Mas... e a "materialidade dos corpos"? E como fica a autoidentificação de gênero, numa perspectiva materialista? E o "sexo biológico"? O que vale é a subjetividade sempre? Não há uma estrutura? Qual linha separa a subjetividade e a experiência concreta dos corpos? E como nos localizamos entre "a teoria queer" e o "feminismo materialista"? E não precisaríamos estar desafiando os "estereótipos de gênero", ao invés de reafirmá-los? Etc etc etc...
Essas e outras perguntas - que aparecem com constância nas discussões e nos espaços feministas - hoje são atravessadas por termos e conceitos que viraram espantalhos, sobre os quais mais se fala do que de fato se compreende. Entre as ditas "radicais", alguns fetiches "acadêmicos" e perspectivas marxistas e anarquistas que secundarizam e instrumentalizam gênero sem preocupação real com qualidade analítica, conceitos que já foram tão caros para nós, existências feitas marginais, acabam reduzidos a chavões militantes, com pouco sentido que não o de justificar vieses e acenos ao pânico moral do nosso tempo histórico.
Este mini-curso é um movimento de remarmos na contra-mão disso e na direção das nossas potencialidades históricas antissistêmicas e disruptivas.
Como funcionará?
Teremos dois encontros de 2h nos dias 17 e 18 de junho (segunda e terça), das 20h às 22h: duas horas por dia, intensas e produtivas. Serão sessões online pela plataforma Zoom, em que intercalaremos momentos expositivos com espaços para interações e perguntas. Não será gravado, para que fiquemos realmente à vontade para nos colocarmos e interagirmos.
Quais são o conteúdo e o público esperado?
O cerne desta formação é a constituição de uma base introdutória mas consistente sobre materialismo e dialética implicados como pressuposto e lógica do feminismo, tomando as perspectivas transfeministas contemporâneas como ponto de partida. Iremos além das receitas, manuais e chavões do senso comum, com foco em construir ferramentas teórico-políticas que permitam a construção de olhares e práticas políticas capazes de ser efetivamente disruptivas e antissistêmicas. A abordagem e a didática serão receptivas mesmo a pessoas sem acúmulo teórico prévio e o olhar que nos guiará será aquele centrado na ação política e no compromisso coletivo e anticapitalista.
Os tópicos que conduzirão esse processo são:
- Feminismo e Transfeminismo
- Matéria, materialismo e materialidade
- Lógica clássica, dialética e materialismo
- Pressupostos e implicações metodológicas
- Feminismo Materialista
- Gênero, sexo, corpo e materialidade
- Cisgeneridade, heterossexualidade e família
- Materialismo e subjetividades
- Um (trans?)feminismo materialista hoje
Tem valor social e/ou bolsas?
Estão disponibilizadas 25 bolsas, sendo 10 integrais (apenas taxas do Sympla) e 15 com valor social (desconto de 50% sobre o valor mínimo de inscrição). Para solicitar inscrição, utilize o link abaixo: