SEMINÁRIO DE CURTA DURAÇÃO: O masculino na teoria freudiana: genealogia, crítica e ressonâncias no contemporâneo
Coordenação: João Pedro Peçanha*
7 encontros on-line às quartas-feiras:
05, 12, 19, 26/08 e 02, 09, 16/09, de 19:00 às 20:30
O seminário visa gerar uma compreensão das bases discursivas sobre o masculino que antecederam a teoria freudiana e, partindo disso, busca-se localizar e expor o que se subentende como “masculino” no percurso teórico-clínico de Freud e empreender críticas ao modelo de masculino subjacente em sua obra. A partir disso, a intenção do curso é realizar uma abertura da teoria psicanalítica acerca do masculino, deslocando sua preocupação histórica com a feminilidade – cenário que expõe o saber psicanalítico a serviço da hegemonia de sexo/gênero patriarcal e falogocêntrica. Por esta via, entende-se que Freud e muitos do que o seguiram e se seguiram a ele pouco tinham a dizer ou não quiseram dizer a respeito do masculino, pois este estaria dado de maneira inconteste devido à sua condição de universalidade. Tendo em vista essa base epistêmica e teórico-clínica calcadas no masculino universal, no binômio passivo-ativo enquanto formadores de gênero e no complexo de Édipo como um normatizador no decurso da história psicanalítica, faz-se necessário e urgente o diálogo com outras formas e matrizes de pensamento que possam romper com a repetição do mesmo e abrir alas à desconstrução do masculino a partir de sua escuta. Buscaremos em autores pós-freudianos, que fizeram falar o masculino da obra de Freud, fontes de inflexão de gênero utilizando as próprias categorias metapsicológicas e clínicas freudianas a fim de produzir novos destinos ao masculino em psicanálise. Nesse sentido, a proposta busca enfatizar a contaminação da escuta e da escrita psicanalíticas – não apenas freudiana –, que por vezes foram auxiliares às formas de dominação e opressão de gênero. À respeito das masculinidades (pensando-as, agora, precisamente no plural), as críticas e suplementações propostas e possibilitadas pelos estudos feministas, de gênero e pelo acolhimento das interseccionalidades no contemporâneo se fazem operadoras epistêmicas de suma importância para que seja feito um giro nas formas hegemônicas de saber-poder sobre as masculinidades.
* Psicólogo pela UFRJ, Psicanalista, Pesquisador, Mestre e Doutorando em Teoria Psicanalítica (PPGTP - UFRJ), Membro Associado em Formação no CPRJ e Pesquisador no Grupo FRESTA - Fronteiras, Relações e Territórios (USP/UFRJ). Suas pesquisas giram em torno de gênero, sexualidade, corpo, masculinidades, masculinismos, política contemporânea, extrema-direita, neoconservadorismo e neoliberalismo.