02 set - 2026 • 19:30 > 02 set - 2026 • 21:30
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Em muitas instituições de Educação Infantil, a documentação pedagógica tem sido incorporada como uma ampliação do trabalho docente: registros, relatórios, fotografias, portfólios e painéis que buscam tornar visível o cotidiano das crianças. Embora essas produções tenham relevância, essa compreensão ainda tende a reduzir a documentação a uma tarefa adicional em uma rotina já marcada por múltiplas exigências.
Este ciclo de encontros propõe um deslocamento dessa leitura.
Partimos de uma concepção de currículo já instituída nos documentos oficiais da Educação Infantil, inaugurada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2009) e retomada pela Base Nacional Comum Curricular (2017) que entende o currículo como prática e como articulação entre as experiências das crianças e as intencionalidades pedagógicas do professor.
A partir dessa concepção, a questão deixa de ser “o que é currículo?” e passa a ser: como esse currículo se constrói na prática cotidiana?
É nesse ponto que a documentação pedagógica entra em discussão: mais do que uma técnica de registro, ela pode ser compreendida como um dispositivo que sustenta o encontro entre escuta das crianças e intencionalidade docente. Ao tornar possível observar, interpretar, projetar e reorganizar continuamente as experiências educativas, a documentação não apenas acompanha o currículo e participa da sua produção.
Nesse sentido, a documentação pedagógica não se configura como um “trabalho a mais”, mas como uma forma de reorganizar o próprio modo de fazer educação infantil. Ela sustenta a ação docente, a avaliação, a reflexão e a formação, integrando esses movimentos em um mesmo processo de pensamento pedagógico.
Qual é a diferença entre documentação pedagógica e registro? O que se perde quando tratamos como sinônimos?
A documentação pedagógica é uma tarefa adicional ou um modo de sustentar a própria construção curricular?
O que significa interpretar os processos de pensamento das crianças a partir dos registros?
O que muda no papel do professor quando ele deixa de ser organizador de atividades para se tornar um intérprete dos processos de aprendizagem das crianças?
Carolina Kerr
É coordenadora pedagógica da Diálogos, onde atua na elaboração, execução e acompanhamento de projetos formativos e de avaliação. Foi professora por mais 20 anos e, também, orientadora pedagógica da Escola Vera Cruz. Dedica-se ao estudo da abordagem Italiana de Reggio Emília desde 2008 e se especializou nas bases teóricas desse método. Nos últimos anos, tem se dedicado a fundamentar sua pesquisa e prática sobre Investigação como política cognitiva. Durante os anos de 2021 e 2022, participou de um grupo de estudos, no qual puderam construir uma base teórico-prática importante para consolidar essa abordagem, que se tornou também cursos e palestras. Viajou para conhecer escolas e projetos em outros estados e países, o que colaborou para uma visão ampla e crítica da relação entre as abordagens e seus contextos. Trabalha como formadora em escolas particulares e públicas. Especializou-se em gestão e formação de professores.
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