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LEITURAS EM MARK FISHER: DO FIM DA HISTÓRIA AOS DESEJOS PÓS-CAPITALISTAS

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LEITURAS EM MARK FISHER: DO FIM DA HISTÓRIA AOS DESEJOS PÓS-CAPITALISTAS

21 mar - 2026 • 08:45 > 18 abr - 2026 • 13:00

 
Videoconferência via Sympla Streaming
Evento encerrado

LEITURAS EM MARK FISHER: DO FIM DA HISTÓRIA AOS DESEJOS PÓS-CAPITALISTAS

21 mar - 2026 • 08:45 > 18 abr - 2026 • 13:00

 
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Descrição do evento

APRESENTAÇÃO

Vivemos num tempo paralisado: nunca se falou tanto em crise e nunca foi tão difícil imaginar o futuro, para além de uma distopia. Colapsos sociais, psíquicos, ecológicos e, ainda assim, seguimos funcionando como se tudo estivesse bem, mas sabemos que não está. Trabalhamos exaustos, adoecidos e em silêncio, ironizamos para sobreviver e chamamos esse estado cínico de lucidez política. O capitalismo já não precisa se justificar; ele se apresenta como horizonte da própria realidade – sendo boa ou ruim. Não há mais promessas, só destino. 

Este curso parte desse bloqueio, dessa patologia,  da sensação difusa de que o futuro foi confiscado e de que a crítica, muitas vezes, virou apenas mais um ornamento cultural para bancar o descolado. Discutimos como o “fim da história” não é apenas uma tese teórica, mas uma atmosfera: a naturalização do presente e a transformação da impossibilidade virou senso comum. É nesse terreno que emerge Mark Fisher, um blogueiro “fracassado” que alavanca um diagnóstico brutal: que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. 

Ao longo das aulas, seguindo nas trilhas de Fisher, investigaremos o realismo capitalista como algo que vai muito além da economia, mas como um regime afetivo, temporal e libidinal. Um mundo em que o sofrimento psíquico deixa de ser exceção e passa a funcionar como técnica de governo; em que a depressão é individualizada, o estresse é privatizado e a universidade, o trabalho e a vida são atravessados por uma ontologia empresarial infinita. Assim, discutiremos como o capitalismo não apenas explora, mas gere e captura o desejo humano, administra o gozo e neutraliza a imaginação. 

Mas, não basta identificar os bloqueios que nos impedem de avançar sobre o capitalismo rumo a outros mundos possíveis. É preciso apontar as forças que pairam em nosso mundo e que nós indicam que, apesar do que sentimos, existe uma vida para além do capital. É aqui que entra em cena o marxismo libidinal, o comunismo ácido e a tentativa de Fisher de reabrir aquilo que o presente tenta fechar: a possibilidade de outra forma de vida a partir de desejos pós-capitalistas.. 

Nada aqui é motivacional. Não há caminhos para a salvação, nem arqueologias de um futuro distinto. O que há são brechas, rachaduras e rupturas por onde o impossível se faz possível. O que há é recusa: recusa do cinismo confortável, da crítica domesticada, da ideia de que pensar diferente é ingenuidade. Há uma busca por forças que restauram a libido que reconecte as imagens de um futuro pós-capitalista com a política.

Este curso é para quem sente que algo não fecha, para os angustiados pelo noticiário político, para os que, ainda assim, gostariam de imaginar um mundo diferente, apesar da descrença, para quem percebe que o adoecimento não é falha individual, para quem não aceita viver num mundo onde o máximo de radicalidade permitido é comentar a própria catástrofe ou votar no menos pior. Pensar, hoje, já é um gesto político. Imaginar, talvez, seja o mais radical deles. Este curso é um convite, não à esperança fácil, mas o começo de uma reabertura do possível. 


PORQUE O CURSO 

Porque a esquerda está cansada e doente, e fingir que isso não importa é parte do problema. Militância sem imaginação vira gestão da derrota ou narcisismo moralista de superioridade política.

Hoje o capitalismo venceu menos pela força e mais pela captura do desejo, pelo fechamento da imaginação política. Ele nos ensinou a lutar sem acreditar, a criticar sem esperar nada, a resistir como quem administra danos. O cinismo passou a parecer lucidez ou realpolitik. O sofrimento virou questão individual e o esgotamento foi naturalizado.

Este curso existe para interromper esse automatismo. Não queremos “atualizar a teoria”, mas recolocar a pergunta que a esquerda deixou em suspenso: como queremos viver? E por que essa pergunta se tornou tão difícil?

Mark Fisher nos mostra que o maior triunfo do capitalismo não foi convencer ninguém, mas fechar o horizonte de  transformação, fazendo parecer que toda alternativa é infantil, perigosa ou impossível. Quando a esquerda aceita esse fechamento, continua falando em mudança enquanto age como se nada pudesse realmente mudar. O resultado é uma militância exausta, previsível e facilmente absorvida. Ou seja, impotente, triste e entediante… como o capitalismo.

O que se busca aqui é reabrir o desejo como campo de disputa política. Precisamos de teoria que incomode, não que organize espaços confortáveis. De crítica que desestabilize, não que apenas circule. Este curso é necessário porque a esquerda não pode se contentar em ser a ala crítica de um mundo que segue funcionando como antes. Precisamos de uma arma que produza desejos pós-capitalista, uma arma desejante. Ou a crítica rompe o presente perpétuo, ou ela vira parte da decoração da catástrofe.

Não estamos aqui para ensinar a sobreviver melhor no capitalismo. Estamos aqui para tornar insuportável a ideia de que isso é tudo. Estamos aqui para reconstruir a ideia de que o futuro pós-capitalista não só é necessário, como desejável, no sentido libidinal do termo.


OBJETIVOS 

Entender por que o capitalismo deixou de ser apenas um sistema econômico e passou a funcionar como horizonte da própria realidade, moldando o tempo, o desejo, o sofrimento e a imaginação política.

Investigar a relação entre trabalho, universidade, desempenho e sofrimento mental, mostrando como a depressão e a ansiedade deixaram de ser exceções para se tornarem norma funcional do sistema.

Discutir como o cinismo neutraliza a crítica política, transforma a revolta em produto e esvazia a prática militante, inclusive dentro da própria esquerda.

Recolocar o desejo no centro da política, entendendo como ele é capturado, administrado e bloqueado — e por que não há transformação social sem disputa libidinal.

Apresentar o marxismo libidinal e o marxismo ácido como tentativas de romper com a austeridade afetiva, o moralismo e a política da sobrevivência.

Reabrir a pergunta pelo futuro, não como promessa ingênua, mas como campo de conflito, recusando a ideia de que o presente é o limite do possível.


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Sobre o produtor

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Heribaldo Maia

Professor de história formado pela UFPE e criador do MímesisCast.

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