19 nov - 2021 • 18:30 > 20 nov - 2021 • 16:30
19 nov - 2021 • 18:30 > 20 nov - 2021 • 16:30
Jornadas Clínicas - A transferência e a Outra cena hoje
O guardião do sono, assim Freud denominou o sonho, palco da cena inconsciente, dos nossos desejos mais proibidos e íntimos. A Interpretação dos sonhos marcou a cultura, na virada do século XIX para o século XX, por demonstrar que a racionalidade não se constituía como a via régia, a lógica do funcionamento psíquico. Nossa vida inconsciente, chamada então por Freud, a Outra cena, distingue- se da cena de nossa vida de vigília.
O que estamos vivendo hoje, particularmente nos últimos dois anos, é algo inusitado e que produziu uma quebra significativa no nosso cotidiano e na nossa vida, tal como a concebíamos. A pandemia atingiu toda a humanidade e produziu mudanças radicais em nossos laços com os outros e nas formas de vislumbrarmos o futuro. Confinados, assustados por um inimigo desconhecido e mortífero, fomos tomados pela angústia, na busca pela elaboração de um luto pelas perdas de tantas vidas. Dada a dimensão que bordeia o impossível, ou seja, a de poder registrar na significação o que foi perdido, pela supressão do tempo de compreender, não saímos ilesos deste período e passamos a ter dificuldades para dormir, como se os sonhos, pesados demais, não mantivessem capacidade simbólica suficiente para velar nosso sono. Ao invés de sonhos, invadem os pesadelos que trazem os restos desses dias inimagináveis, muitas vezes inomináveis e solitários, dos quais se encontra dificuldades de produzir um dizer, dando margem a um estado melancólico.
Privados da presença, dos laços afetivos, tais como tínhamos antes, a cena analítica ganhou novas tintas que requerem atenção à leitura. A escuta de analisantes pelo telefone ou por videochamadas, nos leva a repensar como se estabelecem as possibilidades de endereçamento nesse atual contexto, recorrendo ao conceito de transferência como aquele que orienta e fundamenta nossa prática.
A palavra transferência foi referida pela primeira vez por Freud no texto dos sonhos, num sentido de transportar, deslocar significações, na cena onírica. Foi na experiência clínica que o psicanalista descobriu esse enlace especial que a cada psicanálise ocorre. Nas palavras de Lacan, que alguém se isole com um outro para lhe ensinar aquilo que lhe falta torna tal experiência temível, pois, devido à natureza da transferência, o que lhe falta, ele vai aprender amando.
Para dar consequência aos achados freudianos e avançar no tema da transferência, Lacan tomou o que ele considera o maior tratado já escrito sobre o amor, O banquete, de Platão. A transferência é um fenômeno de amor que Freud identificou, situando desde logo a imparidade entre analista e analisante. Ao trabalhar as duas posições – amante/amado – Lacan reitera a heterogeneidade, a disparidade, na sustentação de sua crítica à noção de intersubjetividade.
A dialética amante/amado nos orienta na operatória da substituição: a operação da passagem da posição de objeto – o amado – para a posição de sujeito, de falta, a posição desejante, marcando a estrutura do desejo como indestrutível e que está presente em cada análise. O sujeito que escutamos hoje, a partir do inconsciente, atravessado pelo discurso do Outro - que é sempre social - convoca a questão de como a análise pode possibilitar a constituição de um lugar desejante, em tempos de tantos desalentos, perdas de referências. Quais os aportes que temos desde a psicanálise para a sustentação de um lugar de fala que dirige nossa práxis? Um espaço para que a dimensão da palavra ressoe, não como eco sem fim, mas como produção de um dizer que tenha efeito de abertura ao amanhã, ao sonho e ao desejo? Não seria esta a função própria à psicanálise?
Esse e outros tantos questionamentos queremos compartilhar nestas Jornadas Clínicas da APPOA e Instituto APPOA 2021.
Sexta-feira, 19 de novembro
18h30 | Abertura:
Norton Cezar Dal Follo da Rosa Jr. –
Presidente da APPOA
18h45 | 1ª Mesa:
Questões iniciais sobre a transferência e o desejo
do analista, ou - o que deve ser obtido para que alguém possa ser um analista?
