16 mar - 2026 • 19:00 > 27 abr - 2026 • 20:30
16 mar - 2026 • 19:00 > 27 abr - 2026 • 20:30
"Ódio e sexualidade nas relações raciais e de gênero"
Nelma Cabral*
*Psicanalista,
membra do EBEP-Rio
Os discursos e crimes de ódio dirigido às mulheres, homossexuais, transexuais, travestis, pessoas negras e indígenas não são fruto apenas das redes sociais e nem também um fenômeno recente. Marca estrutural e histórica com raízes no sistema escravocrata, na desigualdade extrema, os discursos e crimes de ódio, em geral, foram silenciados ou apagados da história da formação social brasileira. Mas, o que é o ódio e quais são seus registros, suas dimensões, suas modalidades e seus destinos na convivência das múltiplas comunidades do vivente humano em sua relação com os demais viventes? Lacan abordou o ódio aliado ao amor e à ignorância, três paixões do Ser, momento provisório em que o sujeito suspende sua divisão e olha o mundo à sua volta segundo a sua ótica. A ausência de divisão afasta qualquer operação simbolizante, consequentemente, a diferença. Pretendo neste curso a partir da exploração teórica e clínica do ódio nos modos de subjetivação e de gozo, problematizar como este afeto e o sexual se fazem presentes nas relações raciais e de gênero. O ponto de partida deste curso será a abertura de Freud para introduzir uma outra ordem para se pensar as coisas do sexo, o registro do ódio e da morte, o que considero um posicionamento ético e político para o que foi descortinando em sua escuta. Nem os registros do sexual e nem os do ódio foram considerados como uma vontade perigosa a ser combatida, como prescrevia o discurso psiquiátrico de sua época, mas registros a exigir uma outra concepção, dado a sua presença no reino do humano. As questões - como o ódio é articulado no discurso freudiano com a sexualidade concebida como intimamente ligada ao inconsciente, como um dispositivo estruturante do sujeito e de sua relação com o mundo? E como este afeto é articulado com o inconsciente, o narcisismo e a pulsão de morte na relação do sujeito consigo mesmo e com o mundo? - fazem parte do percurso que pretendo realizar. Na escuta freudiana, o ódio está presente na histeria, na neurose obsessiva, na paranoia, na melancolia enfim em todas as estruturas ou modos de subjetivação. Como parte da economia de prazer-desprazer e dor do vivente humano, o ódio antecede ao amor e se confunde com o desprazer quando o organismo não tem suas necessidades de satisfação atendidas. É preciso odiar para tornar-se um sujeito, para admitir um estrangeiro, um Outro primeiro exterior, que pode figurar pelo automatismo mental, pela sensação estranha de algo terrorífico que o ameaça, pela figura do feminino pensado como diferença, o Outro, como nos mostrou Neusa Santos Souza. Outro sexo, outro modo de gozo, outra raça, outra etnia. Como psicanalistas precisamos admitir as manifestações de ódio na relação transferencial, no laço social e seu papel decisivo na experiência do vivente humano, como Freud o fez ao tratar deste afeto em suas metapsicologias. Como psicanalistas precisamos escutar, problematizar e pensar como o ódio e as coisas do sexo se apresentam nas relações raciais e de gênero em nossa época e no contexto em que atuamos. São inquietações e exigências de um pensar metapsicológico sobre essas questões que me levam a propor este curso.
A bibliografia será fornecida em cada encontro.
6 encontros ao vivo e online, semanal as segundas-feiras, das 19h às 20h30
Calendário: 16, 23 e 30/03 e 06, 13, 27/04/2026
AÇÕES AFIRMATIVAS: Oferecemos 9 vagas por ações afirmativas para pessoas negras e indígenas. Solicitamos que envie e-mail para [email protected] justificando a solicitação da inscrição. As vagas serão ocupadas conforme ordem de inscrição.
Atenção: as inscrições realizadas após às 18h30 somente serão processadas no próximo dia útil


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EBEP/Rio - Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos
O EBEP é uma instituição que se constitui através de uma rede de grupos de trabalho formada por psicanalistas e profissionais de outras áreas de conhecimento, e que está voltada para as questões nascidas das práticas psicanalíticas, enfatizando suas relações com a realidade brasileira. Seu objetivo é transmitir e divulgar o patrimônio cultural já adquirido pela psicanálise em todos os campos de sua prática, bem como produzir novos conhecimentos.
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