“Cinco Coreógrafos em um Corpo”: Uma obra que desafia o tempo
Concebido originalmente em duas versões — uma reunindo cinco coreógrafos brasileiros e outra cinco criadores internacionais — o projeto se consolidou como um marco na trajetória do Grupo Tápias. A premissa era precisa: diferentes autores criando solos para um único corpo, explorando suas singularidades técnicas, expressivas e biográficas.
Vinte anos depois, a remontagem assume dimensão crítica e contemporânea. Ao revisitar esses solos em um corpo maduro, a obra coloca em debate o etarismo na dança, a permanência do gesto e a transformação da presença cênica ao longo do tempo.
“Revisitar esses solos é revisitar quem eu fui e quem eu sou hoje. Existe uma potência no corpo maduro que precisa ser vista e celebrada”, afirma Flávia.
A nova versão reúne dez solos — cinco nacionais e cinco internacionais — apresentados em curadorias distintas a cada noite, criando experiências diferentes para o público a cada apresentação.
As obras remontadas são criações de grandes nomes da cena contemporânea:
* “Light Piece / Copy That”, de Pol Coussement (Bélgica), investigação sobre luz, imagem e percepção.
* “Living Room”, de Stéphanie Thiersch (Alemanha), que tensiona sonho e confinamento.
* Solo de Rami Levi (Israel), inspirado na fisicalidade animal.
* “On ne se connaît pas encore mais”, de Thomas Lebrun (França), inspirado na figura de Carmen Miranda.
* “Rede”, de Giselle Tápias (Brasil), que transforma um símbolo cultural brasileiro em dramaturgia corporal.
* “Da Família dos Crocodilos”, de Paulo de Moraes (Brasil), integrante do repertório histórico da companhia.
* “Semelhante”, de Henrique Rodovalho (Brasil), agora interpretado em nova leitura.
O conjunto evidencia o papel do Espaço Tápias como ponte entre o Brasil e circuitos internacionais de dança, consolidando intercâmbios com Bélgica, França, Alemanha e Israel ao longo de sua trajetória.
Legado em movimento: transmissão para a nova geração
A temporada também marca a transmissão concreta de repertório para a bailarina Letícia Xavier, carioca de São Gonçalo, que apresentará cinco solos em uma das noites. A obra, assim, ultrapassa a dimensão comemorativa e se afirma como processo de continuidade artística.
Dançado por Flávia Táppias dias 14, 15 e 28/04
Dançado por Letícia Xavier dias 29/04