Robson de Freitas Pereira
Nascimento subjetivo e castração de analista
Roséli Olabarriaga Cabistani
Debate
Intervalo
20h15 | Conferência:
“Otra escena en la transferencia”
Enrique Rattín
Debate
Sábado, 20 de novembro
9h | 2ª Mesa:
O pai ainda não estava morto e não sabia
Hugo Dvoskin
“Qual a tua parte nisso? - por entre a peste, a
aventura, os vagalumes”
Lucia Serrano Pereira
Debate
11h | Conferência:
“Las transferencias en el análisis de un niño”
Alba Flesler
Debate
12h30 - Intervalo almoço
14h30 | 3ª Mesa:
Não importa: um esboço sobre a indiferença na
adolescência
Sílvia Raimundi Ferreira
Considerações sobre Raça e Racismo na Outra Cena
Jaime Betts
Debate
16h15 | Encerramento:
Coordenação do Eixo Freud-Lacan 2020/2021
LA TRANSFERENCIA Y LA OTRA ESCENA HOY
Días 19 y 20 de noviembre de 2021
El guardián del sueño, así Freud denominó el sueño escenario de la escena inconsciente,
de nuestros deseos más prohibidos e íntimos. La Interpretación de los sueños marcó
la cultura, en la entrada del siglo XIX al siglo XX, por demonstrar que la
racionalidad no se constituía como la vía regia, la lógica del funcionamiento
psíquico. Nuestra vida inconsciente, llamada entonces por Freud, la Otra escena,
se distingue de la escena de nuestra vida de vigilia.
Lo que estamos viviendo
hoy, particularmente en los últimos dos años, es algo inusitado y que produjo
una quiebra significativa en nuestro cotidiano y en nuestra vida, tal como la
concebíamos. La pandemia afectó a toda la humanidad y produjo cambios radicales
en nuestros lazos con los otros y en las formas de vislumbrar el futuro.
Confinados, asustados por un enemigo desconocido y mortífero, fuimos tomados por
la angustia, en la búsqueda por la elaboración de un luto por las pérdidas de
tantas vidas. Dada la dimensión que bordea lo imposible, o sea, la de poder
registrar en la significación lo que se perdió, por la supresión del tiempo de
comprender, no salimos ilesos de este período y pasamos a tener dificultades
para dormir, como si los sueños, demasiado pesados, no mantuviesen capacidad
simbólica suficiente para velar nuestro sueño. En vez de sueños, invaden las
pesadillas que traen los restos de esos días inimaginables, muchas veces innominables
y solitarios, de los cuales se encuentran dificultad de producir un decir,
dando margen a un estado melancólico.
Privados de la presencia, de los lazos afectivos, tales como teníamos antes,
la escena analítica ganó nuevos colores que requieren atención a la lectura, La
escucha de analizantes por el teléfono o por videollamadas, nos lleva a
repensar cómo se establecen las posibilidades de direccionamiento es ese actual
contexto, recurriendo al concepto de transferencia como aquel que orienta y
fundamenta nuestra práctica.
La palabra transferencia fue referida por primera vez por Freud en el texto
de los sueños, en un sentido de transportar, desplazar significaciones, en la
escena onírica. Fue en la experiencia clínica que el psicoanalista descubrió ese
enlace especial que a cada psicoanálisis ocurre. En las palabras de Lacan, que
alguien se aísle con otro para enseñarle aquello que le falta vuelve tal experiencia
temible, pues, debido a la naturaleza de la transferencia, lo que le falta, él
aprenderá amando.
Para dar consecuencia a los hallazgos freudianos y avanzar en el tema de la
transferencia, Lacan tomó lo que él considera el más grande tratado ya escrito
sobre el amor, El banquete, de Platón. La transferencia es un fenómeno de amor
que Freud identificó, situando desde luego la disparidad entre analista y
analizante.
Al trabajar las dos posiciones - amante/amado - Lacan reitera la heterogeneidad,
la disparidad, en la sustentación de su crítica a la noción de intersubjetividad.
La dialéctica amante/amado nos orienta en la operatoria de la sustitución: la
operación del pasaje de la posición de objeto –el amado- para la posición de sujeto,
de falta, la posición
deseante, marcando la estructura del deseo como indestructible y que está
presente em cada análisis. El sujeto a quien escuchamos hoy, a partir del
inconsciente, atravesado por el discurso del Otro que es siempre social convoca
el tema de cómo el análisis puede posibilitar la constitución de un lugar deseante,
en tiempos de tantos desalientos, pérdidas de referencia. ¿Cuáles son los aportes que tenemos desde el psicoanálisis
para la sustentación de un lugar de habla que dirige nuestra praxis? ¿Un espacio
para que la dimensión de la palabra resuene, no como eco sin fin, sino como
producción de un decir que tenga efecto de abertura al mañana, al sueño y al
deseo? ¿No sería esta la función propia al psicoanálisis?
Esa y otras tantas preguntas queremos compartir en estas Jornadas Clínicas
de APPOA e Instituto APPOA 2021.
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