O EP é um manifesto artístico em favor do encontro com a essência na arte musical. Incontáveis vezes ouvi as pessoas dizendo que gostam mais de me ver tocando minhas músicas eu mesmo ao violão do que escutar as gravações em estúdio com todos os instrumentos. Ouvi muitas vezes dizerem que já está tudo aí, fazendo parecer que meu esforço em apostar em uma grande equipe e estrutura me faz perder justamente o melhor de minha expressão artística.
De fato, o mundo musical foi dominado pela tecnologia que é capaz de editar em larga escala, capaz até mesmo de criar composições em série, com o uso da inteligência artificial. Criamos mil e uma misturas de ritmos, sonoridades fascinantes, mas com tanto acesso a tecnologia sufocamos a música, que é o primordial. Parece não haver espaço justo para produção de belas canções, nas quais a arte e a emoção musical sejam protagonistas. Assim o essencial fica de fora. A verdade musical, no entanto, é a expressão direta e livre de um talento, uma certa pureza que se identifica com a simplicidade. Pensei então em fazer um EP com músicas finamente selecionadas, executadas da forma como eu toco na intimidade. Valorizo o espaço vazio, o silêncio, as dinâmicas, as mensagens que cada texto carrega e preencho-os apenas com meu violão e minha voz. Somente o essencial: belas canções, tocadas numa dinâmica verdadeira, pulsando o que sinto de forma orgânica.
O concerto Fina Cantoria levará ao público essa experiência com um repertório autoral mesclado com releituras. No Teatro Gamboa dia 31 de Maio, às 17h, apenas voz e violão tocados por mim, pretendo reunir o público afim numa viagem por entre as histórias por mim contadas e os afetos de belas canções. E que seja uma experiência de conexão com aquilo que a arte musical tem de mais belo e genuíno a oferecer, numa pureza que só a simplicidade pode ofertar.
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA - LIVRE
Sobre o artista
Lucas Argolo é cantor e compositor soteropolitano, 43 anos. Tem na criação autoral no centro do seu trabalho musical. Lançou três discos nas plataformas digitais: Todo Azul (2013) e Coisa de Preto (2020) e Fina Cantoria (2026). Compositor de rara inspiração, se mantém fiel à tradição da música do estado da Bahia. Seu trabalho agrega uma vasta influência das suas referências musicais da primeira linha da produção musical brasileira. No palco, tem atuação hipnotizante, carisma natural e comunicação direta com o público. Compõe desde os 18. Em 2005, já cursando medicina, levou o trabalho solo ao Teatro Moliére da Aliança Francesa (Ladeira da Barra) com o show Solaris, repertório de 20 canções, metade autoral. Após concluir a Psiquiatria, finalizou o álbum Todo Azul (10 músicas autorais). Fez então participação em 3 programas da Radio Educadora em 2017, divulgando esse trabalho: Novos baianos, Especial das 6, e Memória do Radio. Perfilino Neto em seu programa o apresentou como “um grande talento da música”, dedicando um programa inteiro à entrevista e à divulgação das músicas autorais, tocadas ao violão no estúdio da rádio. Músicas do Todo Azul estão na programação da emissora. Desde 2017 é cantor da banda Forró Passa Pé, dedicada à preservação ativa das tradições nordestinas, com agenda forte no São João, especialmente no Pelourinho e na região metropolitana. Em 2020 lançou o EP Coisa de Preto, reunindo ritmos e conceito afro-brasileiro com poética luminosa sobre histórias de nossa gente.
Atualmente é professor de Psiquiatria da UNEB e preceptor da UFBA, defendendo a arte como expressão essencial da vida humana. Este ano, como um processo de mergulho à sua essência musical mais íntima, grava o Fina Cantoria, ao voz e violão, como expressão artística alinhada com a beleza e simplicidade natural do canto dos pássaros, assim define o autor.