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O FIM DO MUNDO ESTÁ EM CAMPANHA: fascismo, distopia e nova direita

10 out - 2026 • 09:00 > 31 out - 2026 • 12:00

 
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O FIM DO MUNDO ESTÁ EM CAMPANHA: fascismo, distopia e nova direita

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Descrição do evento

APRESENTAÇÃO

O fascismo não começa apenas quando chega ao Estado. Ele começa antes, na transformação da violência em forma de vínculo social. O curso parte dessa hipótese para compreender o fascismo não como uma experiência histórica encerrada ou uma lista fixa de características, mas como uma estrutura capaz de se adaptar às diferentes formas do capitalismo e ganhar força em momentos de crise.

Da violência social à guerra, da guerra à distopia e da distopia à nova direita, o curso acompanha a formação de uma sociedade marcada pela dessensibilização, pela indiferença e pela produção permanente de inimigos. Uma sociedade em que a ideia de que “não há sociedade para todos” começa a parecer plausível.

A partir daí, investigamos como crises econômicas, políticas, sociais, ecológicas e militares podem deixar de ser acontecimentos excepcionais e se transformar em formas permanentes de governo. O fascismo aparece, então, como uma forma de conservação ativa: uma contrarrevolução contínua diante da possibilidade de transformação social.

Por fim, o curso procura compreender o presente em que vivemos: como aprendemos a habitar a catástrofe, consumir suas imagens e conviver com aquilo que sabemos ser absurdo, violento e insustentável. E como o cinismo, a sensação de impotência e a normalização da violência podem se transformar em uma atmosfera política favorável à nova direita.

PORQUE O CURSO 

Estamos entrando em mais um ciclo eleitoral em um momento em que o fascismo já não pode ser tratado como uma ameaça distante, excepcional ou puramente histórica. A disputa política também é uma disputa sobre aquilo que reconhecemos como violência, sobre quais vidas consideramos protegíveis, sobre quem pode pertencer à sociedade e, sobretudo, sobre quais futuros ainda somos capazes de imaginar.

Nos últimos anos, a nova direita ocupou justamente esse terreno: transformou medo, ressentimento, precariedade e sofrimento em linguagem política; ofereceu inimigos para aquilo que aparece como crise e prometeu segurança através da exclusão. O problema, portanto, não é apenas compreender seus líderes ou estratégias eleitorais, mas entender por que essa linguagem encontra tanta força no mundo em que vivemos.

O curso parte dessa questão para investigar o que mudou e o que permaneceu das tendências fascistas, e como a guerra permanente, a catástrofe e a banalização da violência criam condições para que o fascismo apareça menos como ruptura e mais como solução.

Por isso, olhamos para a nova direita global não apenas como fenômeno eleitoral, mas como expressão de um mundo em transformação: um mundo em que aprendemos a conviver com a catástrofe e a naturalizar a violência.

Quando o fascismo deixa de parecer uma exceção e começa a se apresentar como uma forma normal de administrar a crise, como reconhecê-lo antes que seja tarde demais? Nomear o que acontece é uma condição para não deixar de enxergá-lo. É a partir dessa tarefa que o curso se constrói.

OBJETIVOS 

  • Pensar o fascismo para além de sua forma histórica, compreendendo como a violência social pode se adaptar, normalizar e assumir novas formas políticas.

  • Compreender a crise como terreno político, relacionando guerra permanente, produção de inimigos, contrarrevolução e transformação da exceção em normalidade.

  • Investigar como aprendemos a habitar o colapso, analisando o papel das distopias, da catástrofe e do cinismo na forma como imaginamos e aceitamos o presente.

  • Analisar a nova direita global, entendendo como medo, ressentimento, precariedade e sofrimento são convertidos em linguagem política, exclusão e promessa de segurança.

  • Pensar a disputa pelo futuro, relacionando política, capitalismo e novas tecnologias às perguntas sobre quais vidas importam, quem pode pertencer e que sociedade ainda podemos construir.

  • Reconhecer tendências fascistas no cotidiano, identificando como a banalização da violência e a naturalização da exclusão podem preparar o terreno para formas mais explícitas de autoritarismo.

  • Fortalecer uma leitura crítica do presente, capaz de conectar diferentes fenômenos políticos e sociais e ampliar nossa capacidade de compreender, nomear e disputar as transformações em curso.

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Sobre o produtor

organizer

Heribaldo Maia

Professor de história formado pela UFPE e criador do MímesisCast.

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