07 jun - 2021 • 19:00 > 28 jun - 2021 • 20:30
07 jun - 2021 • 19:00 > 28 jun - 2021 • 20:30
Curso: Grande sertão: veredas — um
roteiro de navegação
Uma expedição ao continente desconhecido de Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa (1908-1967). O romance que dividiu a literatura brasileira em antes e depois, publicado em 1956, é um dos mais estudados pela crítica, mas permanece repleto de segredos. O curso explora os territórios perdidos da terra e da língua brasileiras recriados por Riobaldo e traça um roteiro para sua travessia, tomando como referência o processo editorial da nova edição do livro pela Companhia das Letras.
Ministrado por Érico Melo
O
curso investiga diferentes aspectos da prodigiosa obra de Guimarães Rosa, tendo
como fios condutores a construção do romance: sua gênese e suas transformações
editoriais; seu território geográfico, histórico e literário; e seu aparato
retórico e linguístico. Ao longo de quatro encontros, serão exploradas faces
pouco conhecidas do livro e suas relações com o restante da obra rosiana, bem
como as conexões da estória de Riobaldo Tatarana com o contexto sociopolítico
do Brasil em meados do século XX. Para tanto, serão empregadas ferramentas
inovadoras como cartas geográficas e astronômicas, gráficos, tabelas e
diagramas, além de referências teóricas como Franco Moretti, Antonio Candido,
Manoel Cavalcanti Proença, João Adolfo Hansen, Willi Bolle, Benedito Nunes e
Jean-Luc Nancy.
7 | junho | 2021 | 19h
Aula 1: A gênese do romance e a
recepção dos contemporâneos
O curso se inicia com uma exploração da história genética e
editorial de Grande sertão: veredas. Dos primeiros cadernos de
viagem a Minas Gerais em 1945 à publicação da primeira edição, em 1956, como
foi se formando o maravilhoso corpo textual do romance? Como as sucessivas
edições do livro, divididas entre diferentes casas editoriais, influenciaram
seus leitores e críticos? Quais foram as principais fontes de Rosa
durante a escrita? A repercussão do romance logo depois de seu lançamento, que
dividiu opiniões e revolucionou a maneira de ler a literatura brasileira, é um
dos pontos de partida da discussão.
14 | junho | 2021 | 19h
Aula 2: Olho do mapa, vozes do
chão: a (des)construção do espaço-tempo rosiano
No terra a terra dos gerais rosianos, tal como nas viagens
oceânicas, é estritamente necessário respeitar as direções indicadas pelos
elementos. O próprio escritor anotou num manuscrito: “Gerais (‘Não há estradas.
Há rumos, como nos mares’)”. Os rumos do sertão correspondem às trilhas
que acompanham as beiras de rios, riachos, ribeirões e córregos, chamados de “veredas”
pelos sertanejos. As principais veredas do romance conformam os caminhos
errantes da jagunçagem e explicam a forma disforme da fala riobaldiana. Eis uma
possível explanação para seu título: são os volteios dos caminhos fluviais da
narrativa de Riobaldo que constituem o tema e a forma do livro, engendrados
entre as chapadas desoladas do Grande Sertão. Neste encontro estudaremos esses
caminhos de terra e água, linhas de fuga que atravessam Minas, Goiás e
Bahia e instituem um espaço oceânico no coração do sertão, sob a orientação da
visão orgânica da paisagem preconizada por Goethe.
21 | junho | 2021 | 19h
Aula 3: As vozes na voz de
Riobaldo
Os efeitos da violência vivida como experiência cotidiana são
premissa fundamental da narrativa de Riobaldo, tendo consequências diretas sobre
a expressão de seus atos de fala. A enunciação de Grande Sertão:
veredas experimenta de modo contínuo uma proximidade limítrofe da
morte, que exerce um efeito desagregador sobre a totalização retrospectiva dos
eventos recordados pelo narrador-protagonista. A tentativa riobaldiana de
reorganizar em série narrativa os fragmentos estilhaçados pela memória da
violência é programada para desorientar o leitor de primeira viagem com sua
massiva mistura de nomes, tempos e lugares. Neste encontro tentaremos desbravar
o intrincado aparato retórico e linguístico do romance, com foco na natureza
dialógica da fala elusiva de Riobaldo e suas conexões com o contexto literário,
social e político do Brasil nos anos 1950.
28 | junho | 2021 | 19h
Aula 4: O lugar do romance na
obra rosiana e na cultura brasileira
Grande sertão: veredas é sem dúvida a obra-prima de Guimarães Rosa, mas essa
constatação não deve nos impedir de apreciar o romance na conjuntura de seus
outros livros, sobretudo Corpo de baile, coleção de novelas da qual
brotou a narrativa de Riobaldo. De Sagarana a Ave,
palavra, rastrearemos a evolução dos principais temas e motivos do grande
romance de 1956: o amor, a morte, a luta, a festa, a música e sobretudo a
natureza dos Gerais, com seus bichos e plantas transbordantes de alegorias.
Paralelamente, a duradoura influência do livro será discutida com foco na
redefinição dos limites literários do sertão e da cidade operada pelo
espaço-tempo da fala riobaldiana.
ÉRICO MELO é doutor em literatura brasileira pela USP, com
tese sobre a obra de Guimarães Rosa. Tem pós-doutorado em literatura comparada,
sobre a cartografia e a geoestratégia do romance brasileiro moderno. Autor de
diversos artigos sobre o tema, é crítico e pesquisador independente. Em 2019,
realizou o estabelecimento do texto da nova edição de Grande sertão:
veredas pela Companhia das Letras.
Informações técnicas
Este curso é oferecido on-line, as aulas irão
acontecer ao vivo em uma reunião por videoconferência no Zoom através do Sympla
Streaming. O participante deve ter idealmente um computador com câmera,
microfone e acesso à internet — no celular a visualização de slides que o
professor possa apresentar pode ficar comprometida. Além disso, é necessário
instalar o Zoom no seu aparelho. O link para a transmissão será enviado por
e-mail com a confirmação da inscrição. As aulas terão duração de 1h30 e a parte
final da aula será direcionada às respostas das perguntas.
Você poderá editar o participante de um ingresso apenas uma vez. Essa opção ficará disponível até 24 horas antes do início do evento.
Saiba como editar participantesEste evento tem a comodidade e a praticidade de uma transmissão online com a melhor experiência garantida pela Sympla.
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Companhia das Letras
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