Um sujeito que vive como se estivesse sempre em cena.
Que se organiza a partir do olhar do outro, se antecipa a ele, se corrige por ele e, pouco a pouco, se perde.
Neste encontro, partimos da construção e análise de um caso clínico fictício para pensar um ponto que insiste na clínica contemporânea: o que acontece quando o olhar do Outro deixa de operar apenas como condição de constituição e passa a se apresentar como excesso?
Se, por um lado, sabemos que não há sujeito fora do campo do Outro, por outro, vemos cada vez mais sujeitos capturados por uma lógica de exposição contínua, onde existir parece depender de ser visto, reconhecido e validado.
Mas então, de que olhar estamos falando?
• O olhar do Outro sempre teve esse caráter invasivo ou estamos diante de uma configuração contemporânea específica?
• Em que momento o olhar deixa de sustentar o sujeito e passa a produzir sofrimento?
• Podemos falar de um olhar adoecedor ou isso depende da posição subjetiva de cada um?
• Qual a relação entre esse olhar, os ideais e a formação dos sintomas?
• O que, na teoria, nos permite ler esses fenômenos sem reduzi-los a uma lógica puramente social ou adaptativa?
A proposta é abrir um espaço de discussão clínica, onde o caso funcione como disparador para que possamos, juntos, tensionar teoria e prática e interrogar os modos como o sujeito contemporâneo se constitui, se expõe e, muitas vezes, sofre sob o olhar do Outro.
O evento será on-line e gratuito. Ele compõe um conjunto de encontros mensais para pensarmos a contemporaneidade.