19 jan - 2024 • 14:00 > 09 fev - 2024 • 16:00
19 jan - 2024 • 14:00 > 09 fev - 2024 • 16:00
Linguagem, ontologia e
real: do estruturalismo linguístico de Saussure à desconstrução de Derrida.
Prof. Dr. Carlos C.
Coelho*
Ferdinand de Saussure é
certamente um dos grandes pensadores do nosso tempo e seu pensamento causou uma
grande repercussão na história das ciências humanas e, por conseguinte, na
tradição filosófica. Segundo o filósofo francês Patrice Maniglier (2006), o
pensamento de Saussure leva adiante uma intuição que surge com o movimento
comparatista e realiza a mais radical inversão do platonismo: lá onde a
tradição busca a unidade e o invariante como única forma de um “pensamento
rigoroso” e comprometido com a “Verdade”, Saussure nos faz perceber que a
partir da variação podemos fundar uma ciência e um objeto digno de estudo,
sendo qualquer tipo de identidade ou de invariante resultado de um “primeiro”
momento de variação. Lá onde a tradição buscava a unidade, Saussure introduz,
no seio das ciências humanas, a (o)positividade do conceito de diferença e com
ele a primazia daquilo que varia. Desta forma, assumimos que no pensamento do
linguísta genbrino não há apenas uma reflexão sobre a linguagem, uma
linguística geral, mas um projeto onto e epistemológico, além de uma intuição
original que inaugura um movimento que repercute até os nossos dias, a saber, o
estruturalismo.
Em tempos em que vemos
a falta de compreensão pública da diferença entre os métodos das ciências ditas
“duras” e das práticas das ciências “humanas”, acompanhada de acusações de
pseudociência sendo lançadas sem o menor rigor e pensamento crítico, um retorno
às fundações do estruturalismo pode nos ajudar a caminhar em solos menos
dogmáticos e conservadores.
Num caminho paralelo
pretendemos introduzir o que quer dizer desconstrução na obra do filósofo
franco-magrebino, Jacques Derrida, assim como apresentar a recepção que o autor
faz da linguística saussureana ao propor uma passagem da semiologia, isto é, da
ciência dos signos, para uma gramatologia, a ciência dos rastros (traces).
Duração: 4 aulas, de 19
de janeiro de 2024 a 9 de fevereiro de 2024
Sextas-feiras, semanal
das 14h às 16h – online via Zoom
Programa:
O curso será dividido
em quatro aulas, (1) Nas primeiras duas aulas apresentarei os conceitos
centrais da obra de Saussure e que fundam o estruturalismo, tentando fugir da
recepção vulgar que é feita deste pensador devido à leitura centrada apenas no Curso
de Linguística Geral (CLG), pois, como sabemos, o linguista não é o autor deste
livro e para entendermos seu pensamento, não é suficiente fixarmos a atenção
apenas no CLG – obra escrita e editada por Charles Bally e Albert Sechehaye –,
que por ser uma compilação das anotações de alguns alunos dos cursos lecionados
por Saussure em Genebra entre 1907 e 1911, apresenta diversas contradições.
Para compreendermos o trabalho de reconstrução que está envolvido nos estudos
da obra de Saussure, precisamos ter acesso às edições críticas desta obra, como
a de Túllio De Mauro (Cf. Saussure, 1972), que articula a chamada “vulgata” dos
ensinamentos de Saussure, ou seja, o próprio CLG, com as fontes manuscritas, e
também com os textos que foram recentemente descobertos e publicados apenas em
2002, os Écrits de linguistique générale, obra que reúne textos do próprio
Saussure sobre a sua teoria linguística. (2) Nas duas aulas finais confrontarei
a leitura apresentada do pensamento de Saussure com a recepção feita por
filósofo Jacques Derrida. Na primeira aula deste segundo momento pretendo fazer
uma introdução de como é compreendida a desconstrução em Derrida e, numa
segunda aula, introduzir propriamente a desconstrução do conceito de linguagem
proposta pelo pensador.
Aula 1 – A tradição que
antecede Saussure
Aula 2 – Saussure e o
conceito de diferença
Aula 3 – O que é a
desconstrução?
Aula 4 – Jacques Derrida: semiologia e gramatologia
*Carlos C. Coelho é psicanalista e filósofo. Membro do EBEP-Rio, professor e orientador no Programa de Pós-graduação em Filosofia da UERJ, doutor em Ética e Filosofia Política pela PUC-Rio com estágio doutoral na Universidade de Paris X, pós-doutorado pela UERJ, mestre e licenciado em Filosofia pela UFRJ. Sua pesquisa e seu engajamento caminham juntos: construir novas formas de pensar o comum para além de princípios antrópicos e dos mecanismos coloniais construídos pelo “Ocidente”.

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