10 jul - 2021 • 11:00 > 31 jul - 2021 • 13:00
10 jul - 2021 • 11:00 > 31 jul - 2021 • 13:00
É possível imaginar Sísifo feliz? Diálogos entre Dostoiévski e Camus sobre o absurdo
Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler
Quando: 10/07, 17/07, 24/07 e 31/07/21, sábados, das 11h às 13h (horário de Brasília).
Onde: o curso será oferecido pela plataforma Zoom. Para assistir às aulas, será preciso fazer um cadastro gratuito no Zoom (clique aqui) e baixar o programa, também gratuitamente, em seu celular ou computador. O link para a sala de aula será enviado para os/as inscritos/as, por e-mail, até o dia 08/07/21, antevéspera do início do curso.
Observações:
1. As aulas serão ministradas ao vivo. Quem não puder assistir às aulas em tempo real terá acesso às gravações. Bastará enviar um e-mail para o professor ([email protected]), após a inscrição, para relatar a necessidade de acompanhar as aulas gravadas.
2. Ao fim do curso, será emitido um certificado digital com a discriminação da carga horária total (8 horas).
3. O curso não pressupõe conhecimento prévio da obra de Fiódor Dostoiévski e da obra de Albert Camus. Faremos as leituras e análises conjuntamente ao longo das aulas.
4. Se as vagas do curso se esgotarem e você não conseguir fazer sua inscrição aqui pela plataforma Sympla, envie um e-mail para o professor ([email protected]), pois você ainda poderá se inscrever para ter acesso às aulas gravadas do curso.
Sinopse do curso:
É bem possível dizer que, em termos essenciais, o escritor franco-argelino Albert Camus (1913-1960) erigiu sua obra como uma resposta ao diagnóstico niilista do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), para quem a modernidade técnico-científica exila Deus do mundo e relega homens e mulheres a uma vida desprovida de sentido transcendental e infinito.
Se Dostoiévski e Camus convergem no diagnóstico de que o exílio de Deus relega homens e mulheres à náusea de uma vida absurda, é preciso entender como, a partir de tal ponto (isto é, a partir de tal encruzilhada), o russo e o argelino passam a trilhar caminhos literários e filosóficos díspares.
Se, em seu ensaio O mito de Sísifo (1942), Camus afirma que "é preciso imaginar Sísifo feliz" - Sísifo, o condenado pelos deuses a rolar uma pedra morro acima, sem jamais dela poder se desvencilhar, como alguém condenado à vida perpetuamente (até que a morte sobrevenha) -, persoangens dostoievskianas como o homem do subsolo (Memórias do subsolo, 1864), Rogójin (O idiota, 1869) e Kiríllov (Os demônios, 1872) como que colocam Camus contra a parede, ao lhe perguntarem: mas será que é possível imaginar Sísifo feliz?
Por outro lado, a personagem Meursault, (anti-)herói do romance O estrangeiro (1942), parece despontar, em seu amoralismo, como uma resposta camusiana à dor moral que prostra o jovem estudante Ródion Raskólnikov, (anti-)herói do romance Crime e castigo (1866), de Dostoiévski. Enquanto Raskólnikov não suporta o fardo de ter aspergido sangue alheio após ter cometido um odioso duplo homicídio, Meursault desponta como um estrangeiro para quaisquer afetos - do alheamento em relação à morte da mãe a um odioso assassínio cometido ao léu, sem plano e sem ímpeto. Assim, com O estrangeiro, Camus parece ter colocado Dostoiévski contra a parede, como se nossa época tivesse chegado ao absurdo de crimes sem castigo e sem culpa.
É importante frisar que o curso não demanda conhecimento prévio das obras selecionadas de Dostoiévski e Camus. Ao longo das aulas, analisaremos conjuntamente as personagens e conceitos elencados, de modo a compreendermos como se dão as confluências e tensões entre os dois intérpretes diferenciais das tensões literário-filosóficas do absurdo de nossa época.
Estrutura das aulas [sábados, das 11h às 13h (horário de Brasília)]:
Aula 1 (10/07/21): O absurdo, para Dostoiévski, como a náusea de um mundo que relegou Deus e o sentido da vida ao exílio. Tanto para Dostoiévski quanto para Camus, a modernidade técnico-científica a exilar Deus do nosso mundo traz como decorrência a erosão do sentido transcendental/infinito da vida. Enquanto o escritor franco-argelino procura erigir pontes entre a ilha sem sentido da vida e a busca fraturada por sentido (tema a ser desenvolvido na segunda aula do curso), veremos como personagens niilistas de Dostoiévski, tais como o homem do subsolo (Memórias do subsolo) e Rogójin (O idiota), nos mostram como a morte potencial de Deus lança as bases para o relativismo radical dos valores e das ações.
Aula 2 (17/07/21): "Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio". Por que, partir de tal afirmação tétrica que desponta logo no início do ensaio O mito de Sísifo, Camus parece saltar por sobre o abismo do absurdo para sentenciar que "é preciso imaginar Sísifo feliz"? Por que o suicídio de Kiríllov, personagem do romance dostoievskiano Os demônios, parece colocar Camus contra a parede, como que a lhe perguntar com o dedo em riste: é possível imaginar Sísifo feliz?
Aula 3 (24/07/21): De Crime e castigo ao crime sem castigo (e culpa) - Parte I: Por que Ródion Raskólnikov, (anti-)herói do romance Crime e castigo, de Dostoiévski, logrou matar o Não matarás, ao cometer um odioso duplo homicídio, mas, ao fim, talvez não tenha conseguido suportar o fardo de ter aspergido sangue alheio? Afinal, se "Deus não existe e tudo é permitido", como quer o niilismo de um mundo sem Deus (isto é, sem valores absolutos e transcendentais), por que o jovem estudante deveria arquejar premido pela culpa? Como a dor de Raskólnikov prenunciaria o amoralismo indolor de Meursault, (anti-)herói do romance O estrangeiro, de Camus?
Aula 4 (31/07/21): De Crime e castigo ao crime sem castigo (e culpa) - Parte II: "Hoje, mamãe morreu. Ou talvez tenha sido ontem, eu não sei". Com tais sentenças chocantes, tem início o romance O estrangeiro, ao longo do qual o (anti-)herói Meursault caminha da indiferença radical em relação à morte da mãe - indiferença, notemos, pela origem e desenvolvimento da vida - até o cometimento ao léu de um homicídio numa praia argelina, simplesmente porque, como o sol e o suor o fustigavam, "a arma acabou disparando". Veremos, assim, como o amoralismo de Meursault, um estrangeiro para o mundo e para si mesmo, configura uma resposta literário-filosófica de Camus para Dostoiévski, de modo a fazer com que o absurdo encarne, nas ações de Meursault, um Raskólnikov alheio a qualquer culpa.
Sobre o professor:
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor e youtuber, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos. Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia. É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021). É colunista do site Brasil 247, para o qual escreve ficções, semanalmente, sobre sua experiência nômade no continente europeu. Colabora, periodicamente, para o caderno literário "Aliás", do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno "Ilustríssima", do jornal Folha de S.Paulo; e para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí. Canal no YouTube: clique aqui.
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Prof. Dr. Flávio Ricardo Vassoler
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor e youtuber, é doutor em Letras pela USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA). É autor de, entre outros, "Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo" (Hedra, 2018) e "Diário de um escritor na Rússia" (Hedra, 2019). Colabora, periodicamente, para os jornais "O Estado de S. Paulo" e "Folha de S.Paulo"; e para as revistas "Carta Capital", "Veja" e "Piauí".
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