Cores e conexões: pautas sobre acolhimento
Convidado
Ademiel de Sant’Anna Junior
Mediadoras
Larissa Montardo, Ketlin Costa e Karina Sassi
24 de maio, sábado, das 10h às 12h
Atividade gratuita | Com certificado
On-line | Plataforma Zoom
Check-in 15 minutos antes do horário de início através do Sympla*
Inscrições exclusivamente em: sympla.com.br/sprgs
(encerradas 30 minutos antes do horário do evento ou quando esgotarem-se as vagas)
Organização
NIC - Núcleo de Intercâmbio com a Comunidade
Comitê de Relações Étnico-Raciais
Público-alvo: estudantes de psicologia, profissionais de psicologia e público em geral.
Carga horária total: 2 horas
Como as marcas do colonialismo ainda moldam as relações raciais no Brasil? Qual o papel da branquitude nos espaços de cuidado psicológico? Nesta atividade, essas e outras interrogações serão colocadas em pauta, com o objetivo de promover um diálogo sobre o fenômeno do racismo e nosso lugar enquanto sujeitos imersos nessa estrutura, e também, enquanto profissionais da área da saúde.
Convidamos vocês para um encontro que propõe reflexões sobre nossas formas de acolhimento clínico, considerando os atravessamentos de raça, gênero e classe, a partir de uma perspectiva crítica e decolonial. Vamos discutir como a branquitude - entendida como lugar de privilégio e norma - influencia as práticas clínicas, as relações sociais e as estruturas institucionais.
Objetivos:
- Definir branquitude crítica de acrítica;
- Construção histórica de um lugar bio-psico-social;
- A importância de sair do eurocentrismo e da monocultura;
- Como acolher sem contextualizar o indivíduo?
- Ademiel de Sant’Anna Junior (CRP 07/22834): neto de Chica, filho de Geni e Ademiel. Escritor, poeta e psicólogo . Doutorando em Psicologia Social & Institucional (UFRGS). Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas É'léékò (UFRGS). Integrante do Coletivo Adinkra de Relações Raciais e Saúde mental. Professor no Departamento de Direitos Humanos e Saúde ENSP-FIOCRUZ. Conselheiro na atual gestão do CRP-RS e presidente da Comissão Permanente de Relações Étnico-Raciais do CRP-RS.
Entende-se que a conjuntura atual de colonialidade/imperialidade, enquanto repercussão do colonialismo/imperialismo, articula diferentes sistemas de opressão, de modo que o racismo encontra-se como um destes sistemas, o que é corroborado por pessoas autoras como Kilomba (2020). À vista disso, o racismo em território brasileiro é estrutural e estruturante, logo um dos maiores organizadores das desigualdades simbólicas e materiais no país. Nesse sentido, a branquitude, produto do colonialismo e do imperialismo (Schucman, 2012; 2014), nomeada por Bento (2002, p. 7) como “um lugar de privilégio racial, econômico e político, no qual a racialidade, não nomeada como tal, carregada de valores, de experiências, de identificações afetivas, acaba por definir a sociedade” atua com papel ativo de manutenção da conjuntura colonial/imperial, da estrutura racista e do lugar de privilégio das pessoas brancas na sociedade. Papel ativo este que se reatualiza através de seu pacto narcísico (Bento, 2002; 2022), ignorância branca (Mills, 2018) e fragilidade branca (DiAngelo, 2020).
Desta maneira, torna-se imprescindível questionar as repercussões do papel desempenhado pela branquitude em diferentes contextos de atuação e formação profissional, como na Psicologia brasileira, o que, consequentemente, remonta ao questionamento do projeto de sociedade que vem sendo construído desde o colonialismo no território brasileiro (afropindorâmico). Logo, torna-se necessário nomear, discutir, problematizar e enfrentar a branquitude, que se vê como norma e nomeia os Outros como racializados, portanto, “deslocar nosso olhar para aqueles que, a fim de se manter no centro, impelem todos os outros à margem”. Destarte, que assim tenhamos disposição para “estraçalhar a branquitude” (Onocko-Campos, 2024, p. 2) e seus mecanismos (pacto narcísico, fragilidade, ignorância, etc) no enfrentamento do racismo e engajamento na luta antirracista, portanto, contribuindo “ativamente nas lutas antirracistas, antilgbtfobias e demais sistemas coloniais promotores de chacinas, massacres, exploração e dominação de seres humanos e não humanos” (Núñez, 2022, p. 55).
Referências:
- Bento, C. (2022). O pacto da branquitude. Companhia das letras.
- Bento, M. A. S. (2002). Pactos Narcísicos no Racismo: Branquitude e poder nas organizações empresariais e no poder público.
- Diangelo, R. (2020). Não basta não ser racista: sejamos antirracistas. São Paulo: Faro Editorial.
- Kilomba, G. (2020). Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Editora Cobogó.
- Mills, C. (2018). Ignorância branca. Griot Rev Filosofia; 17(1):413-438.
- Núñez, G. (2022). Efeitos do binarismo colonial da Psicologia: reflexões para uma Psicologia anticolonial. CFP, Psicologia Brasileira na Luta Antirracista (p. 49-60).
- Onocko-Campos, R. (2024). O pacto da branquitude: saberemos nós brancos rompê-lo?.
- Schucman, L. V. (2012). Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana (Doctoral dissertation, Universidade de São Paulo).
- Schucman, L. V. (2014). Sim, nós somos racistas: estudo psicossocial da branquitude paulistana. Psicologia & Sociedade, 26, 83-94.
Informações pelo atendimento on-line da secretaria: [email protected] ou whatsapp 51-99527-3920 (em horário comercial)
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