10 jun - 2025 • 19:00 > 10 jun - 2025 • 22:00
10 jun - 2025 • 19:00 > 10 jun - 2025 • 22:00
SOBRE:
É PRECISO VOLTAR A ESTRANHAR A PALAVRA GÊNERO.
A categoria gênero é uma ferramenta em disputa para desnaturalizar aquilo que nos foi dado. Em línguas feministas, o gênero apareceu como uma categoria desestabilizadora que questionou a naturalidade de sistemas culturais, econômicos e subjetivos há muito estabelecidos, que permitiu o reestabelecimento da Relação entre homens e mulheres ensaiando a substituição da outridade pela alteridade ao nomear “masculinidade” e “feminilidade” como termos a serem des-construídos. Em línguas brancas, o gênero já apagou as diferenças raciais e de classe, sendo utilizado também como ferramenta de predação colonial. Nas línguas insubmissas de feministas negras, o gênero se tornou um fio de diferença em tramas de exploração (gênero-raça-classe-[...]), tecido pela colonialidade pelo patriarcado e pelo Capital, mas também ferramenta de luta e motor de alianças que desamarram tanto quanto fazem “nós”. Em línguas indígenas, sudakas e anticoloniais, o gênero tornou-se história de predação e inscrição de violência sobre a Terra e sobre o corpo, apontando para a fragilidade das invenções eurobrancas e para a potência de outras invenções de mundo. Em línguas lésbicas, o gênero se erotizou entre dobras úmidas des-fazendo economias de gozo, colocando a desobediência no centro. Nas línguas de pessoas cisgêneras, o gênero já se tornou ferramenta de exclusão da dissidência, dobrando-se sobre si mesmo para naturalizar o que já não pode mais ser naturalizado. Nas línguas das pessoas travestis-trans, o gênero tornou-se navalha, corte no corpo, na cultura e na natureza; tornou-se produção incessante, ferramenta para colocar em movimento o corpo transdesejante e seus processos desobedientes tanto quanto o corpo “natural” e suas inscrições na história. Nas mãos do patriarcado cristão, o gênero tornou-se sombra predadora pairando sobre as famílias e as crianças, ameaça a ser neutralizada. Seus usos, abusos, dobras, inflexões e cartografias permanecem cambiantes como nunca, e diante disso propomos revisitar a categoria “gênero” e alguns de seus principais desdobramentos, buscando reinserir a potência dessa palavra-ferramenta em nossas reflexões.
Esse aulão propõe uma perspectiva panorâmica e introdutória sobre os usos da categoria “gênero” com um enfoque em desdobramentos relevantes para os estudos queer e trans, especialmente passando por conceitos como “sistema sexo-gênero”; “tecnologias de gênero”; “performatividade de gênero” e alguns de seus desdobramentos. Priorizando uma perspectiva interseccional alinhada às práxis político-filosóficas do feminismo negro e do transfeminismo, apresentaremos inflexões e disputas em torno da relação da categoria gênero com outros marcadores da diferença, e alguns embates contemporâneos sobre a questão. Nosso objetivo é estranhar a palavra gênero, reabrindo as perguntas que mobilizaram seu uso desde os anos 60. O aulão será feito com uma apresentação aberta, utilizando-se de menções a alguns textos principais como marcos de dobras instrumentais na categoria gênero.
IDEALIZAÇÃO E FACILITAÇÃO:
angie barbosa é travesti, transfeminista, estudante de p(cis)cologia e pesquisadora livre e indisciplinada que estuda gênero, subjetividades trans e pensamento travesti.
INFORMAÇÕES:
Datas: 10/06, das 19h às 22h
INSCRIÇÕES GRATUITAS, com opção de contribuição voluntária.
Opção 01 - Inscrição gratuita
Opção 02 - Colaboração voluntária: R$10
Opção 03 - Colaboração voluntária: R$20
Opção 04 - Colaboração voluntária: R$30
Opção 05 - Colaboração voluntária: R$40
Curso online e ao vivo, via plataforma Zoom
Todas as aulas são gravadas e disponibilizadas para quem estiver inscrite (vídeo disponível no drive por um mês após a realização do curso)
Emissão de certificado de participação para quem assistir às aulas ao vivo.
Classificação indicativa: 18 anos
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BRAVA
Um espaço de construção de comunidades a partir do compartilhamento de conhecimentos e à produção de saberes contra-hegemônicos. Os caminhos desenhados pela Brava passam por cursos, oficinas, aulões, rodas de conversa e outras iniciativas educacionais, centradas em discussões sobre raça, classe, sexualidade, gênero, colonialidade e pela formação de um pensamento crítico no geral, idealizadas e facilitadas por sujeites que moldam suas vozes a partir do enfrentamento à esses sistemas.
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