03 jul - 2021 • 14:00 > 03 jul - 2021 • 18:00
03 jul - 2021 • 14:00 > 03 jul - 2021 • 18:00
A oficina de Literatura Indígena: Histórias de Boto é uma oferta para todes aqueles que buscam conhecer a literatura indígena e os seus encantados. Aqui, escolhemos o boto para figurar nesse encontro, pois ele pertecence ao universo cosmológico dos povos indígenas Munduruku, Maraguá e Macuxi, por exemplo.
Quando o boto aparece na literatura indígena como personagem, ele não pode ser lido apenas como esta categoria, mas tem de ser compreendido além, tem de ser lido como personagem-ser, personagem-encantado, e não personagem-folclórico.
Por século, o dispositivo oral dos povos indígenas tem sido silenciado/inferiorizado como folclore ou popular (Câmara Cascudo), destituindo de autoria e autoridade os povos originários sobre suas próprias crenças e experiências, que contemporaneamente guiam suas práticas socioculturais.
Reivindicando o seu lugar de fala, os/as escritores/as indígenas dialogam com a sociedade dominante sobre suas narrativas e elementos de fé, ao publicarem obras que desvelam a ontologia de seus povos. A escrita/autoria indígena, nesse sentido, é uma nova tecnologia da memória (Daniel Munduruku), na medida em que fortalece o povo indígena ao distribuir a narrativa no formato do livro, ao mesmo tempo que diminui a distância entre sociedade dominante e povos indígenas ao dar-se a conhecer, desmistificando imagens ossificadas de que os povos indígenas são seres do passado, e suas crenças elementos folclóricos como unicamente e originadas pela identidade nacional (brasileira).
A oficina será dividida em dois momentos:
a) a exposição das obras de literatura indígena [e cultura] que trazem o boto como personagem protagonista ou coadjuvante, tais como:
Neste primeiro momento espera-se mostrar o relacionamento da autoria indígena com a ontologia indígena respectiva em cada povo; também sinalizar brevemente a diferença entre folclore e literatura indígena, áreas que afirmam suas respectivas identidades. (Câmara Cascudo e Abdias Nascimento).
b) escrita ficcional ou relato (auto)biográfico pessoal ou de família, de no máximo 2.200 caracteres com espaço.
Neste momento prático, espera-se que o/a/e oficineiro/a/e escreva um miniconto como exercício de escrita para que possa descolonizar a ideia folclórica que pesa negativamente sobre os povos indígenas. Ao escrever a partir do contato com a literatura indígena, exercendo a criatividade e a imaginação, esperamos que todes oficineiros possam ter a experiência positiva de lidar com outras formas de dar sentido ao mundo, sem marginalizá-las.
Tempo estimado: 2 horas para a apresentação da primeira parte da oficina; 2 horas para a escrita e leitura coletiva do miniconto.
A oficina será ministrada por Julie Dorrico e Vanessa Sagica, ambas pesquisadoras pertencentes ao povo Macuxi.
Julie Dorrico é doutora em Teoria da Literatura (PUCRS). Autora da obra "Eu sou macuxi e outras histórias" (Editora Caos e Letras, 2019). Pesquisadora de Literatura Indígena.
Vanessa Sagica é doutoranda em Linguística (UFSC). Graduada em Letras - Espanhol/Português (UFRR), Mestre em Ciências da Linguagem - área de concentração Linguística e Cultura (UNISUL). Professora de Espanhol com experiência em todos os níveis educacionais; tradutora Espanhol-Português-Espanhol.
Você poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.
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