18 jan - 2026 • 12:30 > 20 fev - 2026 • 21:00
18 jan - 2026 • 12:30 > 20 fev - 2026 • 21:00
O curso “Zé do Caixão: a verdade obscena do Brasil” parte da convicção de que o cinema de José Mojica Marins não deve ser tratado apenas como curiosidade do terror nacional ou como fenômeno de culto marginal, mas como uma das interpretações mais radicais e incômodas da sociedade brasileira já produzidas no campo da cultura.
Seus filmes expõem aquilo que a ideologia dominante costuma esconder: o medo, a violência, a superstição, a culpa, a desigualdade, o sadismo moral e a precariedade da vida numa formação social marcada por modernização conservadora e exclusão histórica das massas.
Zé do Caixão não é apenas um personagem de horror. Ele é uma figura alegórica, na qual se condensam traços centrais do inconsciente social brasileiro: a autoridade patriarcal exercida de forma direta e violenta, a religiosidade punitiva, o desprezo pela vida comum, a reificação dos corpos — especialmente o corpo feminino — e a administração da morte como forma de poder. Ao exagerar, expor o grotesco e tornar explícitas essas dimensões, Mojica faz aquilo que a arte crítica sempre fez: revela o real por meio do excesso.
A importância do curso reside justamente nesse ponto.
O Brasil costuma se pensar a partir de narrativas conciliadoras — cordialidade, mestiçagem harmoniosa, alegria popular, capacidade infinita de adaptação. O cinema de Mojica rompe com esse imaginário ao mostrar um país atravessado pelo medo e pela violência simbólica, onde a vida vale pouco e a morte ocupa lugar central na organização moral e social.
Nesse sentido, Zé do Caixão dialoga diretamente com grandes intérpretes do Brasil, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Roberto DaMatta, mas o faz desde um lugar radicalmente popular e obsceno, isto é, fora dos limites do “bom gosto” e da respeitabilidade cultural.
O curso propõe analisar os filmes À Meia-Noite Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, Finis Hominis, Ritual dos Sádicos e Encarnação do Demônio - entre outros - como documentos históricos e simbólicos de diferentes momentos da formação brasileira.
O objetivo do curso não é apenas interpretar filmes, mas compreender como o Brasil administra simbolicamente a morte, o sofrimento e a precariedade da vida.
O curso se propõe a oferecer uma teoria do Brasil: a teoria da miséria brasileira através do cinema de José Mojica Marins.
Assim, “Zé do Caixão: a verdade obscena do Brasil” não é apenas um curso sobre cinema de terror.
É um curso sobre o Brasil real, aquele que raramente aparece nas versões oficiais de nossa história. Um Brasil em que o horror não é exceção, mas sintoma; em que a violência não é desvio, mas método; e em que a arte, ao dizer o indizível, cumpre uma função crítica fundamental.
O curso convida o participante a olhar para esse espelho incômodo — não para deleitar-se com o grotesco, mas para compreender, criticamente, as condições históricas e sociais que o produziram.
Metodologia de Trabalho:
AULAS EXPOSITIVAS de 2 horas dadas pelo Professor Dr. Giovanni Alves (UNESP) por meio de encontros virtuais nas salas de aulas do Google Meet acompanhadas de TEXTOS DE AULA ESCRITOS e por PODCASTs (com a participação da psicanalista Ana Celeste Casulo) sobre o tema de cada módulo visando esclarecer conceitos e analisar filmes significativos da filmografia de Mojica que nos permitam ter uma experiência crítica sobre o Brasil profundo.
Cada Inscrito terá direito a receber em video os filmes mais significativos da filmografia de José Mojica Marins e um Certificado de Participação equivalente a 36 horas-aulas com a chancela do Projeto Tela Crítica.
Público-alvo:
Estudantes, professores, pesquisadores, artistas, interessados em
cinema, cultura brasileira, teoria social e psicanálise
Exibição e análise de filmes/trechos (Podcasts): 12h
Debates orientados e atividades críticas: 6h
Cronograma de Trabalho
Dia 18 de janeiro de 2026
MÓDULO 1 – José Mojica Marins: vida, obra e o horror como linguagem popular
25 de janeiro de 2026
MÓDULO 2 – A miséria brasileira: gênese colonial-escravista e revolução passiva
Dia 1 de fevereiro de 2026
MÓDULO 3 – Ditadura, horror e superstição: Zé do Caixão nos anos 1960
Dia 8 de fevereiro de 2026
MÓDULO 4 – Alegoria, delírio e crítica institucional
Dia 15 de fevereiro de 2026
MÓDULO 5 – Sexo, culpa e corpo: prazer, repressão e misoginia
Dia 22 de fevereiro de 2026
MÓDULO 6 – Neoliberalismo, teologia da prosperidade e a banalização da morte
RESULTADOS
ESPERADOS
Ao final do curso, o participante será capaz de:
- compreender o cinema de Mojica como interpretação histórica do Brasil (teoria da miséria brasileira);
- analisar a relação entre morte, violência e formação social;
- articular cinema, psicanálise e crítica da economia política;
- reconhecer a atualidade de Zé do Caixão na cultura e política contemporâneas.
Cancelamentos de pedidos serão aceitos até 7 dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento.
Saiba mais sobre o cancelamentoVocê poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.
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Giovanni Alves
Giovanni Alves é professor de sociologia da UNESP, coordenador da Rede de Estudos do Trabalho (RET) e do Projeto Tela Crítica (www.telacritica.net) e Projeto CineTrabalho (www.projetocinetrabalho.net).
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