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Travestilizar o conhecimento contra o extrativismo cisgênero

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Travestilizar o conhecimento contra o extrativismo cisgênero

18 jan - 2024 • 19:00 > 18 jan - 2024 • 21:30

Evento Online via Zoom
Evento encerrado

Travestilizar o conhecimento contra o extrativismo cisgênero

18 jan - 2024 • 19:00 > 18 jan - 2024 • 21:30

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Descrição do evento

SOBRE:

Disputas recentes no espaço acadêmico colocaram novo foco no conceito de “cisgeneridade” em seus atravessamentos históricos, políticos, e epistemológicos. Se, de um lado, surgem noções como “cancelamento” e “liberdade de expressão” na defesa de um (suposto) pluralismo científico, de outro conceitos como transepistemício tomam centralidade no apontamento de injustiças e violências epistemológicas, definindo quem pode ou não formular conceitos e estar em tais espaços reconhecidos de saber.


Tais controvérsias não são recentes, datando na história travesti pelo menos desde os anos 80, embora tomem novas formas hoje a partir da entrada de pessoas trans e travestis em espaços antes inacessíveis de produção e circulação de conhecimento, como no caso das universidades, assim como o próprio alargamento de noções de intelectualidade e autoridade para além de seus muros.


Partindo de casos concretos de pesquisa sobre identidade e subjetividade travesti no Brasil, pensaremos em tais conceitos e discussões sob uma perspectiva crítica histórica. Aliado a tal perspectiva estão relatos etnográficos contemporâneos, de estudantes trans/travestis, que tensionam a posição de “ratos de laboratório” de certa produção de conhecimento que reforça divisões entre objeto/sujeito, objetividade/subjetividade, neutralidade/localidade, conhecimento/política, racional/emocional, entre outros, sem o devido cuidado a dimensões de posicionalidade, sensibilidade e responsabilidade.


Para além de compreender tais dimensões de violência epistemológica, o aulão abrirá espaço, na sua segunda metade, a propor alternativas e caminhos possíveis, a partir das aproximações entre epistemologia e política. O que seria um conhecimento situado/engajado? Quais as possibilidades e limites da co-produção de conhecimento? Quais bons exemplos podemos seguir, e o que devemos evitar? Com isso, o curso parte dos exemplos da história nacional travesti para estabelecer conexões mais amplas com outras populações historicamente marginalizadas desses espaços, tais como populações racializadas, neurodivergentes, e tradicionais.


Essa aula introdutória abre o ciclo “Epistemologias trans/travestis”, composto de dois cursos de 2 a 3 aulas (em março e em abril), além de aulões colaborativos. O primeiro curso irá aprofundar as nuances de tal historicidade travesti no Brasil, a partir do campo da história pública, nos caminhos entre passado, presente e futuro. O segundo curso irá se debruçar nos aspectos subjetivos de tais posicionalidades marginais, das “forasteiras de dentro” aos sentimentos compartilhados de incapacidade e inferioridade intelectual. Os aulões colaborativos tem como objetivo estabelecer pontes interseccionais e transdisciplinares através de distintas posicionalidades e intelectualidades das pessoas ministrantes e participantes.


Com isso, incentivamos a presença de sujeitos de diferentes pertencimentos nessa aula introdutória, que será um ponta pé inicial nesses desdobramentos e aquendações. O curso é destinado não apenas para o público acadêmico, mas também ativistas e artistas que propõe a disputa de tais espaços e do reconhecimento de sua intelectualidade e capacidade cognitiva, assim como a estruturação de espaços outros de produção e circulação de conhecimento.



IDEALIZAÇÃO E FACILITAÇÃO

Brume Dezembro Iazzetti é travesti e transfeminista. É cientista social e mestra em Antropologia Social (UNICAMP), com pesquisa sobre o acesso e permanência de estudantes trans no ensino superior público brasileiro. É mestra pelo programa História no Espaço Público (HIPS) (EMJMD), com passagem em cinco países e qualificação em História Política, com pesquisa sobre história das travestilidades no Brasil. Alinhando teoria e prática, tem atuado em diversos coletivos, museus e arquivos, ONGs e iniciativas em Direitos Humanos. Sua produção transdisciplinar alinha os estudos trans/travestis aos estudos interseccionais, tecnociência feminista, e perspectivas pós/decoloniais



INFORMAÇÕES:

Data e horário: 27/01 das 10h às 13h


Valores conscientes, você paga o quanto pode no momento!

Opção 01 - Mínimo: R$35

Opção 02 - Intermediario: R$50

Opção 03 - Ideal: R$65

Opção 04 - Fortaleceu demais: R$80

Social - R$20 (disponível para pessoas trans / travestis)


BOLSA INTEGRAL: se você quer fazer este curso mas não dispõe de recursos financeiros no momento, mande um e-mail para [email protected] contando um pouquinho de você e como esse conteúdo pode ser importante <3


Serão disponibilizadas bolsas para todes que solicitarem, até que o limite de vagas do aulão seja atingido


Curso online e ao vivo, via plataforma Zoom

Todas as aulas são gravadas e disponibilizadas para quem estiver inscrite (vídeo disponível no drive por um mês após a realização do curso)

Emissão de certificado de participação para quem assistir às aulas ao vivo.

Classificação indicativa: 18 anos

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Sobre o produtor

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BRAVA

Um espaço de construção de comunidades a partir do compartilhamento de conhecimentos e à produção de saberes contra-hegemônicos. Os caminhos desenhados pela Brava passam por cursos, oficinas, aulões, rodas de conversa e outras iniciativas educacionais, centradas em discussões sobre raça, classe, sexualidade, gênero, colonialidade e pela formação de um pensamento crítico no geral, idealizadas e facilitadas por sujeites que moldam suas vozes a partir do enfrentamento à esses sistemas.

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