma noção de dança afro, e assim por diante.
A segunda etapa, Papo Reto, é voltada para os debates. Aqui o
foco é trazer à tona os temas que circulam por meio da produção cultural de
periferia, assim como discutir o próprio fazer cultural dentro das favelas.
Coordenadas pelo Mestre em Antropologia Urbana, Dennis Novaes, as conversas
acontecerão no Auditório II do Museu da República e terão como temas “De Baile
em Baile”, sobre economia cultural na favela, “É Som de Preto, de Favelado”,
que trata de representatividade na produção cultural de periferia e “A Porra da
Buceta é Minha”, que discute arte e performances de gênero nas quebradas.
Já na última etapa, o festival promove um grande Baile. A
festa acontece nos dias 18 e 19 de novembro, na Praça do Museu da República.
Serão dois dias de shows nos quais se apresentam grandes nomes das quebradas do
DF, os participantes das oficinas – em um número multilinguagem especialmente
preparado para a data –, além de nomes de repercussão nacional. A curadoria do
evento buscou unir, num mesmo palco, não somente diferentes estilos musicais,
como nomes que trazem em sua história a luta pela inclusão, pela diversidade e
pelo respeito ao que é produzido nas quebradas do Brasil e do mundo.
Representando a força do rap do DF, Vera Veronika, a primeira
mulher a assumir o rap como profissão por aqui sobe ao palco para contar toda
sua história de luta e superação. O DJ Chokolaty, nome de destaque dos bailes
da cidade também tá na mistura do Favela, além do trio Duafe, com uma dançante
mistura de hip hop, música afro e latina.
De fora do quadrado, chegam a Brasília a banda paraense Gang
do Eletro, com boa dose de tecnobrega; o DJ Byano, representando o Baile da
Chatuba do Rio de Janeiro, com muito funk; o rapper paulista Rincón Sapiência,
tratando de questões de raça e chamando a galera no flow; a banda baiana Ara
Ketu, somando ao Favela Sounds todo o peso da ancestralidade dos tambores e dos
blocos afro do Nordeste; MC Carol, funkeira feminista vinda diretamente de
Niterói (RJ); DJ Waldo Squash, também de Belém do Pará para fazer todo mundo
tremer; os lendários MCs Cidinho e Doca, representando a Cidade de Deus com um
repertório funk recheado de clássicos; o DJ baiano ÀTTØØXXÁ, com o melhor do
Bahia Bass para esquentar os pick-ups, além do DJ angolano Ketchup, que fecha a
mistura trazendo uma boa dose de kuduro para o festival.
Realizado pela Um Nome Produção e Comunicação, o Favela
Sounds terá toda sua cenografia feita com materiais recicláveis, utilizando
prioritariamente papelão, paletes e caixas de fruta e também contará com ponto
para recolhimento de lixo eletrônico. O festival conta com patrocínio da Oi,
por meio da Lei de Incentivo à Cultura do DF, do Fundo de Apoio à Cultura do DF
e apoio da Oi Futuro, Orloff, Passport Scotch, Ruas, eSuites Lakeside Brasília
e CMA Advogados.
Todas as atividades são gratuitas. Para as oficinas, é
necessário realizar inscrição, que estará disponível a partir do dia 25, no
site www.favelasounds.com.br. Para os shows, é necessário retirar
um ingresso sem custo também pelo site, na mesma data.
ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS Brasília
Brasília, DF
Um Nome Produção e Comunicação
Os dados sensíveis são criptografados e não serão salvos em nossos servidores.

Acessa a nossa Central de Ajuda Sympla ou Fale com o produtor.