29 jan - 2022 • 11:00 > 19 fev - 2022 • 13:00
29 jan - 2022 • 11:00 > 19 fev - 2022 • 13:00
Grandes obras da literatura: análise do romance O estrangeiro, de Albert Camus
Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler
Quando: 29/01, 05/02, 12/02 e 19/02/22, sábados, das 11h às 13h (horário de Brasília).
Onde: o curso será oferecido pela plataforma Zoom. Para assistir às aulas, será preciso fazer um cadastro gratuito no Zoom (clique aqui) e baixar o programa, também gratuitamente, em seu celular ou computador. O link para a sala de aula será enviado para os/as inscritos/as, por e-mail, até o dia 27/01/21, antevéspera do início do curso.
Observações:
1. As aulas serão ministradas ao vivo. Quem não puder assistir às aulas em tempo real terá acesso às gravações. Bastará enviar um e-mail para o professor ([email protected]), após a inscrição, para relatar a necessidade de acompanhar as aulas gravadas.
2. Ao fim do curso, será emitido um certificado digital de participação, do qual constará a carga horária total (8 horas).
3. O curso não pressupõe leitura prévia do romance O estrangeiro, de Albert Camus. Faremos a leitura e a análise conjuntamente ao longo das aulas.
4. Quem se inscrever no curso em questão terá acesso às 4 aulas gravadas do curso É possível imaginar Sísifo feliz? Diálogos entre Dostoiévski e Camus sobre o absurdo, também ministradas por mim.
5. Se as vagas do curso se esgotarem e você não conseguir fazer sua inscrição aqui pela plataforma Sympla, envie um e-mail para o professor ([email protected]), pois você ainda poderá se inscrever para ter acesso às aulas gravadas do curso.
Sinopse do curso:
Desde suas primeiras frases, o romance O estrangeiro (1942), do escritor franco-argelino Albert Camus (1913-1960), faz com que o protagonista Meursault seja a encarnação do absurdo: "Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: 'Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames'. Isso não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem". O absurdo do alheamento de um filho em relação à morte de sua própria mãe (o absurdo sentimental) prenuncia o absurdo dos disparos de Meursault contra um ser humano em uma praia de Argel, capital da Argélia, pura e simplesmente porque o suor lhe vedava os olhos (o absurdo ético).
Laureado com o Nobel de Literatura em 1957, Camus logrou construir uma personagem que é a própria encarnação do absurdo, isto é, um ser que sintetizaria a completa falta de sentido da existência. Como "ser-aí", como mero pedaço de matéria que flutua gratuitamente pela vida, Meursault simplesmente existe, sem se afetar com a morte da mãe, o amor de Maria Cardona e o alvejamento de um ser humano numa praia - para o protagonista de O estrangeiro, eventos igualmente desprovidos de sentido; eventos igualmente absurdos.
É assim que, como estrangeiro (isto é, como ser alheio) em relação à própria existência e à sociedade de que faz parte, Meursault precisará lidar com uma justiça que, não sabendo (e não podendo) lidar com uma existência gratuita e absurda, o encarcera, acusa e condena à pena de morte, após construir, por meio de um tribunal, uma personalidade fictícia que permita julgá-lo segundo motivações/intenções que lhe são alheias, isto é, estrangeiras.
Vale a pena frisar que o curso não pressupõe leitura prévia de O estrangeiro, de Albert Camus. Ao longo do curso, faremos a leitura e a análise conjuntamente. Ademais, quem se inscrever no curso terá acesso às 4 aulas gravadas do curso É possível imaginar Sísifo feliz? Diálogos entre Dostoiévski e Camus sobre o absurdo, também ministradas por mim.
Estrutura das aulas [sábados, das 11h às 13h (horário de Brasília)]:
Aula 1 (29/01/22): Primeira parte, capítulos I, II e III. Meursault como a encarnação do absurdo, segundo Albert Camus. Do alheamento em relação à morte de sua mãe à indiferença ao amor de Maria Cardona, veremos como a personagem Meursault encarna o absurdo, de modo a exprimir a gratuidade da existência como um punhado de matéria que simplesmente flutua pela vida alheia (isto é, estrangeira) aos afetos e ímpetos humanos.
Aula 2 (05/02/22): Primeira parte, capítulos IV, V e VI. Uma análise não-absurdista ou antiabsurdista conseguiria compreender o crime cometido por Meursault? Segundo as premissas do absurdo, seria possível alcançar quaisquer motivações/intenções para o crime cometido por Meursault numa praia de Argel? Haveria uma razão, para além do acúmulo de suor contra os olhos, para o protagonista estrangeiro aos motivos da vida ter alvejado um ser humano? Veremos como a filosofia do absurdo colide (sem que ela própria o queira) com as premissas que organizam (isto é, que tentam organizar) a nossa vida.
Aula 3 (12/02/22): Segunda parte, capítulos I, II e III. O Direito lança mão de uma ficção jurídico-moral para conseguir julgar Meursault ao arrepio de sua dimensão absurda? Se Meursault encarna o absurdo, isto é, a gratuidade da existência que nos apreende como meros pedaços flutuantes de matéria pelo universo, veremos como o Direito não consegue organizar e reger as relações interpessoais sem as dimensões de motivação/intenção, isto é, sem projetar sentido para nossas ações. É assim que, em face do tribunal, Meursault deixa de ser estrangeiro para si mesmo.
Aula 4 (19/02/22): Segunda parte, capítulos IV e V. O absurdo de Meursault em face da pena de morte. Se o tribunal do júri, com as instâncias da promotoria e da defesa, acabou criando uma personalidade para Meursault, à revelia do absurdo, para poder julgá-lo e condená-lo, veremos como, em face da guilhotina, isto é, em face da pena de morte, o absurdo se revela em sua mais radical dimensão.
Sobre o professor:
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor e youtuber, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos. Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia. É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021). É colunista do site Brasil 247, para o qual escreve ficções, semanalmente, sobre sua experiência nômade no continente europeu. Colabora, periodicamente, para o caderno literário "Aliás", do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno "Ilustríssima", do jornal Folha de S.Paulo; e para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí. Canal no YouTube: clique aqui
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Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor e youtuber, é doutor em Letras pela USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA). É autor de, entre outros, "Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo" (Hedra, 2018) e "Diário de um escritor na Rússia" (Hedra, 2019). Colabora, periodicamente, para os jornais "O Estado de S. Paulo" e "Folha de S.Paulo"; e para as revistas "Carta Capital", "Veja" e "Piauí".
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