“São Paulo é Terra Indígena” é o tema da primeira aula aberta do Projeto de Formação em Museologia Intercultural para Lideranças Indígenas, com a presença de representantes do MCI, da ACAM Portinari, do Instituto Maracá e do Conselho Aty Mirim.
Embora a história oficial tenha invisibilizado a contribuição e a presença indígena em São Paulo, são notáveis as populações autóctones que habitam diversas regiões do Estado. O Censo de 2022 contabilizou 55 mil pessoas autodeclaradas indígenas, principalmente das etnias Guarani Mbya, Kaingang, Krenak, Terena e Tupi-Guarani, que habitam o Litoral, Vale do Ribeira, Oeste Paulista e Região Metropolitana da capital. A partir disso, serão abordados os seguintes tópicos:
- a proposta inovadora de gestão compartilhada com protagonismo indígena;
- o caráter dialógico, participativo e de expressão de diversas vozes e culturas;
- o diálogo intercultural entre povos originários e não-indígenas;
- articulação, pesquisa, fortalecimento e comunicação de histórias e memórias de resistência e resiliência indígenas; e
- a arte indígena e produções artísticas, intelectuais e tecnológicas dos diversos povos e etnias em São Paulo.
Sobre o Projeto de Formação em Museologia Intercultural para Lideranças Indígenas
Consiste em ciclos e seminários de formação patrimonial dos conselheiros indígenas do Museu das Culturas Indígenas, que aprofundam temas da museologia social, preservação de memórias, constituição de acervos e preparam as ações extramuros da instituição.
Essa atividade é realizada pelo Instituto Maracá em parceria com o Museu das Culturas Indígenas, instituição administrada via Contrato de Gestão pela Organização Social de Cultura (OSC) Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), através do Edital Fomento CultSP - PNAB nº 36/2024 - Manutenção e Modernização de Museus, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), por meio do conjunto de mecanismos do Fomento Estadual de São Paulo, denominado Fomento CultSP, composto pelos editais do Programa de Ação Cultural (ProAC) e pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
Sobre o Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Inaugurado em 2022, é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), administrada pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), em parceria com o Instituto Maracá, a partir de uma proposta inovadora de gestão compartilhada com protagonismo do Conselho Indígena Aty Mirim.
Sobre a Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari)
Fundada em 1996, é uma Organização Social de Cultura (OSC) que, atualmente, via Contrato de Gestão com a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo (SCEIC-SP), administra além do MCI, na capital, outros três equipamentos culturais pertencentes ao Governo do Estado: o Museu Casa de Portinari - MCP, que dá nome à organização, em Brodowski; o Museu Felícia Leirner - MFL e o Auditório Claudio Santoro - ACS, em Campos do Jordão; e o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuire - MIV, em Tupã.
Sobre o Instituto Maracá
Organização da sociedade civil, fundada em 2017. Inspirado pelos maracás (chocalhos feitos de cabaça e sementes), que são objetos sagrados utilizados por grande parte dos povos ameríndios em diferentes rituais e celebrações para se comunicar com o mundo espiritual, tem por intenção encontrar as melhores formas de transmitir as mensagens e conhecimentos dos povos originários para os não-indígenas, com foco principal na proteção e difusão do patrimônio histórico, ambiental e cultural.
Sobre o Conselho Indígena Aty Mirim
É a instância pela qual têm se construído mecanismos de escuta, consulta e formulação de uma agenda propositiva de trabalho comprometida com os direitos dos povos indígenas e com a promoção de uma co-gestão indígena do MCI, contemplando os projetos cosmopolíticos de educação, memória, culturas, artes, patrimônio e outros, associados às lutas dos povos originários na sua diversidade. Seus integrantes, pertencentes a diversos povos originários encontrados no Brasil (Guarani Mbya, Guarani Nhandeva, Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal), representam os seguintes territórios do Estado de São Paulo:
- Aldeia Itapu Mirim (Registro), Aldeia Itapuã (Iguape) e Tekoa Takuari (Eldorado), no Vale do Ribeira;
- Aldeia Nhamandu Oua (Itanhaém), Aldeia Nhanderu Pó - Terra Indígena Aguapeú (Mongaguá) e Aldeia Tapirema - Terra Indígena Piaçaguera e Aldeia/Terra Indígena Bananal (Peruíbe), no Litoral Sul;
- Aldeia Rio Bonito e Terra Indígena Renascer (Ubatuba) e Tekoa Rio Silveira (Bertioga/São Sebastião), no Litoral Norte;
- Aldeias Ekeruá, Kopenoti, Nimuendaju e Tereguá - Terra Indígena Araribá (Avaí), Terra Indígena Icatu (Braúna) e Terra Indígena Vanuíre (Arco Íris), no Oeste e Sudoeste Paulista;
- Comunidade Pankararu do Real Parque, Tekoas Pyau, Itakupe, Itawerá, Ytu e Yvy Porã - Terra Indígena Jaraguá e Terra Indígena Tenondé Porã, em São Paulo; e
- Reserva Indígena Filhos Desta Terra - Aldeia Multiétnica, em Guarulhos.